DUBAI REVISTED
Volto a Duabi depois de três anos . Aquela impressão que rendeu um texto elogioso à época, no qual me dizia positivamente impressionado não se dissipou totalmente, mas arrefeceu em face a algumas realidades que ficaram exposta dessa vez.
Senão:
Farinha pouca...
- o comércio parece em baixa. O Dubai Mall, que como tudo aqui e maior do mundo, está sendo expandido, muito mais em função do efeito bicicleta próprio daqui, do que em função da demanda.
As 1200 lojas estão parcialmente vazias e os vendedores parecem caçar os fregueses na porta . Consequência mais que óbvia do petróleo a 40 dólares o barril , contra os mais de 100 quando estive aqui da outra vez. Lembre que Dubai não produz quase nada de óleo , e depende da mão aberta de papai Abu Dabhi, que (apesar de 40 usd ser bem razoável para quem não gasta mais do que 3 para produzir ) tem seus próprios luxos para sustentar . Meu pirão primeiro....
Fritz Lang do deserto
- Os nativos dos emirados não trabalham, ou trabalham muito pouco. Os cargos de diretoria são sempre exercidos por nativos, mas quem faz acontecer são gerentes, quase sempre americanos ou europeus
Quanto às funções menos qualificadas, E comum em países desenvolvidos que os locais não as realizem, mas aqui é completamente impossível achar alguém nascido nos Emirados atendendo mesa ou dirigindo táxis. Conta a lenda que esse pessoal em sua maioria indianos, filipinos e gente do leste europeu vivem em alojamentos no deserto e se esmagam em ônibus sem ar-condicionado , o que aqui equivale a um passeio no inferno. Qualquer semelhança com Métropolis...
- Bollywood
O Burj Califa, edifício mais alto do mundo é de certa forma, uma metáfora local. O prédio e lindo mas os últimos andares são quase um cenário pra fotos e estatísticas, já que apesar das janelas , não são habitáveis. Era pra se chamar Buj (torre) Dubai, mas o Califa de Abu Dabhi , chamado para pagar a conta que saiu do controle, exigiu que lhe fosse feita a justa homenagem. Provavelmente a maioria dos andares esta desocupada e construção não faz nenhum sentido econômico, num lugar onde espaço é areia.
A Bigger Bang
- Freud dizia que todos temos uma questão com um dos pais. Os emirados , apesar de milenares enquanto civilização, são filhos do império britânico . Não é de se estranhar que, dado a baixa auto estima desses novos riquíssimos, que dirigem carros de ficção científica e cujos avos andavam de camelo, tenham construído um edifício na forma de Big Ben ,muito mais alto , é claro .
debytes
Tuesday, August 18, 2015
Darvin e Darrin
Darrin e Darvin.
A rivalidade Brasil Argentina tem razões históricas que só futebol não explica. Não pretendo entrar nessa seara, que envolve hegemonia sudaca, egos de caudilhos dos dois lados da fronteira, birras militares e preconceito. Só desejo argumentar que , quando se trata de cinema , Maradona da de chicote em Pele.
Assisti ontem o maravilhoso Relatos Selvagens , que, se não é melhor do que o maravilhoso Segredo de Tus Ojos, chega perto. São várias histórias que relatam situações onde personagens do cotidiano rasgam a fantasia da civilidade e se tornam, como quer o título, selvagens .
Tem de tudo: alusão ao 11 de setembro, a criminosa que tenta um emprego normal mas que a primeira chance acaba seguindo sua vocação , o rico que se cansa de comprar os outros , o sujeito que (como não lembrar do desenho da Pateta motorizado?) atrás de um volante , encena Darwin e por último a noiva que vira bicho na festa de casamento. O único reparo e que esse último fragmento deveria se chamar Bodas de Sangre ao invés do óbvio Até que a Morte nos Separe. Vacilo do Almodóvar, produtor executivo que poderia ter prestado uma homenagem elegante ao seu contemporâneo Lorca .
E como não existe filme argentino sem o Darrin , lá está ele no papel do sujeito que se revolta com a indústria de multas e explode tudo. Aliás , não temos nenhum ator de cinema para lustrar seus sapatos, verdade seja dita.
O cinema argentino mostra que , apesar de viver maus momentos
( olhem quem fala) a Argentina ao menos, um arremedo de civilização.
