Monday, November 27, 2006

cartun cartuns


Curitiba, 20 de novembro de 2006

dedicado ao amigo foca


cartun cartuns

Milton Friedman, figura maior do pensamento econômico liberal desde Smith, morreu semana passada.

Suas idéias quando postas em pratica foram um sucesso, principalmente se você acredita que os fins justificam os meios, como no caso do Chile.

Pensei em escrever como será seu paraíso perdido, onde tudo é privado, mas desisti. Respeito à morte, ao menos enquanto recente.


Tanto que dias atrás mandei um e-mail mal criado a Globo, protestando pela piada horrenda que a Ana Maria Braga fez em seu lamentável programa. Tinha há ver com dar um Legacy para cada jogador do Cohrintias para que acertassem o Gol (argh).

Cuida-te primo, ou vai acabar dando receitas na tela.

Já um cartum não ofende, a não ser é claro que você seja muçulmano, portanto se soubesse desenhar, poria o velho Milton ao lado de Marx numa nuvenzinha daquelas e, olhando para China, um dos dois diria:- Onde foi que acertamos ?

Alias, que falta faz o Henfil. Conversava com o amigo OD II sobre o que, a propósito de Hanna Harendt, chamei de banalização da tragédia.

A filosofa judia cunhou o termo Banalização do Mal a partir das impressões colhidas durante o julgamento de Adolf Eichmann que ela cobriu em Jerusalém para a New Yorker.

Nada de mais no responsável pela logística dos campos de concentração Nazis, nenhum monstro verde babando sangue, nem sinistros bigodinhos ou poses ridículas, somente um cinzento e eficiente burocrata, desses presentes nas repartições de qualquer tempo ou lugar.

Seus despachos, que organizaram corretamente trens e fornos levando a morte milhões, num outro regime teriam resultado em, por exemplo, um belo programa de aleitamento infantil.

Já eu tratava da nossa indiferença crônica enquanto sociedade, às crianças que jogam bolinhas nos sinais das cidades em troca de trocados, e que já são figurinhas fáceis do cotidiano urbano, como os shoppings e os outdoors da Gisele.

Parado num sinal, vi recentemente dois dos inevitáveis malabaristas instantâneos inovando. Usavam monociclos.

Pensei logo no pai do Baixim e da Graúna desenhando uma situação na qual um circo seria montado no intervalo do sinal, com trapezistas se pendurando no semáforo, corda bamba no fio de luz, domador de vira-latas e o apresentador de cartola e calça culote em cima de uma lata de lixo a gritar o inevitável respeitável publico.

Gosto do Henfil, por que abstraio seu esquerdismo primário, e o Br tem alias toda essa geração ótima de cartunistas, como o Laerte e o Angeli, cujo nome, Millor sacou, é anagrama de genial.

Mas meu favorito é mesmo o Gary Larsen, das tirinhas Far Side.


Tem o Crumb também, mas no fundo acho que o que ele faz é literatura em quadrinhos e não cartun.

Pouco conhecido no Brasil, Larsen é de uma inocência e pureza que só os americanos sabem tornar engraçado e esbanja duas grandes qualidades humanas que prezo tanto ou mais que qualquer outra - imaginação e curiosidade.

Suas vitimas são seres humanos, vacas, extraterrestres, tamanduás, elefantes, insetos, monstros, tubarões, alces, senhoras que jogam bridge e toda espécie de criaturas estúpidas.

Numa tira um caipira condena a raça humana à extinção por sacudir efusivamente pela cabeça um ET em forma de braço.

Em outra, Tarzan dá uma festa em sua casa e tudo ia muito bem até que Tantor, o elefante, vê um piano com teclado de marfim.

Poesia pura.

Certa vez saiu com uma que mostra uma macaca que, achando um cabelo loiro nas costas do marido, diz – Aquela vaca da Jane Goodal... (that Jane Goodal tramp), se referindo à maior especialista e defensora dos gorilas das montanhas de Uganda, essas bestas sagradas, eternamente ameaçados de extinção pelos caçadores que vendem suas mãos como cinzeiros (quem compra tais atrocidades???).

Consta que a assessora da cientista ligou para o recluso e ultra tímido Larsen, que relutou em atender, antevendo um longo e custoso processo judicial, tão comum nos USA. Na verdade, tudo o que ela queria era licenciar o cartum e imprimi-lo em camisetas da Fundação Jane Goodal, o que acabou sendo feito com enorme sucesso.


Gary é visivelmente um ex-menino cientista maluco, daqueles que todos conhecemos um ou mais exemplares na infância. Desses que dissecavam sapos e faziam experiências misturando os perfumes e os temperos da mãe, passavam horas com a lanterna no quintal observando insetos e sempre tiravam 10 na prova de ciências.

Os famosos nerds americanos, que invariavelmente dão em bem sucedidos médicos, cartunistas, ou donos da Microsoft.

O meu foi o Enzo, amigo do colégio Medianeira, hoje cirurgião, e que a época desenhava monstrinhos durante as aulas de religião. Sua criação imortal, o UrubuSauroHumaNeuza, que ainda hoje diverte meus filhos, tinha cabeça de urubu, corpo de dinossauro, pés de ser humano e o cabelo enrolado da Neuza, sua empregada, que, por exclusão, não era humana.

Se isso não ilustra bem o preconceito e a até certo ponto saudável maldade infantil, não sei o que o faz.

Carlos Fluentes, o outro grande mexicano que me esqueci de mencionar em meu texto-novela-mexicana, conta no seu recente de A a Z que ora leio que, perguntado por Milan Kundera se já havia lido Kafka, respondeu que claro que sim . Mas em alemão? – o checo escrevia em alemão, sua segunda e às vezes primeira língua

- Se não, nunca leu.

Pois bem, desde que comecei me interessar por poesia e literatura, passei a desconfiar de traduções. Com as raras exceções de gente como o Augusto de Campos que chega às vezes a superar o traduzido, o bom mesmo é ler no original.

Devíamos todos, de pequenos, sermos mais forçados a aprender línguas. Vale para os clássicos e para os cartuns.

Se não, vejamos:


Numa tirinha do doce bárbaro Hagar, o Horrível do Dik Brownie, alguém pergunta ao Lucky Ed, o intelectualmente prejudicado escudeiro do Viking, como reconhecer seu chefe.

Fácil diz Ed, é o cara de barba com chifres. No próximo quadrinho vemos o sujeito em duvida diante de um inusitado trio: Hagar, um bode e um barbudo musico de jazz tocando uma corneta, alem de mais alguns instrumentos largados pelo chão.

Como traduzir "horn", ao mesmo tempo chifre e instrumento de sopro, de forma a preservar a graça da piada?


E, se tradução é traição, refilmagem não fica atrás. Fui ver o remake do Homem de Palha com Nicholas Cage, traduzido pra cá como O Sacrifício.

No fim não é um mal titulo, já que sofremos duas horas procurando em vão tudo àquilo que era legal no original.

Onde estará o erotismo não vulgar presente em toda trama?

E a Brit Ekland, substituída por uma-la–qualquer ?

E, principalmente cadê a estupenda trilha sonora?


Essa versão prescinde justamente do conflito (que remete ao imperador Juliano) entre o policial irlandês, ultra cristão e o Conde vivido pelo vampirão Christopher Lee, que cultua e cultiva os deuses celtas e os rituais carnavalescos pagãos da idade media, reduzindo o primeiro a um policial tipo CHIPS e o segundo numa senhora de meia idade que parece mais uma freira a paisana.

Ou seja, a mesma inocência americana que faz a graça de Larsen, transmorfa historia do Homem de Palha em mais um banal psycho-thriller, desses que dão em pilhas nas locadoras.

Alias a minha favorita aqui em CWB chama-se justamente, Cartoon.



Wednesday, November 01, 2006

tower of song

a pedido do beutifull loser AV traduzi como pude o classico coheniano


Tower of Song

Bem, meus amigos se foram e meu cabelo embranqueceu,

Sinto dores nos lugares em que sentia prazer,

Estou louco de amor, mas não estou entrando em êxtase.

Eu simplesmente pago meu aluguel todos os dias, na Torre das Canções.

................................

Eu perguntei a Hank Willians, quão solitário se pode ficar.

Hank Willians ainda não respondeu,

Mas eu o ouço tossir, a noite inteira.

Cem andares acima ,

Na Torre das canções.



Eu nasci assim, não tive escolha, eu nasci com o dom dessa voz dourada,

E vinte sete anjos, do Grande Alem.

Eles me amarraram aqui nessa mesa,

Na Torre das Canções

..................

Portanto você pode enfiar seus alfinetes naquela boneca Vodu.

Sinto muito babe, não se parece nada comigo.

Eu me encosto na janela, onde a luz é mais forte.

Eles nunca deixam que uma mulher te mate,

Não na Torre das Canções

.......................

Você pode dizer que eu me tornei mais amargo, mas disso você pode ter certeza:

- Os ricos têm túneis que levam direto pro quarto dos pobres,

E um Grande Julgamento se aproxima,

Mas eu posso estar errado.

Você ouve essas vozes estranhas

Na Torre das Canções.


