Dedicado ao amigo Vila
Comigo é assim, demoro pra digerir. Quando fui ao Japão cinco anos atrás, não fui capaz de formar uma opinião até mais ou menos uns seis meses depois da volta. A mistura de sentimentos e experiências sensoriais da megalópole silenciosa, arranha céus de vidro e templos de bambu dividindo a mesma quadra, a luta mental do godzila cibernético- neom de Tokio com o samurai de chinelos de madeira de Kioto (notem o anagrama), o trem bala no túnel do tempo, tudo isso foi demais pra minha cabeça e só começou a ganhar forma com a devida distancia espaço-temporal.
Assim só agora consigo falar do CREAM que vi em Maio desse ano em seu retornou aos palcos londrinos (e mundiais), no mais londrino dos palcos, o Royall Albert Hall, 37 anos depois do Goodbye Concert que aconteceu no mesmo local.
A ultima e a mais relutante das grandes bandas a se reunir, e talvez a única a voltar exatamente na formação original, ja que não faria sentido se fosse diferente pois foi certamente a mais individual da historia.
Comigo é assim, demoro pra digerir. Quando fui ao Japão cinco anos atrás, não fui capaz de formar uma opinião até mais ou menos uns seis meses depois da volta. A mistura de sentimentos e experiências sensoriais da megalópole silenciosa, arranha céus de vidro e templos de bambu dividindo a mesma quadra, a luta mental do godzila cibernético- neom de Tokio com o samurai de chinelos de madeira de Kioto (notem o anagrama), o trem bala no túnel do tempo, tudo isso foi demais pra minha cabeça e só começou a ganhar forma com a devida distancia espaço-temporal.
Assim só agora consigo falar do CREAM que vi em Maio desse ano em seu retornou aos palcos londrinos (e mundiais), no mais londrino dos palcos, o Royall Albert Hall, 37 anos depois do Goodbye Concert que aconteceu no mesmo local.
A ultima e a mais relutante das grandes bandas a se reunir, e talvez a única a voltar exatamente na formação original, ja que não faria sentido se fosse diferente pois foi certamente a mais individual da historia.
Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton, a nata da cena inglesa do fim dos 60, cada um uma escola e uma instituição nos respectivos instrumentos, estavam lá com suas rugas e rusgas, passando por cima de desentendimentos, tragédias pessoais e carreiras desiguais, visivelmente contentes e orgulhosos de serem capazes de vencer esse supremo desafio com dignidade e elegância.
Esqueça John Bohan ou Neil Peart, ombro a ombro com Peter Edward Baker só os velhos mestres do jazz. É só ver no recen- lançado DVD (cuja visão também me ajudou a organizar as idéias) o que ele faz em Toad, Desert Cities of the Heart, We are Going Wrong e Sweet Wine, essa uma belíssima melodia escrita pelo próprio que mostra quão melódico pode ser um baterista.
Jack é um cantor de arrasar e enquanto baixista de rock esta no podium em alguma posição junto com Paul e Entwisltle. Apesar do recém transplante de fígado que obriga a usar por vezes um banquinho bossa nova no palco, ainda é a alma do set(e isso dividindo -o com uma estrala de primeira garndeza do showbizz).
. Eric Clapton é Eric Clapton.
Esqueça John Bohan ou Neil Peart, ombro a ombro com Peter Edward Baker só os velhos mestres do jazz. É só ver no recen- lançado DVD (cuja visão também me ajudou a organizar as idéias) o que ele faz em Toad, Desert Cities of the Heart, We are Going Wrong e Sweet Wine, essa uma belíssima melodia escrita pelo próprio que mostra quão melódico pode ser um baterista.
Jack é um cantor de arrasar e enquanto baixista de rock esta no podium em alguma posição junto com Paul e Entwisltle. Apesar do recém transplante de fígado que obriga a usar por vezes um banquinho bossa nova no palco, ainda é a alma do set(e isso dividindo -o com uma estrala de primeira garndeza do showbizz).
. Eric Clapton é Eric Clapton.
Se tiver um dia de elencar os momentos de maior de emoçao da minha vida, estara la em algum lugar, o momento em que Jack diz, depois de Eric entregar uma pefomace quase sobrenatural em Stormy Monday:
Ladies and gentleman, it is a privilege to ber playing with him...EC
As criticas que em 68 ajudaram a acabar com a banda - Lester Bangs da Rolling Stone fez Clapton desmaiar e acordar convertido em fã incondicional do som americano ao detonar a do Cream performance do Filmore East - agora só teceu loas.
Mas who cares , se alguém quer saber o que acho de críticos de Rock , leia no novo gibiografico do Crumb que saiu recentemente, a historinha da invasão chinesa á América.
Alguns fãs em seus blogs reclamaram do fato de Eric não ter usado uma Gibson como nos velhos tempos. Eu entendi. Ele quis dar um enterro de Vicking a sua guitarra favorita, blackie, a Fender Straotocaster preta, presente de Stevie Winwood, que ele ja declarou estar a beira de se tornar umplayable (não achei palavra em português). Segundo o amigo Harrison, uma guitarra é um pedaço de pau sem vida num canto. A mão, a escolha das notas e (no caso de EC) o vibratto, fazem o guitarrista. Ouça We Are Going Wrong de olhos fechados e veja a Les Paul miando gostosa.
Bruce e Baker, que amam se odiar estavam em paz (armada, pois em NY ja se estranhavam sobre a altura do som), rindo um pro outro o tempo todo.
Clapton sábio, em Janeiro desse ano ao anunciar o concerto para Maio observou - Se a banda durar até la...
Celebridades á granel no RAH. No DVD vemos o Brian May em transe e Jude Law e Sean Penn de olhos fechados como em prece. Li que Jimmy Page deu uma festa num camarim e parecia muito feliz, e que Alice Cooper fretou um avião nos USA pra trazer uns amigos.
Milionários ponto com compraram fileiras e grandes companhias camarins para clientes.
Só vi de perto, na saída, o David Gilmore que entrou numa daquelas vans imensas com vidro preto sem dar bola pro único estúpido que o chamou pelo nome, eu.
Nas galés gente do mundo inteiro. Do meu lado na segunda noite que assisti, dessa vez bem de longe ( o ingresso naquela altura era quase o pib da Somália) uns Australianos de bota e tudo, talvez mais perto de casa do que do palco.
Que posso dizer da performance? O DVD esta ai ao alcance de todos na FINAC, mas se uma banda realmente merece chamar-se Titãs, não são aqueles meninos do Sumaré.
Só uma reclamação, assim como passei uma semana no Japão e não vi o Monte Fuji, encoberto por nuvens, os Cream não tocaram em Londres ( mas sim em NYC) minha favorita, Tales of Brave Ulisses.
Que a águia bique o fígado novo do Jack por isso.