Hélio Freire
A rivalidade Brasil Argentina tem razões históricas que só futebol não explica. Não pretendo entrar nessa seara, que envolve hegemonia sudaca, egos de caudilhos dos dois lados da fronteira, birras militares e preconceito. Só desejo argumentar que , quando se trata de cinema , Maradona da de chicote em Pele.
Assisti ontem o maravilhoso Relatos Selvagens , que, se não é melhor do que o maravilhoso Segredo de Tus Ojos, chega perto. São várias histórias que relatam situações onde personagens do cotidiano rasgam a fantasia da civilidade e se tornam, como quer o título, selvagens .
Tem de tudo: alusão ao 11 de setembro, a criminosa que tenta um emprego normal mas que a primeira chance acaba seguindo sua vocação , o rico que se cansa de comprar os outros , o sujeito que (como não lembrar do desenho da Pateta motorizado?) atrás de um volante , encena Darwin e por último a noiva que vira bicho na festa de casamento. O único reparo e que esse último fragmento deveria se chamar Bodas de Sangre ao invés do óbvio Até que a Morte nos Separe. Vacilo do Almodóvar, produtor executivo que poderia ter prestado uma homenagem elegante ao seu contemporâneo Lorca .
E como não existe filme argentino sem o Darrin , lá está ele no papel do sujeito que se revolta com a indústria de multas e explode tudo. Aliás , não temos nenhum ator de cinema para lustrar seus sapatos, verdade seja dita.
O cinema argentino mostra que , apesar de viver maus momentos
( olhem quem fala) a Argentina ao menos, um arremedo de civilização.
Hélio Freire
Wednesday, June 03, 2015
Right is not allways right
O problema de se saber história e que agente fica muito solitário. Todo mundo parece ter uma opinião genial hoje em dia , mas que não guarda nenhuma relação com o conjunto da experiência humana até então, portanto não se sustenta por mais do que um curto período de tempo. É o resto é história.
Faço parte de uma minoria , a dos realmente Liberais, a favor de uma estado eficiente e partidários da ideia que a democracia acaba por aperfeiçoar -se, não importa o esforço momentâneo que isso possa requerer.
Estamos prensados entre militantes profissionais que apoiam o governo, cada vez mais por interesse pecuniário, e gente que imagina ter a pedra filosofal declarando -se se a favor de intervenções militares, ataques a constituição e outras asneira, fazendo gracinha e até musiquinhas a respeito , sem perceber que em certa medida, trata - se de uma moda. Nada original aliás.
Nessa onda, daqui a pouco teremos um dia de são Bartolomeu onde petistas e esquerdistas serão massacrados na rua, uma Jakarta , um Santiago do Chile, que são processos diametralmente contrários ao conceito de civilização.
Eu nasci nos anos 60 e tive a curiosidade de aprender tudo que podia sobre o período. Acho que todos deveriam ao menos conhecer como o mundo funcionava no momento em que nasceram, até para compreender a si mesmo melhor.
Hoje e comum tratar as pessoas que militaram em política naquela época como idiotas ou lunáticos, como se contexto planetário não fosse completamente diferente do de hoje. Sem defender aqueles que combatiam o governo, alguns de forma violenta , não da para vê-los somente como terroristas sedentos de sangue e a soldo de Moscou e Havana, que mereceram morrer no choque elétrico ou na porrada e qualquer tentativa de contar essa história e revanchismo comunista e uma forma de denegrir o glorioso exército , .
E óbvio que havia apoio do movimento comunista internacional a esses movimentos, e até nos de característica não violenta( hoje Sabemos que a KGB , que reprimia movimentos gay, direitos humanos e outros na mãe pátria Rússia , os apoiava no exterior afim de tumultuar ao máximo o processo nos países capitalistas) mas há que se entender que aquele era um momento de revolta planetária, e muita gente abraçava essas causas e outras com a mesma lógica da direita chique de hoje.
Os estados unidos, que são hoje a grande esperança da sobrevivência da democracia ocidental e laica, defensores dos valores que entendo serem os mais adequados para a existência humana, viviam à época, imensos dilemas externos e internos. Mandavam soldados para o Vietnan, afim de defender a liberdade - não sem efeitos colaterais terríveis como os massacre de Mai Lai que comoviam a opinião pública mundial, - ao mesmo tempo que e eram incapazes de enviar tropas ao Sul para proteger os movimentos negros de de direitos cíveis que vinha sendo massacrados por gente como o Governador Wallace do Alabama.
intervenções como a que depôs Mosaageh no Ira, nacionalista e eleito democraticamente, trocando-o pelo facínora do Xa , também depunham contra a grande democracia do norte, que passou por todas as provações afim de purgar a si mesma .