Eu te vejo lá no outra margem,

Eu não sei como o rio se tornou tão largo

E eu te amei babe, desde sempre

E todas as pontes que queimamos, e que podíamos ter atravessado.

E eu me sinto tão próximo de tudo que perdemos,

E nunca mais teremos de perder novamente.

..............

Então Adeus meu amor, eu não sei mais quando volto

Amanha eles nos mandarão praquela Torre no final da rua.

Mas você vai ouvir falar de mim,

Bem depois da minha partida

Eu vou te dizer coisas belas da janela,

Na Torre das Canções.

bear food

I’ve seen the future, brother it is murder
(Leonard Cohen – the future)

Dedicada a Nalva, my beloved shrink

Se

eu fosse reitor de um desses cursos de psicologia que hoje pululam em cada esquina, faria do documentário O Homem Urso de Werner Herzog, matéria obrigatória.

Nada que tenha lido ou visto ultimamente ilustra a estranheza e a capacidade de se auto- iludir das pessoas, nem retrata de forma tão crua as neuroses de alguém quanto a historia de Thimoty Tradewell, esse americano com cabelinho de Príncipe Valente, que por doze verões se muda para a península do Alasca, região infestada de ursos pardos, sob o pretexto de cuidar deles e eventualmente até tornar-se um.

Ao final do décimo segundo, cumpre sua vocação e estranha obsessão e finalmente vira - comida de urso.

A primeira vista Tim é mais um underdog, um loser fruto da repressão sexual e do contrato com o sucesso que cada americano já nasce assinando, desses que aquela sociedade produz, rejeita e depois contrata como ícone.,


Mas é muito mais que isso.Na sua infantilidade e senso pueril, acredita que os ursos são seus irmãos cósmicos no jardim de infância do éden, e que esta lá no papel de uma espécie de guerreiro do arco írisda lenda indígena. Um Messias que veio para levar o povo urso à terra prometida.

Não ursos quaisquer, mas ursos pardos – grizzling bears - essas estranhas criaturas, um teddy bear, fofinho e gracioso quando calmas e sobre as quatro patas, mas que se transformam sem aviso prévio na mais perigosa maquina de matar a serviço do General Natureza, assim que se postam nas patas traseiras e crescem para mais de dois metros de músculos e gordura de peixe, com as garras do Wolverine e presas de tubarão branco.

A verdade e a natureza são muito mais prosaicas e tal qual Gertrude Stein se referia as rosas, um urso é um urso é um urso é um urso.

O bando (qual é o coletivo de ursos, Prof. Correa ?) talvez possa até ter se acostumado com aquele ser imberbe e estranho vagando por ali, mas quando a fome apertou ,um deles o enxergou exatamente como um urso nos enxerga cada vez que nos encontramos em seu território, desarmados e disponíveis:- Um degrau abaixo na cadeia alimentar.

Essa busca da pureza perdida que os americanos e de resto a raça humana vez ou outra nos lançamos em vão, seja no passado, na religião ou eventualmente na natureza, invariavelmente termina mal.

Os anos sessenta começaram com a liberação dos costumes, Abie Hoffman, os verões do amor, a solidariedade extremada e as crianças cósmicas.

Acabou em Helter Skelter escrito com o sangue de Sharon Tate grávida numa parede de Hollywood.

Hitchens diz que comparar os USA de hoje na questão do Iraque com os do Vietnã é um erro, aquilo esta mais para um neo Camboja, já que uma retirada das tropas as pressas não significaria uma reedição do governo Vietcong, mas sim um Khmer Rouge Contrataca.

Quem se esqueceu dos meninos e meninas de Pol Pot que queriam purificar o ser humano, acabando com as cidades, os intelectuais (ou qualquer um que usasse óculos) e de resto com todos os signos da modernidade?

Pois é, perpetraram o maior massacre per capta da historia do século dos massacres.
Por muita sorte e trabalho de inteligência que se sobrepôs a repressão, o Peru não foi pelo mesmo caminho luminoso.Tim e o urso não deixam de ser uma metáfora. .

É patético, mas chega a ser terno ouvir sua voz, quase feminina, recitando bobagens permeadas de genialidades (Tim é quase um autista) em contraste com a locução teuto lógica do próprio Herzog.

As tomadas feitas pelo próprio Tradewell ou por uma eventual namorada sobremesa de urso, utilizadas na medida pelo cineasta, são enfadonhas e ultra narcisistas, mas algumas lindas, como a do final quando ao vê-lo andando acompanhado de dois ursos como se na coleira, quase acreditamos que ele finalmente se integrou ao bando.

Timmy é extremante irritante e nem o alemão que melhor filmou personagens obsessivos e que dirigiu o mais idiossincrático ator ever - se é que isso é possível - Klaus Kinsky, parece suportá-lo

.Numa das cenas mais reveladoras, vemos a mãe de Tim com um ursinho de pelúcia no colo.

Numa das mais constrangedoras, ele encosta a mão nos excrementos ainda quentes do urso, como se adivinhasse seu destino.

Wednesday, August 02, 2006

no pais de paz



México DF
30.0.7.06


¨
para meu filhinho Th pelo seu aniversario, hoje¨

O México ainda não decidiu se trata a extensa fronteira que o separa dos USA como uma benção de Nossa Senhora de Guadalupe ou a maldição de Montezuma. Melhor seria esquecer a questão e tocar a vida, assim como fazem os americanos.
Fazendo uma alusão pouco original, mas eficiente, se as Américas fossem uma vila de casas onde vivessem apenas duas famílias ricas (uma delas aliais, muito discreta e quase ausente) e uma batelada de pobres das mais diversas classes, o México seria o vizinho de muro do mais rico e visado dos dois.
É uma posição privilegiada para quem quer se candidatar a babá, jardineiro ou motorista e esperar que os rendimentos proporcionem aos seus filhos estudos para que esses possam, um dia, se mudar para uma casa maior. Mas é também estar mais exposto a inveja e ao rancor, dado o imenso contraste dos estilos de vida, das respectivas fachadas, carros e festas de Natal. E ai, ao invés de aceitar o emprego, sempre se pode ficar bebendo tequila e maldizendo o vizinho rico, imaginando-o fonte dos seus problemas. Ou ainda aproveitar a proximidade para o mal, sem perceber que se ele se mudar, for à falência, chamar a policia ou simplesmente construir um muro mais alto, quem perde é a vila toda.
O maior mexicano de todos os tempos, o ensaísta, poeta, embaixador e escritor Otavio Paz (quem mais seria, Pancho Villa? Rick Martin? o Chapolim Colorado ? Betty a Feia ?? o megaladrão Salinas ??, pessoalmente, além de Paz só admiro Carlos Santana e o subcomandante Marcos) declarou que os americanos são um império que esta cercado de gente que os admira e de gente que os odeia, mas na realidade preferiria estar sozinho.
Sim, os USA são o único império que subsiste, mas diferentemente dos portugueses ou espanhóis, para citar apenas dois dos extintos, não precisa das colônias para viver, nem se preocupa muito com elas.Para cada Gore Vidal existem milhões de americanos que só tomam conhecimento de países chamados Vietnã ou Iraque quando uma determinada administração decide invadi-los.Se você não concorda, é por que não os conhece.Ora, eles têm um mercado interno auto-suficiente e podem, em tese, viver para dentro das fronteiras, com comida e petróleo de sobra. Nem grandes exportadores são (comparativamente ao mercado doméstico, obvio), e isso quase que por opção.O pai de Jack e Bob, o velho Joe Kennedy, cada vez que o antiamericanismo recrudescia no mundo, professava seu desejo de fechar o pais. Achava que o mundo tinha mais a perder do que eles.Isso claro, esta cada vez mais fora de questão, mas por ironia, talvez sejam os USA, permanentemente acusados de imperialistas, intervencionistas (e o são) e patrocinadores da globalização, o único pais que pode impunemente dizer como Greta Garbo, I want to be alone··.
Num parque de diversões aqui em MCity tomei um brinquedo com uma turma de crianças da fundação Gates, gente visivelmente muito pobre. Bill, por mais antipatizado e demonizado que possa ser, melhorou a vida das pessoas democratizando o acesso aos PCs.

Se você tem a minha idade ou mais e se aventurou a operar um deles nos days before windows, sabe do que estou falando. Ganhou, merecida mente um Everest e um K2 de dinheiro (so what?), e continua colaborando via sua fundação, recém turbinada por outro mega tycoon, Warren Buffet.
O movimento que aproxima TEX&MEX é pendular. Os mexicanos superestimam as diferenças entre os dois países como uma razão de suas mazelas. Paz lembra que se o México, por milagre acordasse rico amanha as diferenças com o vizinho ao norte se manteriam, ou até aumentariam.

