Para Paula e AV
Não me emocionou a discussão sobre o desarmamento. Ao contrario, me pareceu completamente fora de hora e, correndo risco de aderir as teorias conspiratórias, diversionista ao extremo.
Mas como só samambaia não muda de opinião, lendo ontem um articulista da Folha passei a concordar que o plebiscito e a vitória do NÃO, acachapante em alguns estados como no nosso Texas, o RS, foi útil pra mostrar que a população não quer ser tutelada por um governo ao mesmo tempo paternalista e inútil.
O que resolve ou ao menos ameniza a questão da violência urbana não é só os empoeirados argumentos do emprego, educação, lazer, melhores condições para os agentes da lei etc.. mas a urbanização radical das periferias, cara sim, mas barata em comparação aos efeitos do crime a médio e longo prazo.
Acabar de vez com os santuários do crime criando acesso e condições decentes de vida nas favelas e, quando isso não é mais possível como nos morros do Rio, reloca-las completamente. E isso não é tão difícil quanto o que vem depois, que é cuidar para que não virem guetos de novo.
Ver Cidade de Deus para maiores esclarecimentos.
Alguém citado pelo Xará Gaspari dias atrás diz mais ou menos o seguinte:
- As favelas do Rio não são problemas mas soluções urbanas para aqueles que trabalham para nós, como office boys, ascensoristas, domésticas, garçons, motoristas e demais "lumpens" como quer o Décio, que premidos pelo problema real, falta de transporte adequado (trens, metros, dirigíveis , barcos ou o que seja ) e de sacadas urbanas satisfatórias, morem próximo do trabalho. È isso ou pagar salários que os permitam pernoitar no Copa.
Paris fez algo assim na época do Hausseman. O que é Etoile, o feixe de largas avenidas que irradiam como uma estrela a partir do Arco do Triunfo e cortam a cidade em todas as direções se não forma encontrada para o poder do Rei via coletores de imposto, saúde publica, policia etc.. em suma, o Estado, chegar aos guetos antes que um aventureiro lance mão.
O que me enche de esperança com relação a cidades que amamos como Rio/SP e outras que vão no mesmo caminho é que Paris e Londres foram num passado nem tão distante assim, piores do que as nossas são hoje, é só ler Dickens ou Vitor Hugo. No caso de NYC então, até muito mais recentemente.
Quando visitamos, Angelo, Lucca, Paula e eu, o Palacio Panfilli , sede da embaixada do Brasil em Roma, alguém perguntou ao diplomata que nos acompanhava o por que daquelas escadarias com degraus baixos e largos. Simplesmente por que os nobres chegavam a cavalo até a porta no segundo andar já que ninguém parava pra abrir o portão que dá pra Piazza Navuona, agradável local para se tomar um gelato hoje, mas na época covil de assassinos e pestiados, como aliais toda a cidade.
Embora o resultado do referendo possa ter sido sociologicamente útil, o processo todo foi de matar elefante. Artistas com carinha de querubim defendendo o SIM sabe-se lá a soldo de quem , argumentos estapafúrdios pros dois lados, apelação .
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Um email apócrifo me chamou atenção. Dava conta que Hitler e Stalin desarmaram as respectivas populações antes dos respectivos massacres. Nunca li nada a respeito e me parece argumento daquele pessoal do lobby americano das armas - o NRA - presidido por Moisés em pessoa,parentes próximos dos macacos albinos que voaram com uma igreja de negros nos 1960's só por que esses começaram a frequentar a piscina publica em Birminghan, Alabama (alguém lembra de Alabama do Neil Young, que deixou os red necks do Lynard Skynard fulos e que responderam com ¨Sweet Home Alabama" ???), numa expressão mais exaltada dão em Thimothy Mac Veight, o bom rapaz que ao enxergar um complô governamental no prato matinal de corn flakes, dinamitou uma repartição publica matando centenas. Só perdeu o posto de maior terrorista da historia americana em 11 de Setembro de 2002. Pois é, esse sujeito foi incompreensivelmente defendido pelo meu herói das letras Gore Vidal. Li os argumentos, mas não me convenceram. Fiquei passado.
Pelo que sei os bolchevistas ganharam uma guerra civil contra os brancos, e os nazis uma eleição e (repare) um plebiscito que após a morte de Hindemburg, deu a ao primeiro ministro do bigode depilado, o status de Fuher uber alles. Se realmente desarmaram, talvez tenham poupado massacres ainda maiores, pois o que pode meia dúzia de armas de mão contra o monopólio da força que o exercito e policia, principalmente em estados militarizados, detém ??
O crime organizado faz frente, mas esse não compra arma em loja.
Contra massacres do século 20, a arma é mesmo a democracia e a paciência de saber esperar a sua consolidação, o que leva anos e as vezes séculos.
Me ocorre o exemplo da sempre exaltada Argentina, onde nos violentos e virulentos 1970´s os Montoneros, peronistas contra Peron (só la mesmo.) e a extrema esquerda do ERP estavam armados até os dentes afiados. Os Montos com mais de 100milhões de dollares de sequestros e extorçoes, importavam até armeiros europeus. Só perdiam em ferros e plata para a OLP. O ERP entrava nos quartéis para roubar armas, humilhando o exercito. Deu no que deu.
De que vale um M 16 em casa quando o exercito invade no meio da noite em bando, com auxilio de todo o aparato que possui, e te leva prum porão, arranca tua pele atrás da próxima vitima ??
No BR de 64 a esquerda não tinha armas e morreu muito menos gente do que em Santiago aquele dia, um 11 de Setembro também.
Mas para entender que alguém sempre vai ganhar esse dinheiro da venda de armas, sejam as grandes corporações (que ao menos pagam imposto) ou os arm dealers, recomendo esse filme com o Nicholas Cage, não pelo filme em si , dado a exageros e caricaturas.
De qualquer forma votei NÃO, mas se eu pudesse teria votado com ressalva. Numa sociedade que proíbe a maconha que afinal só faz mal, se é que faz, a quem usa ( e que por ser ilegal arma os traficantes) e pede receita médica pra vender Prozac na farmácia, as armas não devem ser vendidas como sapatos. Alguma prescrição maior do se faz agora me parece o caso.
Penso que deveriam ser criados clubes de tiro credenciados com supervisão técnica de militares ou policiais aposentados, nos quais se ensinasse a atirar ( e principalmente não atirar), cuidados com as crianças, exames psicotécnicos etc..
Os clubes seriam co-responsáveis e caso um dos socios chacinasse alguem, responderiam junto, ou seriam descrenciados, algo assim.
.O que achas Ângelo ??
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