Hoje e fácil entender esse processo mas quem vivia aquilo, podia ate flertar com a união soviética, Cuba ou China, e enxergá-los como lugares com alguma superioridade moral, mesmo depois dos massacres de Stalin, tido como fato isolado.
Julgar quem viveu aquilo pela moral de hoje e canalha e estúpido.
Só quero dizer que essa militância neo fascista e irracional do momento, pode parecer tão anacrônica e ridícula em poucos anos , quanto a esquerda armada e não armada dos anos 6o aparece para nos.
Quem viver...
Hélio Freire
Tuesday, June 02, 2015
Lenine e macarthy
Lenin e Mcarthy
Estou assustado com o nivel de radicalismo político que estamos vivenciado. Não tenho medo do debate nem do embate, mas sei como a história se move.
Estou assustado com o nivel de radicalismo político que estamos vivenciado. Não tenho medo do debate nem do embate, mas sei como a história se move.
Li um texto do Olavao , a quem respeito no atacado mas as vezes discordo no varejo, querendo reabilitar a figura de Joe Macarthy, que via um complo comunista no prato sopa
. Ora. Che Guevara, que os olavetes (que não sevem para lustrar as botas de seu mestre,que ao menos tem bom humor ) adoram esculachar como se não fosse outro produto de época, dizia que não poderia ter amigos que pensassem diferentemente dele.
Macarthys me mordam se essa turma que se esconde no FB não faz o mesmo.
Deus me livre do pensamento único, principalmente se for igual ao meu.
Hélio Freire
Éric Clapton turns 70
Éric Clapton turns 70
Esse deve ser o concerto de número 26 ou 27 dele que compareço. Provavelmente o melhor , fora obviamente os do retorno do Cream que vi em 2005 e os com Steve Winwood , além daquele no Rio, virado para para o Cristo Redentor .
Dessa vez fiquei atras do palco, e pude prestar atenção aos músicos, como poucas vezes antes.
Éric sempre tem um discípulo de Ray Charles a mão . Dessa vez é Paul Carrac, que tocava Hammond e cantava no Sqeeze enquanto Jools Holland martelava o piano. Entrega uma You Are So Beatifull que é do fantasma de Joe Cocker lavar e enxaguar a alma
Dr Steve Gadd, o baterista mais bem pago do mundo, raramente abandona a caixa e o chimabau, mas eventualmente e capaz de invocar a máquina do trovão, quando o chefe dispara sua metralhadora zero graus.
O simpaticíssimo Nathan East e sério candidato a maior baixista da atualidade. Defende uma belíssima redenção a Cant Find My Way Home , numa levada mais soul.
Clapton troca de banda com uma certa frequência, mas raramente abre mão de ter em qualquer formação, o pianista que arranca tantos aplausos quanto ele próprio , o locomotiva Cris Stanton, esse inglês com cara de fuinha e dedos de britadeira.
Éric, do ângulo que o vejo, as vezes parece o menino que se despediu de Bruce e Barker naquele mesmo palco em 1968, as vezes parece ter um bilhão de anos, como seu colega Jeová.
Mêsmo canções desgastadas e óbvias como Tears in Heaven , Cocaine e Wonderfull soam frescas e inéditas, e clássicos como Let Irt Rain e Queen of Spades , soberbas.
O solo de Sheriff , que é sempre o ponto auto da noite, dessa vez foi uma experiência religiosa- quem quiser, está i postado no FB
Ao violão ele e João Gilberto, na Guitarra e Hendrix, King, ..Clapton
Nunca o vi mais emocionado, ele que é tradicionalmente frio, abraçando a banda toda e agradecendo a plateia. Ainda sim acho que verei o amigo de novo further up on the Road or um some crossroad.
Esse deve ser o concerto de número 26 ou 27 dele que compareço. Provavelmente o melhor , fora obviamente os do retorno do Cream que vi em 2005 e os com Steve Winwood , além daquele no Rio, virado para para o Cristo Redentor .
Talvez por que tenha sido no Albert (Eric's) Hall, talvez por que o cara fez 70 recentemente e insinuou uma aposentadoria. Ou por que tenha visto com meu filho,que, embora não tenha sido o seu primeiro , considerou o seu preferido
Não importa. O que vale é que o velho estava com el duende essa noite, e a banda irrepreensível.