Em seu fenomenal Tiempó Nublado de 1980, lembra que espanhóis e portugueses que com suas navegações e descobertas praticamente decretaram a Renascença, estranhamente se fecharam para as novas idéias que floresciam na Europa do pós trevas, aderindo as contra reformas e inquisições. E as borrifaram nas colônias, junto com aquela atitude Ibérica que rico não trabalha, só conspira, manda e se diverte.O grande mérito da Espanha pós Franco é ter se reinventado completamente, mas sobre isso já escrevi o que chega.Já os ingleses, mesmo que por motivos menos nobres como permitir que o Henrique VIII se casasse novamente, abraçaram as mudanças, principalmente a Reforma luterano-calvinista com seus conceitos de riqueza e trabalho, que levaram posteriormente para sua colônia.
A explicação de OP é mais completa, complexa e estimulante. Vale ler, até para compreender melhor o BR.Mas apesar (ou por causa) das diferenças, a relação com norte sempre foi decisiva na política Mexicana.
Lopes Obrador, de esquerda, quase venceu o candidato do amigão de Bush, Vicente Fox por que este não conseguiu em seu mandato operar os milagres que os crédulos mexicanos esperavam dele. Aqui, talvez para evitar mais caudilhos, a constituição proíbe reeleição, mesmo que em períodos intercalados, portanto Fox estava fora. Alem do mais, AMLO como é chamado, foi um prefeito querido da Cidade do México, e, com apoio majoritário de 25 milhões de habitantes em um pais de uns 100, (mais 10 morando nort of the border) fica fácil fazer bonito.

Tomou medidas equivocadas, polemicas, populistas, pouco afeitas a prefeituras - mas eleitoreiras - como garantir uma mesada de 70 dólares para idosos e mães solteiras, o que não incentivou ninguém a ficar velho, mas provavelmente aumentou a natalidade, isso em uma cidade que precisa de tudo, menos de mais gente.Mas fez boas coisas.
Fiel ao próprio nome tocou o sonhado Segundo Piso, um super viaduto que corta a cidade toda, obra fundamental para aplacar o pior transito do mundo, que experimentei na carne dirigindo horas junto com três crianças.
Aqui São Paulo parece o deserto de Atacama.
As ruas infestadas daqueles carrões americanos fumantes dos anos 70 me fizeram lembrar todos os velhos seriados de detetives, Cannon, Kojak , Columbo, alem de é claro, espirrar meus pulmões para fora. Só por ter feito tal obra, votaria nele até para Imperador Asteca.
Mas o fato é que perdeu, mesmo que continue esperneando, e continua. Amanhã pretende juntar um milhão de pessoas no Zocalo para pedir recontagem de votos.

No Zocalo, o sistema nervoso central da cidade, onde estão os melhores murais de Rivera, onde os espanhóis construíam uma catedral sobre os templos Astecas assim como fizeram em Cuzco no Peru e, antes disso por cima das mesquitas dos Mouros em Sevilha.
Mas o México Pais tem coisas surpreendentes. Passou incólume as modas de ditaduras milicas e guerrilhas brancaleones do pós guerra latino (a exceção dos Zapatistas, mas essa muito mais propaganda para causa indígena do que nada), embora tenha atravessado o século XX bajo a dinastia do PRI, que só acabaria em 2.000. Leia o Ogro Filantrópico de Paz se quiser se inteirar desse período.Hoje o partido prefere ser o fiel da balança a enfrentar o desgaste do poder, cobrando caro, é obvio. Qualquer semelhança com o PMDB é isso mesmo, semelhança.
Lobo Antunes, o maior escritor português vivo, diz que não se pode viver numa cidade sem historia.
México Cidade é poluída, perigosa e intransitável, mas cada pedra sua é capaz de contar muitas. Ao contrário das nossas, não foi fundada por europeus, mas conquistada na cruz e na espada.

Cortez, aquele bom rapaz, deu de cara com Tetchuaclan, uma Veneza tropical com mais de 300.000 habitantes, isso quando Florença, a NY da época provavelmente era menos populosa.Um deslumbre arquitetônico, completamente arrasado.Por algum motivo, talvez por já estar desabitada a época da Conquista, Tetihiucan, poucos kilometros do centro sobreviveu. Suas pirâmides do Sol e da Lua, junto com Chichen - Itsa (maya) e Machupichu (inca) são as maiores atrações arqueológicas do continente.O Museu Arqueológico é provavelmente o melhor do mundo, isso dito pelo Ângelo que já foi ao Egito.
Visitá-lo, ver de perto a cama de onde Frida Kahlo pintava deitada o próprio rosto refletido num espelho colado ao teto para depois inserir todos os signos possíveis da sua pátria, as fotos de Modotti andando vivas pela rua, a casa de Trotsky onde não conseguimos entrar para conferir o quarto da machadada que perfurou o maior cérebro da esquerda, mas onde pudemos contar os buracos das balas stalinistas no muro, Cortezia de Siqueiros e seus sicários, valeu o sacrifício humano da classe burrico da Air México.
Ao contrario do meu perdulário amigo OD II, nunca viajo com crianças na executiva.

Friday, July 07, 2006

eu vou torcer pra frança.


pro cescatto que sacou tudo em direçaõ a Glicancourt
e pro Zidane que soube ganhar com elegancia.

Não em função de uma agenda mesquinha, provinciana e patriotária e do tipo :

- A Italia chegaria mais perto do Br em numero de titulos, ou

- É preferivel ter sido eliminada pelo campeão, isso eu deixo pro octopode da vez.

Mas sim para chutar o derrier do sr. Jean Marie Le Penn que ousou afirmar que a seleção francesa tem muitos negros.

Nos EUA do facista Bush, ninguem falaria tal coisa a respeito dos Chicago Bulls, simplesmente pra não ser linchado na rua.

Ve la mounsiuor, se há de surgir alguma onda renovatoria que permita tirar a Europa da estagnação economica, criativa e gerencial que se avizinha, essa sera gerada a partir das movimetações teutonicas não dos bairros nobres, mas sim dos pobres.

Virá, sem cliche ,de Clichy sus Boirs.

Monday, June 26, 2006

norwegian wood / eram os deuses internautas ?


Monday, June 26, 2006
.Is it coming from the moutains ?
If I were as tal as them ? emilie dickinson
Desse jeito vou acabar perdendo o patrocínio que a Shell generosamente confere ao meu Blog.
É que minha implicância com o Petróleo só faz aumentar.
Veja a Noruega. Tinha estado aqui antes e isso já era o pais de maior renda per capta do mundo. Agora, sendo o terceiro maior exportador de óleo e um dos poucos que usa razoavelmente os recursos advindos dessa alta histórica do produto, a riqueza é onipresente.Nada de usar os recursos com geo- politicagem como Chávez, nem de aumentar o poder das famílias como nos petroreinos árabes (claro, ha outras exceções louváveis como Dubai e em parte o Kuwait, mas sempre há exceções), mas mesmo aqui a conta não fecha.
Pergunto ao meu amigo noruga, riquíssimo, mas que mora no Br a maior parte do tempo já que programou sua vida fiscal pra não permanecer um dia a mais do que 3 meses por ano em seu pais, o por que de, com todo esse dinheiro entrando, a tributação daqui ainda ser das mais altas que existem.Sim, há hospitais e escolas de sobra e serviços de primeira, portanto se poderia falar de imposto liquido, mas acontece que o capital não quer saber disso e vem fugindo qual bicho do fogo.O amigo ri e diz:- Damm socialists
.Ele esta certo. O imposto daqui é ideológico. E burro, pois o capital sempre pode ir embora, e vai. O trabalho fica minguando. E o óleo (felizmente), acaba.
.Conta que na pequena casa que mora quando esta aqui - sim aqui é a verdadeira democracia, " the guy next door is a plummer" diz ele - pagou tempos atrás 200 euros pro jardineiro por uma tarde de trabalho. No dia seguinte o camarada não veio terminar o trabalho, foi pescar salmão.Raciocina, se essa casa fosse uma fabrica que tem de exportar o jardim para viver, competindo com as de outros países, como seria ?Malefícios do caldinho paleozóico, os pobres continuam pobres e mal acostumados e os ricos continuam ricos ( até quando ? ) e extremamente mal acostumados.
De resto a Europa toda trabalha pouco e o único pais ocidental rico que parece querer ficar mais rico ainda , resultado do espírito idem das pessoas, é mesmo o velho Estados Unidos da America.
Mas aqui eles tem Ibsen, e Munch cujo museu é um mergulho no estranho e no humano (não são a mesma coisa, seu Willian ?) , tem os barcos Vikings que são maravilhas do design e também as paisagens mais grandiosas que esse verdes olhos bravios da minha terra natal já fitaram, os tais Fjords.Canais profundíssimos e estreitos (nenhum comandante de submarino soviético se formava até navegar incógnito por aqui) murados por montanhas de ate 2000 metros de altura de onde a neve derrete em forma de finas cascatas que parecem vir direto de Asgard.Senhor dos Anéis 3d , pra dizer o mínimo. Só faltou Wagner no I Pod.
.Esse efeito contemplativo que as montanhas têm em mim compartilho, com toda certeza, com toda raça humana. Não à toa a melhor mitologia foi produzida em regiões montanhosas, aqui e aos pés do OlimpoÈ fácil imaginar Thor brigando com os Trolls daqui de baixo.
Chego a Bergen no fim dos labirintos aquáticos, terra natal de outro Noruga topicalizado, também marítimo, que certa vez me contou uma historia esclarecedora do sucesso da Europa como continente.- Por aqui os alemães entraram la por 40 com a sutileza habitual, agravada por um certo complexo de inferioridade frente aos nórdicos. O preconceito anula a lógica antes de ser anulado por ela. Houve aqui um importante foco da resistência Norge, da qual o pai dele fez parte até ser preso e torturado. Sobreviveu e escondeu os fatos do filho até que este fizesse quarenta anos, isso já em 1980.
Indignado, perguntou ao pai por que havia demorado tanto tempo ate contar-lhe algo tão importante, tendo inclusive contado aos netos primeiro. A resposta do velho explica porque15 anos depois da guerra os turistas alemães fotografavam o cais da cidade sem ser importunados. -- Não queria que você os odiasse.
.Essa sabedoria e cumplicidade silenciosa pan européia, quase instintiva da geração que sofreu, matou e morreu na Guerra II, aplacou o rancor e o sentimento de vingança tipo seuavomatouomeuporissovoutematar , comum em outras regiões, foi que permitiu , junto com o inteligente plano Marshall que houvesse o Mercado Comum Europeu ( do qual a Noruega, por outra dessas idiossincrasias socialistas, não faz parte) ao invés de uma terceira, quarta , quinta guerra.Ninguém quer saber de matar o freguês.
Outra sobreviventes de varias guerras, pestes e enchentes, as casinhas de madeira aqui do porto, tombadas pela UNESCO, tem, pasmei, em alguns casos, 900 anos .Certo, nesse frio não há cupim que sobreviva, mas sendo Bergem o lugar que mais chove na Europa era de se esperar que elas se desmanchassem após alguns séculos.Alguns barcos Vikings retirados inteiros dos sites arqueológicos,feitos provavelmente da mesma madeira, são ainda mais velhos
.Para um bom jingle, chame os Beatles.Isn't it good ? Norwegian wood.
Veneza, 20 de Junho de 2006.
ERAM OS DEUSES INTERNAUTAS?
A minha bisavó, Antonieta Biron de Veneza,
que nunca conheci
.
Provavelmente os extraterrestres existam. O que não existem são provas conclusivas que eles existem.
É o que Carl Sagan, do alto da sua autoridade gasta as 300 e tantas paginas do ótimo O Mundo Assombrado pelos Demônios que ora leio, explicando.
Mas supondo que eles existiam e que acessem blogs, me coloco desde já a disposição para servir de guia turístico aqui na Terrinha, sem restrição de planeta de origem nem numero de tentáculos.
Não cobro muito pelos meus serviços, a cura da AIDS ou uma bomba que só mate advogados e consultores, algo assim pra mim ta bom.
E se por qualquer motivo ou compromisso intergaláctico meus cabeçudos clientes só dispuserem de um dia terrestre, sugiro que visitemos duas cidades:- Nova York e Veneza.Tenho outras favoritas, nas quais talvez me sinta mais a vontade, algumas menos obvias, mas nesse caso, estando a serviço da raça humana, gostaria de mostrar o que produzimos de mais espantoso durante nosso curto mandato planetário, assumido depois de uma boa gestão por parte dos dinossauros.
But seriously..

Joseph Brodsky que era poeta e não profeta e que, portanto não poderia prever o advento das câmaras digitais, escreveu que as ações da Kodak nunca cairiam enquanto Veneza não afundasse. Com o peso das nuvens de turistas que disneylandizam tudo o que tocam, pode ate ser que afunde mesmo.
Mas não posso reclamar, quem esta aqui na época errada sou eu, não essa gente saindo pelo Maluf.O russo assim como meu amigo Cescatto , só vinha aqui no inverno e conta em seu Marca D’água que a neblina é tão espessa quando a temperatura cai que, ao sair de casa para comprar cigarro só achava o caminho de volta trilhando o mesmo túnel que abrira na ida e que não se desmanchava, se não cerca de meia hora depois.

Essa cidade vista através da bruma deve ser o mais próximo que se pode chegar de um sonho desperto. Lendo a bela descrição da cena, me imagino andando as cegas pelas pontes e caminhos estreitos, tomando cuidado para não cair na água, esbarrando numa daquelas figuras com mascaras inexpressivas, eyeswideshutianas, típicas daqui.
Ou então topando com meu antepassado Byron molhado de nadar nos canais.
Ou Marco Pólo recém chegado da China.
Talvez Casanova fugindo da prisão.
Ou Papa Hemingway caindo de Bellini.
O velho Mann pensando na morte.
Quem sabe Henry James, ou o Napoleão em pessoa, decidindo se destrói ou não a cidade.
Ou por que não, o já citado Joseph atrás dum rabo de saia.
Todos perdidos na neblina atemporal, assim como eu.
Aqui é possível. Veneza é um daqueles lugares inexplicáveis, portanto nem vou tentar.
Assim como Berlin, que só se entende (como podia ser uma cidade dividia ao meio?) indo lá e verificando os poucos trechos onde o muro ainda existe e mergulhando no museu do Checkpoint Charlie, só decifra essa cidade voadora que vimos milhões de vezes em filmes e fotografias sem nunca te-la visto de verdade, de perto.
Mas isso não é um convite. O que Veneza não precisa é de mais marsupiais forçando a base.Desde que a classe media triunfou, primeiro nos EUA, depois na Europa, Japão e em breve na China (ai, ai,ai) e apos conquistar o mundo, o segundo carro e o quinto DVD player, passou a querer consumir avidamente cultura. Só que o Louvre, a Ufizzi, a Tate e a Academia não estão sendo aumentadas em espaço físico nem em obras, já que os gênios andam escassos
.Mas o numero de visitantes aumenta sim e exponencialmente. Cada navio que aporta aqui, em Dubrovnik ou em Peter, descarrega de uma vez só 2.000 almas pesadas, ávidas por um banho de cultura e outro de loja.
No lindo porto Croata, com mais de dez atracados de uma só vez, ao ver um bebe de colo atingido por um cotovelo sem corpo em meio a confusão para pegar o ônibus de volta ao cais, penso quão assustadoramente frágil é a convivência humana. Afinal nem eram os sérvios chegando para faxina diária, nem nada assim.
Basta romper minimamente o tecido social e lá estamos nos de novo com a clava na mão, prontos pra amassar uns crâniozinhos. Experimente apagar a luz de NYC por meia hora.
Ou gritar PCC em SP.É isso que mostra o bom, mas subestimado Guerra dos Mundos do Spielberg, que o Ricardo chamou certeiramente de Opera. Concordo com ele também quando diz que só a gentileza torna á vida humana possível.
E com o Décio Pignatari que explica o sucesso do cristianismo simplesmente pelo fato de ter sido a primeira religião, seguida de perto pelo budismo, a pregar a paz num mundo onde os próprios deuses adoravam uma briga
. De forma absolutamente inédita, um Deles se sacrificou por nos, ao invés de exigir sacrifícios.

Veja, a Terra comportava 500 milhões de bárbaros, mas não agüentaria seis bilhões, alguém tinha de interromper a espiral de vingança oferecendo a outra face.
Que depois o cristianismo tenha patrocinado guerras e massacres, é outra historia.
Já eu, só posso torcer para que Veneza não afunde, Machupichu não caia da montanha, NYC não seja desintegrada por uma bomba de Alah e que os meus clientes aliens não venham buscar de volta as Pirâmides do Egito e do México, pelo menos até que meus netos, tetranetos do lunático Lord, (aquele,bad, mad and dangerous to know), possam vê-los de perto.

Tuesday, May 23, 2006

leonard cohen next door

Dedicados aos amigos de Toronto




LENARD COHEN NEXT DOOR




Dedicados aos amigos de Toronto


Discutia com amigos outro dia aquela frase de Tom Jobim que é sempre invocada quando, de tempos em tempos, da vontade de abandonar essa tenstativa frustrada de pais. - "Morar no Brasil é uma droga, mas é bom. Morar no exterior (NY no caso dele) é bom, mas é uma droga, "". O Zéduardo argumentou que todos os amigos dele, endinheirados ou não, que partiram desse prum melhor, não se adaptaram e voltaram com as orelhas pra baixo.

Acredito. Somos solares, mais corteses do que a média mundial, dados a improvisação, dependente dos amigos, odiamos o anonimato e o tratamento impessoal. Somos o que o cidadão médio do primeiro mundo não é. Há exceções. Penso nos meus amigos Alex, Adri e Claudia morando bem em Toronto, mas tendo de cavar a neve para sair de casa. Enquanto vivemos dias de emoção aqui - quem precisa ir ao cinema quando temos o Jornal Nacional? - eles lêem no Toronto Star que a cidade esta sendo aterrorizada por uma gang de mascarados Racoons (guaxinins?) no cio que jogam nozes nas pessoas do alto das maple trees.


Mas quando soube que sábado passado meu herói romântico (e deles) Leonard Cohen estava autografando seu novo livro de poesias na livraria da esquina onde, coincidência ou não, comprei o antológico Beutifull Losers do próprio quando passei alguns dias na casa do Alex em 01, me deu vontade de cavar toda neve de Halifax a Vancouver.