Dessa vez fiquei atras do palco, e pude prestar atenção aos músicos, como poucas vezes antes.
Éric sempre tem um discípulo de Ray Charles a mão . Dessa vez é Paul Carrac, que tocava Hammond e cantava no Sqeeze enquanto Jools Holland martelava o piano. Entrega uma You Are So Beatifull que é do fantasma de Joe Cocker lavar e enxaguar a alma
Dr Steve Gadd, o baterista mais bem pago do mundo, raramente abandona a caixa e o chimabau, mas eventualmente e capaz de invocar a máquina do trovão, quando o chefe dispara sua metralhadora zero graus.
O simpaticíssimo Nathan East e sério candidato a maior baixista da atualidade. Defende uma belíssima redenção a Cant Find My Way Home , numa levada mais soul.
Clapton troca de banda com uma certa frequência, mas raramente abre mão de ter em qualquer formação, o pianista que arranca tantos aplausos quanto ele próprio , o locomotiva Cris Stanton, esse inglês com cara de fuinha e dedos de britadeira.
Éric, do ângulo que o vejo, as vezes parece o menino que se despediu de Bruce e Barker naquele mesmo palco em 1968, as vezes parece ter um bilhão de anos, como seu colega Jeová.
Mêsmo canções desgastadas e óbvias como Tears in Heaven , Cocaine e Wonderfull soam frescas e inéditas, e clássicos como Let Irt Rain e Queen of Spades , soberbas.
O solo de Sheriff , que é sempre o ponto auto da noite, dessa vez foi uma experiência religiosa- quem quiser, está i postado no FB
Ao violão ele e João Gilberto, na Guitarra e Hendrix, King, ..Clapton
Nunca o vi mais emocionado, ele que é tradicionalmente frio, abraçando a banda toda e agradecendo a plateia. Ainda sim acho que verei o amigo de novo further up on the Road or um some crossroad.
Monday, May 18, 2015
hino ao juiz
Gosto muito desse poema do Maiakovski, na tradução do Augusto. O poeta, que ao que me consta nunca saiu da Russia, a não ser por suicídio, imaginava um paraíso tropical, o Peru, onde Juízes teriam imposto um regime de tirania:
HINO AO JUIZ
Bananas, ananás! Peitos felizes.
Vinho nas vasilhas seladas…]
Mas eis que de repente com praga
No Peru imperam os juízes!
Encerraram num círculo de incisos
Os pássaros, as mulheres e o riso.
Boiões de lata, os olhos dos juízes
São faíscas num monte de lixo.
Sob o olhar de um juiz, duro como um jejum,
Caiu, por acaso, um pavão laranja-azul:
Na mesma hora virou cor de carvão
A espaventosa cauda do pavão.
No Peru voavam pelas campinas
Livres os pequeninos colibris;
Os juízes apreenderam-lhes as penas
E aos pobres colibris coibiram.
Já não há mais vulcões em parte alguma,
A todo monte ordenam que se cale.
Há uma tabuleta em cada vale:“Só vale para quem não fuma.”Nem os meus versos escapam à censura;
São interditos, sob pena de tortura.
Classificaram-nos como bebidas Espirituosa: “venda proibida”.
O equador estremece sob o som dos ferros.
Sem pássaros, sem homens, o Peru está a zero.
Somente, acocorados com rancor sob os livros,
Ali jazem, deprimidos, os juízes.
Pobres peruanos sem esperança,
Levados sem razão à galera, um por um.
Os juízes cassam os pássaros, a dança,
A mim e a vocês e ao Peru.
Não quero dizer que estejamos vivendo uma
ditadura de juízes, mas sempre há um risco que um dos poderes se imponha sobe
os outros e acabe com o equilibro que, de certa forma rege a democracia.
Não e de estranhar, dado o descredito do executivo e do legislativo. Sou admirador do Juiz Moro, como qualquer pessoa decente, mas assim como nem todo Petista e " um stalinista chavista que faz pouco do dinheiro publico afim de tomar o poder usando métodos gramcianos, já que perdeu a luta armada para os valorosos militares," e nem todo Juiz e bem intencionado.
Aquele caso, felizmente punido, do juiz que passeava com a Porsche do Eike, me remeteu as obras de arte retiradas das residências das familas judias ricas e de paredes de museus nos países conquistados e que passaram a adornar o palácio do Kaiser da Luftwaff Herman Goering.