Cohen escrevi em outro debyte, è meu Bob Dylan favorito, assim como os Kinks são meus Rolling Stones de cabeceira e os Pixies meus Talking Heads de estimação. É autor do meu verso amuleto, fundamental pra se viver em CWB que, segundo o Cescatto tem mais Vodu por m2 do que o Haiti e os pântanos da Louisiana juntos:

¨You can stick your little pins in that voodoo doll, very sorry Babe, doesn’t look like me at all¨...

É mais conhecido por aqui, se é que é como cantor americano follk. Na verdade é um poeta e escritor que canta. E canadense, assim como outros americanos famosos, entre os que me ocorrem agora, os superpianistas Gould e Peterson, o comediante Akroyd, produto da importante cena stand up Torontina que abasteceu por anos o Saturday Night Live de talentos, as cantoras Vega e Mitchell e a mais recente Peiroux, alem dos ótimos compositores Sexsmith e Wainright. Mesmo o american treasury Neil Young, é de Ontário.

Para aqueles como o Ângelo que acham que Bush derreteu o sino da liberdade pra fazer munição aviso, o velho Neil não teve seu passaporte cassado nem nada assim quando em seu recente Living with War, pediu a cabeça de GB II numa bandeira. Por muito menos um jornalista americano que ousou criticar um errado presidente sul americano com nome de monstro marinho, foi expulso na hora.

Forjado na cena poético-musical de Montreal onde desde sempre se mistura jazz e poesia, LC aprendeu alguns acordes no violão e, como Leminsky decidiu que seus versos encontrariam mais eco se cantados. Gravou umas canções num toca fita caseiro pensando em interpretes, mas acabou caindo no gosto de algum executivo da gravadora que viu charme em sua voz de barítono.


Apesar de imaginar-se dono de uma golden voice, não é, assim com o os Beatles, o retro-citado Brasileiro de Almeida e até os Casseta (não é MM??) seu melhor interprete. As duas coletâneas de covers seus - Tower of Songs e I´m Your Fan- trazem gente que ganha mais por mês do que ele nos seus 70 anos recém completos, dando duro pra merecer suas canções. Pagam tributo Bono, Sting, Elton John, Billy Joel este recuperando a belíssima Light as a Breeze, meio apagada na versão original, monocórdia de Leo.

O touro sentado Willie Nelson em Bird on a Wire, perfeita pra ele.

O perna longa de Liverpool Ian Maculoch em This Is No Way to Say Good Bye.

A esfinge Tori Amos no clássico leonardino Famous Blue Raincoat , ode a amizade perdida, que equivale à duas horas de esteira num desses testes de esforço cardíaco - se você conseguir ouvi-la inteira, sozinho as três da manhã, pode desmarcar o cardiologista pra sempre.

E talvez minha favorita, a versão Pixie para I Can´t Forget, suprema na ironia -... "I can t forget but I don’t remember what,"


Como bom judeu (eta povinho talentoso so) o homem é mestre da ironia fina. Na byroniana Who by Fire, apos as perguntas existenciais tais como:


And who by fire, who by water,

who in the sunshine,

who in the night time,

who by high ordeal,

who by common trial

who in your merry merry month of may,

who by very slow decay,

And who in her lonely slip,

who by barbiturate,

who in these realms of love ,

who by something blunt,

and who by avalanche, who by powder,

who for his greed,

who for his hunger,

And who by brave assent,

who by accident, who in solitude,

who in this mirror,

who by his lady's command,

who by his own hand,

who in mortal chains, who in power, conclui:

And Who shall I say, is calling?

Algo como: quem quer falar com ele / ela (ao telefone) ´?

By the way, concluímos numa recente digressão existencial, Zéduardo e eu, que a grande questão filosofica desse começo de século se resume em: - Cristal liquido ou plasma?


Mas back to Mr. Cohen, apesar do limitado, mas continuo sucesso musical, ele nunca parou de escrever texto.


Viveu na ilha de Hidra na Grécia onde seus seguidores, os auto intitulados Beutifull Losers se reúnem todo ano, em cia de uma mulher (Suzanne ou Marianne? you decide) e uma criança, situação que segundo descreve em Lover, Lover, Lover, o deixava kind of nervous..

Mais recentemente passou um ano no mosteiro Zen Budista de Mount Bald na Califórnia, onde cuidava da cozinha alem de é claro, da própria alma.


Justamente nesse período, em meio a privações que fizeram com que definisse e a si mesmo e aos monges numa entrevista, como marines do mundo espiritual, teve a economia da vida roubada pela própria empresaria e administradora financeira.

Nada de mais, uns 5 milhões de dólares, uma semana do trabalho de Jagger, mas ainda assim um feito e tanto em se tratando de poesia e canções idiossincráticas.

Li essa historia numa revista trazida pelo Ricardo da sua canadian tour no ano passado. A pulha teve a cara de acusar o velho de ser um superstar afetado e perdulário, logo ele que divide há anos um sobradinho com a filha, num modesto subúrbio de LA.

Cortou o coração, mas foi reconfortante ver o velho desprendido, resignado e disposto a ir à luta aos 70, violão e lápis, justamente num momento da minha vida que aos 40 me via sem forças pra dar um passo para fora de casa, mesmo não nevando muito por aqui..

Ainda tem gente que se orgulha de dizer que não tem heróis

Eu, hein.

.

Wednesday, April 26, 2006

sharon stone gathers no moss

cwb 23 abril 2006
dedicada a Vanessa, nossa femme fatale

Curitiba é inacreditável, alguns filmes permanecem em cartaz por duas seções e são substituídos pela mega bobagem da vez. Se quiser vê-los desmarque seu transplante de coração, não vá ao enterro da sua avó ou aguarde o DVD, o que pra mim é tão excitante quanto ouvir uma banda cover.

Saí de casa pra ver o chinês 2046, ultra-recomendado pelo Ricardo Coração de Leão da Metro mas acabei caindo nas graças e nas garras da super vamp (and tramp) Catherine Tremmel, personagem de La Stone em Basic Instincs II. Gostei, um bom filme C. Melhor do que a expectativa já que por uma implicância pessoal, quase sempre justificada, evito partes 2.

Esqueci completamente a historia do primeiro, portanto não ha comparação possível.
Esse tem um bom roteiro de suspense psicológico, melhor do que noventa e sete por cento dos que o passam por ai, belos cenários como o escritório do terapeuta Glass no envidraçado e (surpirse, surprise) fálico Swiss Tower, o improvável loft de Cat no meio da City e até o manicômio da cena final, um tanto exagerada, mas vá la.

Tem ainda a manjada mas ótima seqüência inicial no carro, belos figurinos e Londres onipresente.

O cinema atual só produziu tres femme fatales na minha conta, SS , Nicole Kidman e Uma Thurman. Quatro, se você contar com a Kin Bassinger no ultimo bom noir produzido, LA Confidential e assim mesmo por que ela cloneava Verônica Lake. Houve ainda uma quinta candidata, a morena de olhos neon de Blade Runner, mas essa não vingou.

Nicole teria ficado ótima como Cat se os produtores resolvessem manter o personagem congelado nos trinta e poucos anos, como fazem com Bond, mas se a idéia era envelhece-la com uma indigna dignidade, não foi uma má idéia usar a Sharon novamente.

Alguém perguntou ao terapeuta e cinéfilo ítalo-paulista Contardo Cagliari numa entrevista que ouço no radio o que ele achava de 15 anos apres, Bruce Willis continuar interpretando Bruce Willis , Satallone continuar Stallone assim como a cinquentona em questão.
Ele se esquivou de tecer quaisquer comentários sobre os dois marmanjos, mas quanto a bionda disse que não achava nada mal para uma mulher, ser desejada aos 50. Ha que se estabelecer uma diferença. Trata-se de uma franquia com um personagem que se repete, não tão elaborado quanto por ex. Haniball Lecter, mas lá como seus méritos, diferente dos dois brucutus acima e outros gym lizzards que interpretam varias vezes a si mesmos com nomes diferentes.

Sharon esta longe de ser uma grande atriz, exagera aqui e ali,mas fica bem no papel dessa Suzana von Richstofen versão Vanity Fair, igualmente psicopata.

Se não mata, sabe exatamente como arrumar alguém que mate por ela.

debytes@blogspot .com.br

Monday, April 10, 2006

forçaitalia / iraquis go home

CWB, 9 de abril de 2006

Força Italia

dedicado ao saudoso Alberto



Berluscone . A direita mais cara de pau do mundo encarnada por uma improvavel (até no Br) cruza de Silvio Santos Marinizado com Maluf, pateta como Itamar e capaz dos improperios de Lula. Mafioso, corrupto e corruptor, trapalhão e contra a Euorpa. Dias atras derrubou visivelmemte sem querer a bandeira da UE numa cerimonia, algo pra la de simbolico.

Alguem só possivel na Italia, país que deveria adotar um besouro como simbolo. Em qualquer outro minimamente civilizado, teria de optar entre o poder da midia publica e privada que controla e o governo que exerce.

É isso que diz a ultima Economist, nenhuma democracia que se preze o aceitaria.

Encontra eco (Humberto, com perdão do trocadilho, o detesta e ameaça deixar a Italia se ele vencer) nos chamados BerlusClones, self made men como ele, principalmente do norte da Italia, berço aelas do fascismo.


X


Romano Prodi, que deve vencer. Na Inglaterra ele seria chamado de Old Labour, alguem avesso a privatizações, pró welfare state, algo que nem o velho ideólogo das Brigadas Vermelhas, Antonio Negri defende mais.

A Italia conta com indices e circustancias politicas muito proximas às nossas, divida maior que o PIB, baixo crescimento, embora seja mais industrial e tenha um turismo pujante. Seu sucesso se explica pelo fato de que é proibido ser pobre na europa ocidental, nem Portugal consegue. E por que todo mundo a ama .

La, como me explicou uma americana que conheci numa recepção em Londres, o uno é maior do que o todo, i.e. o individuo italiano é muito interessante, culto, divertido, charmoso tem picardia e historia. Ja no coletivo, se perde.

Nos EUA, conclie a moça, o todo é muito maior do que o uno. O americano médio e ultra-desinteressante, jeca e mediocre ,embora tenha gente muito interessante por la. É a soma das partes e um certo inconsciente coletivo que faz deles o que são.

De qualquer forma, de o que der na eleição de hoje , pobre Italia.

NOTA:Deu Prodi

Iraquis Go Home

confira, tudo que respira, conspira
PLeminsky

Passo compreender com a idade que defender uma idéia ou ter uma opinião não implica necessariamente em fechar os olhos para os argumentos contrários. Aprendi que escolher uma posição significa reconhecer que o outro lado da moeda tem lá o seu valor.

Tomar partido é quase sempre escolher um mal menor e identificar as contradições contidas nas idéias que defendemos é vital, caso contrario a vida a vira um filme do Frank Capra ou pior, do Rambo.

Se nosotros, o mundo, votassemos na eleição americana como já foi sugerido por alguém dada a influencia do Comandar in Chief na vida de each and every inhabitant da insignificante bolinha azul perdida nesse cantinho do universo, provavelmente seriamos também consultados nas pesquisas de opinião que os americanos fazem a toda hora e nós copiamos.

Hoje Boy George tem 30% de aprovação o que desde já lhe confere o titulo de pato manco, and once a lame duck, allways a lame duck. Talvez o segredo do nosso aqui seja que as lulas têm muitas pernas (ha,ha)..

Não tenho dados para julgar a presidência do Sr. Matos como um todo, mas no que diz respeito ao Iraque, estou nos 30%.

O que dizem os 70:

1) Saddam mantinha os Sunitas X Xiitas X Curdos sob controle,
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Sim , marginalizando a maioria xiita e massacrando os curdos com armas proibidas desde a primeira guerra mundial . O que afinal diferencia Sunitas de Xiitas afinal, ja que os curdos são uma etnia ? O modo de ler e interpretar o Alcorão, segundo sei. Uns são mais ¨modernos ¨ pois aceitam que os mais preparados (em que?) se tornem sheiks enquanto os outros só se curvam aos descendentes diretos do profeta. Uma espécie de republicanos e monarquistas do atraso.

A mão de ferro saddanica que segurava a panela de pressão, só transferia o conflito pra um futuro incerto, mas eminente. Hoje em meio ao caos ha a possibilidade do acerto, ja que ninguém briga para sempre.

2) Morreram 30.000 Iraquis desde a invasão
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Quantos morriam por ano under Saddam? E de que forma ?

4) Morreram 3.00o americanos
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Desde que o Vietnã entrou nos lares americanas na hora do jantar, na voz do velho Cronkite, os EUA cultivam essa bobagem que soldados não podem morrer (então para que servem?) e, a um custo altíssimo que penaliza o mundo, inventaram a vídeo-guerra. Desse lado da tela é como um game boy mas do outro morre gente de verdade. Não difere muito das guerras tradicionais.

Ora as baixas no Iraqui foram baixíssimas se levaremos em conta as bravatas do Saddan e do ministro da desinformação iraqui, o engraçadissimo e Mohamed, estrela inegável e imapagavel do começo do conflito, sobre quem o Cescatto escreveu um texto ótimo à epoca.

5) A Guerra is all about oil.
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Voce queria que fosse about sand ? Ora, é melhor a sopinha de dino nas mão da Exxon que dá empregos, paga impostos e distribue dividendos as velhinhas newyorkinas, do que financiando facinorazinhas e sargentões da hora - vide o vizinho aqui de cima. Todos odiamos os EUA pelo que fizeram a Mossadegh, mas Saddam não estava interessado em auto determinação. Ele e as gracinhas dos bambinos dele contrabandeavam petróleo e embolsavam os lucros, ou como descobrimos depois, emparedavam. Na falta de bancos que aceitassem o risco de entrar na blacklist dos EUA, recheavam as paredes dos palácios com notas de 100 dollares.

O que diz a historia ? Alexandre não atravesou o Helisponto pra civilizar os bárbaros mas sim atrás de gloria, terras e para vingar a Grécia por anos de provocações persas. A civilização grega veio por via de conseqüência e com ela a biblioteca de Alexandria, Aqruimedes e Platao. Mesmo a Macedônia sendo uma província meio caipira, considerada semibárbara pelos gregos (assim, um Texas), havia la rudimentos de democracia. Já o rei persa Dario quando acordava de mau humor, mandava enterrar os jovens mais bonitos até o pescoço e passava com seu carro de guerra, aquele das rodas com laminas, colhendo cabeças. E assim como os militares argentinos, bravos com presos amarrados se renderam aos Ingleses sem disparar um tirito, Dada Maravilha foi o primeiro a fugir no campo de batalha, como bem mostra o subestimado filme do Oliver Stone. No museu de Nápoles hà um famoso mural encontrado em Pompeia que congela para a eternidade o exato momento em que o olhar determinado , furioso e triunfante do macedônio cruza com o apavorado e desolado do rei persa.

A Gália antes de Cezar ir para lá atrás dos louros e de uma posição no Senado, era uma terra de comedores de Javali que brigavam entre si pelo ultimo pedaço. Quem viu o excelente Roma da HBO ?

6) Esta na hora de sair do Iraqui
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Não pois sair agora significa repetir o Irã, ou seja substituir uma ditadura horrenda pero laica e secular por uma religiosa, normalmente pior, o que no fundo é o que os terroristas querem.
Crianças do meu Brasil, já vivi numa ditadura . Não vi ninguém torturado nem nada assim, mas o cinza das coisas e das pessoas, as aulas mal dissimuladas de Moral e Cívica ministradas por militares mal dissimulados, ter de cantar o hino e jurar fidelidade a bandeira duas vezes por dia, aquela falsa calmaria e aquela impressão que o derrerier do mundo é aqui, ainda estão lá, impressos na memória. E veja que a nossa em comparação a tantas outras, foi , como dizem os argentinos, uma ditablanda.

Que tal voce num restaurante chique de Bagdá com sua mulher quando entra o caçulinha do BabaSaddan, e a leva embora deixando você com a incomoda escolha de enfrenta-lo e morrer espancado ali mesmo ou viver na humilhação? Meu primo Madu me diz que na Rocinha é assim, mas não vou a Rocinha .

Alguém pode dizer que o Afeganistão esta pior agora do que nos dias do Talibã?
Esse best seller ¨ O Caçador de Pipas¨ que li tem o mérito de mostrar que aquele regime nada tinha de religioso, era só uma agremiação de sádicos remanescentes das guerras afegãs, alem de alguns importados.

Claro que argumentos contra a guerra eu mesmo poderia juntar pencas e pra cada Noan Chomsky que voce me der eu te devolvo um Christopher Hitchens (alias excelente), e se um filho meu perdesse uma unha num bombardeio americano, me alistaria no Al Queda no dia segunte. Mas a historia não quer saber de mim.

Alexandre morreu na Babilônia, George Guerreiro Jr. pode ir pelo mesmo caminho.

Não importa, não termina aqui.

Friday, March 31, 2006

relespublica/da janela

Rio/CWB - 31 de março de 2006

Relespublica

Na fila do avião o príncipe herdeiro da coroa brasileira, Don Alberto de Orleans e Bragança que me é apontado pelo Guilherme.

Parece que o conheço dos livros de historia, a cara da família.

Como nós plebeus, enfrenta na fila cubana e os atrasos cada vez maiores das cias aéreas, que qualquer hora vai custar a vida de algum pobre atendente.

Devia estar pensando - Maldito Marechal Deodoro.

Da Janela

dedicado a turma da sala 10

Da janela vejo o Rio vista de cartão postal. Assim começa uma canção do amigo Cescatto que tenho orgulho de ter produzido/arranjado.

Toca na minha cabeça cada vez que olho pra fora no escritório do nosso advogado carioca, a figura de Chico Musnick. Fica num prédio alto na altura do Castelo, frente pro Pão de Açúcar e Marina do Gloria (dois nomes lindos de mulher), a direita a Lapa e Santa Thereza.

Sempre me chama atenção uma construção inacabada, um casarão enorme na parte mais alta desse bairro que em qualquer outro lugar menos dotado, seria uma atrçao maior.