Friday, January 02, 2015
No passaran
Fala-se muito em golpe militar . Seria legal se os Beatles voltassem também, assim ao menos teríamos um pouco do lado bom dos anos 60 e não somente aqueles velhos horríveis de farda, suas mulheres-peruas, hinos pela manhã e aulas de educação moral e cívica.
Nao consigo imaginar ignomia maior ou ignorância mais declarada. Apesar da tentação, não vou plagiar o excelente texto do Roberto Pompeu Toledo na VEJA que traça um quadro do que seria uma ditadura militar 2015, mas vou tratar de enumerar algumas verdades sobre período militar, no intuito de desarmar ( com trocadilho ) algumas viúvas que nem conheceram o marido, ou seja, gente que não viveu o período.
Ou se viveu sofre de Alzaihmer histórico.
Antes que eu seja fuzilado pela turma da direita hidrocefala, esclareço que não acho que o saldo da quartelada de1964 seja de todo negativo, diria no máximo misto. Mas preferia que as conquistas do período tivessem sido obtidas dentro da legalidade e num ambiente democrático. Ninguém precisa de militares pra desenvolver o pais rápido, se vc não tem de dar satisfação a sociedade ou se não tendo de dar pelota pro Congresso. Até eu.
Se não, vejamos:
- O caráter monolítico da Petrobras, causa e efeito da balbúrdia atual, poderia e deveria ter sido flexibilizado no início dos anos 70. Delfim sempre conta que ouvido de Giscard d'estaingne numa reunião do Clube de Paris , que os Árabes preparavam um cartel, que quebraria , entre outros,o Brasil , na época grande importador de petróleo. Bastava o general Geisel abrir o mercado para mais players para que o consumidor final, ou seja a sociedade não fosse, como foi, massacrada. O apego do velho general a estatal que havia presidido anteriormente, e seus fetiches nacionalistas ( Geisel paradoxalmente , odiava os USA, apesar de rezar pela cartilha americana no quesito guerra fria ) recusou-se a fazê-lo.
- As mega empreiteiras que mantêm essa simbiose espúria com o estado nasceram com JK mas cresceram enormemente na ditadura. Reconheçamos que as obras de infra estrutura forma importantes , mas tudo leva a crer que custaram muito mais do que deveriam ter custado, já que transparecia das contas públicas era nenhuma e a imprensas muito mais censurada do que o próprio PT jamais ousou, ao menos por enquanto. Se os militares não embolsaram, alguém embolsou.
- não aguento esse argumento que os terroristas comunistas tinham de ser torturados e mortos. Bandidos, ladrões, terroristas tem de ser presos, julgados e tratados com dignidade mínima pelo estado. Uma vez desarmados, na podem ser mortos, a n ser em países que admitem a Pena dez Morte, que nunca foi o caso por aqui, ao menos na história recente.
Esse e o ônus de ser Governo, e se os milicos tomaram o poder, tinham de respeitar essa regra básica. Se o Bacuri, por que assaltou bancos e matou dois seguranças num contexto completamente diferente do de hoje ( guerra do Vietnã, o comunismo com algum prestígio mesmo que imerecido etc,,) tinha de passar seis meses sendo torturado, mesmo quando não tinha mais o que dizer, ter os olhos arrancados e morto a pauladas, e o Mario Alves morrer com um cacetete enfiado no anus, mesmo sem nunca ter dado um tiro, só por que era comunista, o que deveríamos fazer então com um Alexandre Nardoni que matou a própria filha? A Itália e a Alemanha enfrentaram grupos da esquerda armada bem mais eficientes que os nossos, dentro das regras do estado de direito,
E a educação que foi dizimada, a concentração de renda multiplicou -se por mil, e por aí afora.
Não entendo por exemplo,por que as pessoas que clamam por golpe militar ( essa mania latina de chamar o irmão mais velho) não usam sua energia para organizar mobilizações pela privatização da Petrobras, isso sim uma revolução no bom sentido.
Hélio Freire
Thursday, November 20, 2014
EleTric HE R O E S
Geoffrey Arnold "Jeff" Beck e Eric Patrick Clapton são os guitarristas seminais do século 20. Esperneie se quiser. Existem outros, maravilhosos, mas nenhum deles levou a guitarra elétrica ao ápice como esses dois ingleses, nascidos com oito meses de diferença e a cerca de dez milhas de distância um do outro na Inglaterra do pós-guerra, que deu ao mundo alguns dos maiores nomes da música pop contemporânea. Gente que se apropriou da musica americana e a devolveu melhor que a encomenda.Jeff e Eric tiveram/têm carreiras brilhantes. Clapton, mais bem sucedido em termos financeiros e de reconhecimento pelo público, tornou-se uma das pessoas mais famosas do mundo. Jeff parece não se importar com isso: tem uma plateia mais seletiva, quase inteiramente formada por músicos e entendidos em música. De rivais viraram grandes amigos, até porque, como disse Eric num dos trechos do DVD da terceira edição do Festival Crossroads, que ele (quem mais teria cacife para tanto?) realiza a cada dois anos, ao comentar a performance do colega, um dos poucos guitarristas que participa de todas as edições: “se você tem uma moeda ai, cada um de nós é uma face”.Há poucos anos assisti no Canadá um concerto de ambos, em companhia do Prof. Corrêa e do Alexandre, no qual Jeff abria o show com seu set e era seguido por Eric. Ao final, Clapton chamava Beck de volta ao palco para uma série de números conjuntos, acompanhados por sua banda (e que banda: Gadd, Weeks e Stanton!). Desde então, um rascunho desse texto tem rondado minha mente. Enfim, pego a deixa de Eric e vou além da imagem da moeda.- Jeff é o sol da meia noite. Eric o sol do meio dia.
--Jeff é o fogo imprevisível. Eric é a agua fluida.
--Jeff é Beethoven e Tchaikovsky. Eric é Bach e Mozart.
--Eric é feeling, bends, fraseado, lirismo e precisão. Jeff é ataque, inovação e faz da imprecisão sua arte. Jeff usa o whammy bar e o volume como ninguém. Eric usa os dedos como só ele.--Jeff é Senna. Eric é Schumacher.
--Jeff é inventivo. Eric é inventor.
--Eric dilui os grandes mestres dos blues. Jeff dilui a si mesmo.
--O dom de Eric vem do topo do Olimpo. O dom de Jeff vem das profundezas do Hades.
--Jeff considera que Eric é o maior. Eric pensa que Jeff é o melhor. Jeff é o guitarrista dos guitarristas. Eric é o guitarrista dos guitarristas e dos não guitarristas.--Jeff olha para trás e vê Charles Christian, Les Paul e Cliff Gallup; para o lado vê Jimmy Page e para frente vê Adrian Bellew e Tom Morello. Eric olha para traz e vê Robert Johnson e os três reis magos Freddy, Albert e BB; para o lado vê Buddy Guy e para frente (por vezes, literalmente) vê Joe Bonamassa e Derek Trucks.-Eric é os Beatles. Jeff é os Rolling Stones (muito embora, o contrario também funcione). Jeff esnobou os Stones. Eric foi esnobado por eles (embora KR diga que não queria que a banda se transformasse em EC e os RS). Hendrix amava os dois, mas considerava Terry Kath, do Chicago, o melhor: “(reporter) how do you feel being the best guitarist in the world? (Hendrix) you have to ask Terry Kath that”.--O disco de Rogers Waters com Eric é um clássico. O disco de Roger Waters com Jeff, nem tanto.
--Jeff e irascível, idiossincrático e não faz muitas concessões. Eric (segundo Jeff) é esperto: aprendeu a cantar.
--Ambos tiveram dream team line ups, alguns dos maiores músicos do mundo, em suas bandas: Bruce, Baker, Winwood, Preston Hammer, Bozio, Stanton, Colaiuta, Weeks, Winfeld, Radle, Gordon, Page, Ronda Smith, Narada, Appice, Duck Dunn, Trucks, Bramlet, Miller, Clark, Borget, Stewart, Grech, Mason, Allman, Hymas, Hopkins, Lee, Wood, Knopfler, Gadd, Jordan, Keltner, Samborn, Sample, Hawkins, ufa...--Jeff não tem alma gêmea. Eric tem Steve Winwood.
--Jeff se veste como um guitar hero.Eric se veste como um homem da sua idade.
--Ninguém toca como Jeff. Todos tocam como Eric. E isso é um baita elogio.
SOB O SIGNO DE MARTE (KIEFER E A BIELORÚSSIA)
Vim à Bielorússia a trabalho. Não conheço ninguém queviesse a passeio — exceto, talvez, meu primo Marcelo Madureira, que passou sua segunda lua de mel no “eixo do mal” Irã, Afeganistão, Coreia do Norte.