Numa dimensão paralela, onde o Brasil não perdeu o trem, funciona lá uma pousada ultra chick, onde Madonna, Mick J e o sócio esperto do Bill Gates disputam a tapa um quarto.

Vista comparável a do Chico só a do posto seis, onde Nelson Motta morava e a bossa nova nasceu,Copa direção Leme, abstraindo mentalmente o Othon e o ex-Meridian.

O Rio deveria ter sido tombado pela Unesco nos anos 60, depois do aterro de Copacabana, ultima obra importante, e nada mais construído ou destruído.

No Rio de um mundo ideal, os pais de Sergio Dourado nunca se conheceram.

Tuesday, March 28, 2006

feliz aniversario

Paula - 26

Mario Vargas LLOsa - 70

Monday, March 27, 2006

a proposta de isadora

Curitiba, 26 de Março 2006

Folheio na Livraria da Travessa um livrinho que transcreve textos publicados na Internet, falsamente atribuídos a diversas pessoas.

Jabor, FHC, Caetano (que sempre pode cantar, the kid is not my son) entre outros.

Parece que atribuir a paternidade de um escrito a alguém nunca foi tão fácil, assim com o postar qualquer bobagem. Olhem quem fala.

Dias atrás o Zéduardo comentava comigo a quantidade de discursos de formatura que ouviu ao longo da vida nos quais é lido ou citado aquele famoso texto, atribuído a todo mundo de Borges a Pessoa, em que o autor diz o que faria, caso pudesse viver de novo.

Borges já nasceu velho e ansiava pela eternidade, jamais teria escrito aquilo.

Pessoa, não creio se desse ao trabalho.

Conheço um outro dialogo, real ou imaginário (importa?) entre Isadora Duncan, aquela altura a maior bailarina do mundo, e George Bernard Shaw, provavelmente o maior teatrólogo da época:

Isa, antecipando assim a eugenia genética em quase um século, propõe que ela e Shaw tenham um filho (ou filha) que herdaria a beleza da mãe e a inteligência do pai.

O velho matou:

- Minha cara senhora, acho uma péssima ideia. E que tal se ele (ou ela) herdar a inteligência da mãe e a beleza do pai?

Não sei se Isadora era realmente burra, acho que não. Li um livrinho dela engraçado e inspirado, muito embora ela tenha morrido de uma forma bastante estúpida, enforcada pela própria encharpe presa ao pneu do conversível em que viajava.

O PT veio para eleição de 2002 com uma proposta de Isadora. Traria para o poder seus valores morais e a imunidade a corrupção, fruto de uma vacina provavelmente inventada pelo Dr. Palocci a partir do bacilo cultivado, hoje sabemos, nas Prefeituras do Partido, que somados a capacidade gerencial e dos técnicos de partidos digamos, mais pragmáticos como o PL e o PFL, esse ultimo realmente com quadros eficientes, nos levaria ao paraíso sem escalas.

A época colou.

Isso explica por que dessa vez, ao contrario de 89, não houve uma mobilização contraria de gente que normalmente comeria a própria mão antes de votar ou apoiar o PT.

Onde estava o nosso George Bernard Shaw?

Monday, March 06, 2006

chansongs

Nouvelle Vague. Não poderia ter um nome mais preciso o CDzinho que caiu na minha mão, comprado pela Paula por recomendação do primo dela, o DJ Dudu Candelot.

- O andamento é bossa nova puro sangue. Fui conferir no dicionário. Bossa, antes de ser um adjetivo que remete a jeito, vocação, etc, significa corcova, protuberância ou seja, onda.

- O repertorio, cantado por 8 Astrudesinhas, uma delas brasileira, foi garimpado a olho clinico do melhor New Wave Inglês. Canções de Joy Division, New Order, Clash, Cure, Sisters of Mercy frescas como a brisa do Posto 6.

- Os produtores e multinstrumentistas franceses Marc Collin e Olivier Libaux, pais da criança, elegantemente homenageiam o tsunami cinematografico que abalou a estetica vigente, tal qual suas traduções literais abalaram as cenas musicais britanicas/brasileiras, cada qual a sua epoca/contexto.

Um Aleph sonoro onde se encontram a grey Manchester de 78, a Gauche Rive Gauche parisiense de 68 e o Leblon do final dos 50´s.

Friday, February 24, 2006

o pais das caras queimadas

Muito legal essa serie de livrinhos da coleção Reportagens Literarias da Cia das Letras, que reproduzem as grandes reportagens do Século 20.

Tinha lido o devastador " HIROSHIMA" e o clássico "A SANGUE FRIO" do Capote, que inspirou esse belo filme ai em cartaz, e que embora minimizado por tantos massacres mais recentes, è perfeito na forma.

Terminei agora o IMPERADOR do Ryzard Kapucisnky, jornalista da agencia PAP, prima pobre-polonesa da Roiters e a única minimamente independente do então bloco soviético.

Apos cobrir 27 golpes de estado, revoluções e guerras sem as credenciais nem as facilidades dos seus colegas mais a leste, Kapucisnky se mandou pra Etiópia logo do movimento militar de 74 que derrubou o último Negus, o Eleito de Deus, o Rei dos Reis, o Leão de Judá, sua Majestade Imperial Haile Selasie.

Alem desses e outros títulos tirados direto do velho testamento, Selasie recebeu de Jah em pessoa o posto de Ras Tafari, o príncipe escolhido. Dai ser cultuado pelos Rastas jamaicanos que o consideravam o Rei Negro da profecia de Marcus Gravy , aquele que uniria a raça negra dispersa desde a Babilônia. Bob Marley, muito maior como legado, o idolatrava. Chamava os USA de Babilônia, aliais tem um belo disco gravado durante uma turnê americana - Babilon by Bus, e tentou ajudar financeiramente o Imperador desempregado, mas não deixaram.

É uma graça ler a historia através de relatos dos ex-servidores do palácio, clandestinos e caçados pelo exercito golpista, num tom que nunca se divisa a ironia contida por anos de submissão da real subvserviencia, mas sempre num ar de muita desolação.

Afinal onde aqueles homens que levavam suas ocupações muitas a serio a arrumariam emprego ? Que corte do mundo aquela altura estaria precisando de um Colocador de Almofadas que passou 20 anos acomodando travesseiros em baixo dos pés imperiais para que não ficassem balançando no ar feito os de uma criança (HS era quase um anão), ou do Limpador do Xixi do Pequinês Real, que fazia questão de urinar nos sapatos dos comensais durante os banquetes, ou de um Abridor de Portas, ou ainda do serviçal que gesticulava discretamente avisandso o imperador que era hora de partir para outro compromisso ?

A Etiópia, do grego "Pais das Caras Queimadas", que era em ultima analise como os gregos se referiam a toda a África Negra, foi um império até 1974, causa e efeito de ser o único pais da Africa a não ser colonizado pelas Europas.

Por um breve período nos anos 30 foi conquistada pelo trapalhão Mussolini, e posto pra correr logo em seguida pelos guerrilheiros locais apoiados pelos ingleses, o que deve ter deixado Hitler fulo e Rommel embaraçado.

O Imperador que se refugiou em Paris durante a ocupação, assim que voltou pra casa tratou de executar os lideres da resistencia. Vergonha ou medo da concorrência.

Assim como muitos outros que terminaram mal, HS até que começou bem - quem viu o filme recente com a Kidmann e o Penn, em que um ficcticio tirano africano vaiado na ONU lembra de como anos antes, então um jovem guerrilheiro alçado ao poder, foi recebido na mesma NY com flores e confeti ?

Afinal Sua Divindade modernizou os pais , acabou com o canibalismo e outros costumes tribais como o interessante sistema judicial que consistia em se manter uma criança com supostos dons de profecia apontando criminosos nas ruas e nas casas, que eram imediatamente linchados e desmembrados pela malta . Brilhou com um histórico discurso na liga das Nações, a avó da ONU, denunciando a invasão de seu pais pela Itália, concluindo, profeticamente aos ouvintes europeus perplexos, ¨ Os próximos serão vocês¨..

Tinha alguma simpatia internacional, mas se perdeu como sempre ao nomear pelo critério da lealdade, da bajulação e pela aversão a competência e capacidade técnica, que imaginava pudessem eclipsar sua solaridade.

Talvez tenha inspirado o filme bobinho no qual o também baixote Eddie Murphy faz um rei africano, diante de quem todos se curvavam para parecerem menos altos.

O estopim do golpe foi um documentário europeu, A Fome Oculta, espécie de Hearts and Minds versão paralelo 10, que mostrava o Palácio Imperial contrastando com as choças do norte do pais, Salassye alimentado seus tigres a file minhon de antílope e as tradicionais crianças infranutridas da região.

Armazéns dos nobres especuladores cheios de comida, banquetes no palácio e mortos de fome ás moscas.

O exercito, talvez também de inicio bem intencionado, reagiu. De principio aprisionando a corte e os ministros, tudo em nome do Imperador, que ainda ainda contava com algum prestigio junto a massa que, lamentavelmente, nunca assiste documentários. depois de muito trabalho de convencimento popular, o destituíram.

Como é possível a opinião pública descolar os chefes de estado ((e )) das quadrilhas que os cercam ? O povo Etíope tal qual o russo (alem de muita gente por aqui afora) quando soube dos crimes do Big Bigode relutou em aceitar que o Chefão tinha algo a ver com suas agruras, culpando como sempre os que o cercam na clássica atitude tipo - Quando o Imperador se aperceber o que os nobres vem aprontando, tudo vai mudar.

Quem pode entender esses casamentos históricos entre alguns lideres e seus povos que se comportam como viúvas copiosas a chorar nos funerais dos Stalins, Francos, Perons e outros, depois de décadas de infidelidade conjugal e violência domestica ?

Esse descolamento explica a boa performance recente do presidente Molusco nas pesquisas de opinião.

Mas enfim, o livrinho é otimo, embora soe quase surrealista. Uma corte das 1001 noites num dos países mais pobres do mundo, na segunda metade do sec 20.

Mas, pense se tanta coisa mudou assim, ou seja, a monarquia se foi mas ficaram os reizinhos.

Li agora mesmo que o prez. da Etiópia, que pode ter sua divida cancelada graças ao trabalho de gente bem intencionada e importantíssima como Bono e Geldoff, desmarcou eleições e passou fogo na oposição.

O bom presidente de Malawi (onde fica?) acabou de trocar sua frota de Maybachs, carros alemães feitos a mão, a 350 mil retratinhos de George Washington cada.

Gostaria de ter tido tempo de perguntar ao polaco Leminsky porque seus branquelos conterrâneos que não tem tradição alguma de África como por ex. os ingleses de Índia - o que explica um Kipling - nos trazem os mais belos relatos sobre o Continente de Triste Figura. Embora bem diferentes entre si, esse aí e o Heart of the Darkness do Conrad.

O horror, O horror Cher Kurtz.

Tuesday, February 21, 2006

a cançao perfeita



aos amigos SC e RC, culpados por pelo menos quatro.

Sempre gostei daquelas geringonças feitas de pequenas lâmpadas, por onde as palavras correm ate sumirem do outro lado. Sempre me fascinaram embora nunca tenha sabido direito o nome delas. Aquelas que normalmente ficam penduradas em fachadas de prédios altos dando os flash news, antes mesmo da televisão de qualquer outro meio existente, com exceção, talvez da internet.

Gostaria de ter uma delas em formato menor, na parede da minha nova casa.

A THINK OF A BEAUTY IS A JOY FOREVER, que é a melhor definição de beleza que conheço, ficaria passando o dia inteiro.

Uma canção perfeita is a joy 4 ever. Sempre esteve lá. Alguém simplesmente as captou do ar e deu forma. As as antenas da raça de Pound.

Assim como toda a boa arte é a coisa mais simples e elaborada que existe. Nada falta , nada sobra, letra e musica como se o equilíbrio do universo dependesse disso. Funcionam tanto com um arranjo complexo quanto no formato banquinho e violão, dai o sucesso dos Umplugged que a MTV faturou anos atrás.

Eu tenho minha lista de 100 ou pouco mais canções perfeitas, restrita por economia de espaço a musica anglo- americana do período que costumo cobrir aqui no blog, seja qual for o assunto- a segunda metade do século 20 .

Isso por que o cancionario standard americano e hours concour alem de muito extenso.
Cole Porter por exemplo, nunca errou uma que eu saiba, e os Gershwin Bros, com sua leitura bíblica com sotaque de negro pobre do sul dos EUA em Aint Necessarilly So, fizeram provavelmente a mais perfeita ever.

. Deixei de lado tambem a musica brasileira, a terceira melhor do mundo , mas que sofre de desvantagem competitiva da língua, embora Insensatez ou Dindi do Tom traduzidas para o Inglês pudessem perfeitamente constar. Só não constam justamente por que estariam na categoria standard e nao no pop-rock que tratei de cobrir. .

Ai vai a minha coletânea (atenção, canções, o que pressupõe um certo andamento - R&R não vale) , que ocupariam uns 4 CDs, se alguem se desse ao trabalho.

Quem quiser que monte outra.

- Days, Waterloo Sunset, Celuloid Heroes , I go to Sleep, Dead End Street e Lola da usina de canções perfeitas que é o Raymond Douglas Davies, lider sos meus Stones favoritos, os Kinks.

- Todas as do John, 15 creio, que que citei no outro texto, plus Working Class Hero que esqueci.

- Here There and Everywhere, For No One, Yesterday , You Never Give Me Your Money, Golden Slumbers, da fase Beatles do Paul e Maybe I am Amazed, Ebony and Ivory, My Love do Pós.

- Something, Isnt it a Pitty, Beware of the Darkness e While My Guitar do Quieto George.

- God Only Knows do Brian "Arnaldo Batista" Wilson.

- Tupelo Honey, Moondance e Have I told You de Van ¨the Man¨Morrison.

- Behind Blue Eyes, Love is for Keeping, Love Reign on Me e Iam One do Nariz Townshend.

- Ocean Rain e Lips Like Sugar dos Echo and the Bunnyman, essa grande banda.

- One e Stuck in a Moment do U2.

- Everybody Hurts e Man in the Moon do REM.

- Bittersweet Sinphony do Verve (alias tambem o melhor clip)

- Memory Motel e Ruby Tuseday de Mick ¨Satin Worshiper¨ Jagger.

- Wild Horses e Locked Away do" Papa Legba " Keith Richards.

- Look Back in Anger e Wonderwall do neo beatle Noel Galagher.

- There is a Light that Never Goes Out e This Charming Man do Saladinha Morrisey.

-Cant Find My Way Home do maior musico do pop, Steve Winwood.

-Life on Mars, Ashes to Ashes e China Girl do artista do milenio, Bowie.

-Moon Over Burbon Street e Russians do irregular Sting.

- Wish you were Here e Confortablly Numb do poeta da melancolia Inglesa Roger Waters.

- Tower of Song, Who By Fire, Famous Blue Raincoat , Paper Thin Hotel para nao dizer todas do meu Bob Dylan Favorito, Lenny Cohen.

- Knocking on Heaves Door, Sahra, Just Like a Woman, Love minus Zero, Positvlley 4th st e I belive in you pra nao dizer todas o Bob ¨cha de carqueja¨ Dylan.

- The Needle and the Damage Done, Dont Let it Bring you Down , Birds e Broken Arrow do padroeiro de Seattle, Neil Young.

-Little Wing e Wind Cryes Mary do xamã interplanetário, Hendrix.

- The Dry Cleaner from Des Moines, Scarlet e Amelia da extraordinária guitarrista , cantora e pintora Johnny Mitchell.

- Wave of Mutilation, Where is my Mind e Here Comes You Man e Where is my Mind do gordo Frankie Black ou Black Francis, líder da melhor banda dos 80, meus Talking Heads favoritos, os Pixies.

- Allison,Shipbuilding, Motel Matches, Satelite, Shipbuilding e Indoor Fireworks do Mr. Krall , o arquicomposer E. Costello.

- Wait in Vain e Redemption Song do matador de sherifes, Bob Marley.

- Viva Las Vegas de Doc Pomus.

- America, Still Crazy After all These Years e Sound of Silence do Me and Mr.s Garfunkell , Paul Simon.

- Send me Someone to Love do Cole Porter do blues, Percy Maifield.

- A Change is Gonna Come de San¨Motel Matches¨ Cooke.

- Sexual Heeling, Inner City Blues, Mercy Me, de Marving ¨Isacc¨ Gaye.

- Sitting On the Dock Of the Bay do pai da guitarra Steve Cropper.

- Blind Love do freaky mor, Tom Waits .

- Me and Bobby McGee do velho hippie Kris Kristoferson.

- The Weight do Band leader, Robie Robertson .

- For Whats Worth do estranhamente esquecido, Stephen Stills.

- Only Womam Bleeds e I neer Cry da Tia Alice Cooper.

- Killing Me Softlly da Roberta Flack .

- Youre So Vain da gracinha olvidada Carly Simon.

- Have You Ever Seem the Rain do principe do banhado, John Forgetty.

- Well All Right dos Crickets, a banda de Buddy Holly.
..
- Stepping Out do esquisitao Joe Jakson.

- NY is a State of Mind, do Billy Joel.

- Perfect Day e Sweet Jane, alem de Walk on the Wild Side do queridinho do Andy, Lou Reed.

- Crying e Pretty Woman do arcanjo Roy Orbison.

- Maggie Mae dos clones Rod e Ron, os Faces (sera que o nome da banda vinha dai ??)

- One Grey Morning do verdadeiro babyface, .Ron Sexsmith.

- Rocket Man do recem casado Elton John.

- Wild World do Abdoula Cat Stevens.

- Marlene on the wall, da filha de LCohen com Joni Mitchell, Suzanne Vega.

- Me and Paul e Crazy do Touro Sentido Willie Nelsom.

- Folson Prison do manequin de funeraria Johnny Cash.

- Hurt dos Nie Inch nails.

- Hey Man do bluesman a saltimboca, Zuchero.

- Love of the Loved, Thats entertainement e You do Something to me (quem mais teria coragem de compor outra?) do maior artista recente da Inglaterra, Paul Weller.