A capital, Minsk, para minha surpresa, é uma cidade agradável, ainda com alguns traços soviéticos, como as avenidas largas e prédios baixos, mas mil anos-luz melhor que a minha expectativa.
Na verdade, a cidade é quase um monumento à resistência contra o exército alemão durante a “Guerra Patriótica”,apelido regional da Segunda Guerra Mundial. Façanha que deu ao comunismo, desgastado pelos expurgos stalinistas,um novo fôlego e uma oportunidade e tanto para conquistar o poder em boa parte do leste europeu, até cair de podre no final dos anos 80.
Apesar de todos aqueles façanhudos filmes americanos, aII Guerra virou mesmo foi aqui e em Stalingrado, com grande
participação dos camponeses “partizans”, gente acostumada à dura vida das estepes, que, apesar e odiar o sistema, tinha o pavor de invasores estrangeiros na carga genética.
A Bielo-Rússia de hoje é, tecnicamente, a última ditadura de Europa (parece que a Rússia escapou do título, já que Putin tirou férias como primeiro-ministro na gestão de seu sidekick Medelev), mas as pessoas parecem felizes com o raposão Lucachenco, cruza de Berlusconi, Lula e Maduro, capaz de gafes antológicas, brutal e nem um pouco disposto a aturar essa bobagem inconveniente chamada“oposição”.
Há que se entender que o povo daqui, após séculos de czares de todas as cores, tem um apreço menor àdemocracia e adora um líder forte e, de preferência, rude.Apesar de todo nacionalismo que foi o motor da vitória contra os Nazis, o país é e será, para sempre, um apêndiceda Rússia. Apesar de Luca se gabar de ter impedido que as riquezas locais, ao contrário da matriz, tivessem sido apropriadas por oligarcas — o que no fim das contas significa...
O recém inaugurado Museu da Guerra, completíssimo e muito bem montado, vale a viagem. Tem a vantagem de contar com muitos armamentos alemães originais e intactos, como tanques e aviões, deixados para tras simplesmente por falta de combustível.
Da mesma forma, o Exército Vermelho, que aqui mantinha um arsenal imenso (estamos justamente no estratégico meio do caminho entre Moscou e a EuropaOcidental), com o fim da URSS abandonou dezenas dejatos Mig, helicópteros Mamute e até mísseis (desarmados, espero) num “cemitério” nos arredores da cidade, que visitamos com nossos anfitriões, com direto a passeio de tanque e tiros de AK47.
Depois dessa overdose de armas e guerras, uma coincidência bacana (as famosas sincronicidades do velho“Jovem”) foi dar de cara com a exposição do artista alemão Anselm Kiefer, cuja obra é permeada por motivos bélicos, na Royal Academy em Londres.
Kiefer nasceu em 1945, na Alemanha devastada, e incorporou em sua obra o horror nazista, elementos mitológicos germânicos e mitos judaicos. Um “partizan” a serviço da arte de primeira classe, num mundo cada vez mais pautado pelo entretenimento.
Enviado via iPhone
Monday, August 04, 2014
Vai ser mao assim na china
Fotografei esses bibelôs da Revolução Cultural Chinesa numa vitrine de Roma, que por pouco não comprei. Não saberia onde expor.
A primeira relíquia parece representar um estudante, dois soldados e um trabalhador conduzindo um pobre coitado com chapéu de burro, provavelmente escrito “ inimigo do povo", jargão tomado emprestado (e nunca devolvido, que eu saiba) do genial HenrikIbsen.
A vítima era alguém que fora pego lendo um livro ocidental, um professor que vacilou numa aula de história e não teceu loas suficientes ao partido ou ainda um sujeito que simplesmente usava óculos ( o que no Camboja do maoista Khmer Vermelho era a morte.. ) e parecia portanto um "intelectual burguês".;
Note que o "trabalhador" miliciano carrega o fuzil e a soldada leva uma corneta, anunciando o contraventor para a massa, já que a ideia era constranger ao máximo o sujeito antes de manda-lo para um campo de "re-educação" . Ou simplesmente meter-lhe uma bala na cabeça.
; Muita gente das cidades grandes foi mandada para o campo, viver com e como os paupérrimos agricultores, heróis da revolução, numa tentativa de purificação da espécie ou volta às origens. Já imaginou uma menina do Sion indo catar arroz num banhado lá doscafundós?
A vítima era alguém que fora pego lendo um livro ocidental, um professor que vacilou numa aula de história e não teceu loas suficientes ao partido ou ainda um sujeito que simplesmente usava óculos ( o que no Camboja do maoista Khmer Vermelho era a morte.. ) e parecia portanto um "intelectual burguês".;
Note que o "trabalhador" miliciano carrega o fuzil e a soldada leva uma corneta, anunciando o contraventor para a massa, já que a ideia era constranger ao máximo o sujeito antes de manda-lo para um campo de "re-educação" . Ou simplesmente meter-lhe uma bala na cabeça.
; Muita gente das cidades grandes foi mandada para o campo, viver com e como os paupérrimos agricultores, heróis da revolução, numa tentativa de purificação da espécie ou volta às origens. Já imaginou uma menina do Sion indo catar arroz num banhado lá doscafundós?
Na próxima, o velho calhorda posando de santo. No fundo o comunismo sempre foi uma religião, com mártires, profetas, paraíso e todos os ingredientes básicos. Não a toa sempre houve gente querendo se imolar por ele.
Jânio (Janus) Quadros, aquele exemplo de coerência (eleito pela direita Lacerdista) curtia um modelito desses aí usado por Mao, pois dizia que terno e gravata era coisa de colonizados. Talvez até fosse, mas na China da época era só o que se vestia, já que Individualidade era um dos sete pecados capitais do regime.
O fato de seu sucessor, Jango ter dado tanta moleza pra a UNE, recebendo o Serra no palácio como se fosse um ministro e apoiado greves como a dos marinheiros, bradado jargões como reforma agraria etc..., dá vazão a gente que acha que ele era um sacerdote do Comunismo Universal do Reino de Mao. O fato de ele ter ido a China pouco antes de ser empossado também não ajuda. Não acredito. Em minha modesta opinião, acho que ele tinha mesmo era sonhos de Peron.
Nessa outra imagem, o camarada Mao desfila de jipe numa das inevitáveis e intermináveis paradas militares, próprias desses regimes. Alguém empunha o famoso livrinho vermelho, na verdade um amontoado de bobagens que tive curiosidade de folhear uma vez e que era matéria obrigatória nas escolas e fábricas. E aí de quem não soubesse recitar o seu conteúdo de orelhada .
Mal (com trocadilho) comparando, embora nossa ditadura tenha sido menos pavorosa em alguns aspectos (em outros foi tão horrenda quanto), como lembrou bem minha amiga Tânia, matérias de cunho humanista como sociologia e filosofia foram banidas do currículo escolar brasileiro, substituídas por Moral e Cívica e outras descaradamente propagandistas . Ate hoje sou capaz de cantar o hino do soldado e da bandeira, mas faço conta mal. E com seis ou sete anos, assim como a Tânia, amava o vovô Médici.
Além do mais, para aqueles que inevitavelmente citam odesenvolvimento do período militar (que realmente houve) como desculpa para tudo, lembro que o regime chinês lançou as sementes de uma das maiores viradas econômicas da história da humanidade. Nem por isso gostaria de ter visto meu pai com um cone na cabeça, sendo empurrado por meninos da minha idade e taxado de verme e cidadão de ultima classe, só por que errou o dia do aniversário de um pulha qualquer.
Da mesma forma que me solidarizo com o grande Marcelo Rubens Paiva, que deve ter enjoos com a recente moda de "volta ditadura" que vemos por aí. O pecado do pai dele, Rubens Paiva, foi dar guarida a alguns porra-loucas da esquerda armada. Terminou assassinado a porradas por um sargentão qualquer.
A verdade e que a Revolução Cultural chinesa não passou de uma artimanha do raposão das fotos, que vinha perdendo poder para as nem tão novas assim gerações do PCC (o sigla maldita) e foi aforra, usando a massa de manobra mais a mão, estudantes e militares de baixa patente do Exército Vermelho. Não foi difícil para o Grande Timoneiro convence-los que tinham de salvar o mundo vermelho dos hereges, entre os quais Deng Xiaoping, o reformador, que andou por baixo do rabo do dragão nessa época. Ate a mulher do líder, de quem ele devia estar cansado, dançou sob a acusação de pertencer a famosa "Gang dos Quatro".

Por fim os puxa-sacos habituais. Alguns devem ter ido para o fundo do Rio Amarelo, como em qualquer revolução.
No nosso caso, embora haja duvidas com reação a algumas mortes, a revolução foi mais branda ao devorar seus pais legítimos e ilegítimos, transformando Lacerda, Magalhães, Juscelino e outros mais em meros expectadores, se tanto.
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