Friday, March 31, 2006

relespublica/da janela

Rio/CWB - 31 de março de 2006

Relespublica

Na fila do avião o príncipe herdeiro da coroa brasileira, Don Alberto de Orleans e Bragança que me é apontado pelo Guilherme.

Parece que o conheço dos livros de historia, a cara da família.

Como nós plebeus, enfrenta na fila cubana e os atrasos cada vez maiores das cias aéreas, que qualquer hora vai custar a vida de algum pobre atendente.

Devia estar pensando - Maldito Marechal Deodoro.

Da Janela

dedicado a turma da sala 10

Da janela vejo o Rio vista de cartão postal. Assim começa uma canção do amigo Cescatto que tenho orgulho de ter produzido/arranjado.

Toca na minha cabeça cada vez que olho pra fora no escritório do nosso advogado carioca, a figura de Chico Musnick. Fica num prédio alto na altura do Castelo, frente pro Pão de Açúcar e Marina do Gloria (dois nomes lindos de mulher), a direita a Lapa e Santa Thereza.

Sempre me chama atenção uma construção inacabada, um casarão enorme na parte mais alta desse bairro que em qualquer outro lugar menos dotado, seria uma atrçao maior.

Numa dimensão paralela, onde o Brasil não perdeu o trem, funciona lá uma pousada ultra chick, onde Madonna, Mick J e o sócio esperto do Bill Gates disputam a tapa um quarto.

Vista comparável a do Chico só a do posto seis, onde Nelson Motta morava e a bossa nova nasceu,Copa direção Leme, abstraindo mentalmente o Othon e o ex-Meridian.

O Rio deveria ter sido tombado pela Unesco nos anos 60, depois do aterro de Copacabana, ultima obra importante, e nada mais construído ou destruído.

No Rio de um mundo ideal, os pais de Sergio Dourado nunca se conheceram.

Tuesday, March 28, 2006

feliz aniversario

Paula - 26

Mario Vargas LLOsa - 70

Monday, March 27, 2006

a proposta de isadora

Curitiba, 26 de Março 2006

Folheio na Livraria da Travessa um livrinho que transcreve textos publicados na Internet, falsamente atribuídos a diversas pessoas.

Jabor, FHC, Caetano (que sempre pode cantar, the kid is not my son) entre outros.

Parece que atribuir a paternidade de um escrito a alguém nunca foi tão fácil, assim com o postar qualquer bobagem. Olhem quem fala.

Dias atrás o Zéduardo comentava comigo a quantidade de discursos de formatura que ouviu ao longo da vida nos quais é lido ou citado aquele famoso texto, atribuído a todo mundo de Borges a Pessoa, em que o autor diz o que faria, caso pudesse viver de novo.

Borges já nasceu velho e ansiava pela eternidade, jamais teria escrito aquilo.

Pessoa, não creio se desse ao trabalho.

Conheço um outro dialogo, real ou imaginário (importa?) entre Isadora Duncan, aquela altura a maior bailarina do mundo, e George Bernard Shaw, provavelmente o maior teatrólogo da época:

Isa, antecipando assim a eugenia genética em quase um século, propõe que ela e Shaw tenham um filho (ou filha) que herdaria a beleza da mãe e a inteligência do pai.

O velho matou:

- Minha cara senhora, acho uma péssima ideia. E que tal se ele (ou ela) herdar a inteligência da mãe e a beleza do pai?

Não sei se Isadora era realmente burra, acho que não. Li um livrinho dela engraçado e inspirado, muito embora ela tenha morrido de uma forma bastante estúpida, enforcada pela própria encharpe presa ao pneu do conversível em que viajava.

O PT veio para eleição de 2002 com uma proposta de Isadora. Traria para o poder seus valores morais e a imunidade a corrupção, fruto de uma vacina provavelmente inventada pelo Dr. Palocci a partir do bacilo cultivado, hoje sabemos, nas Prefeituras do Partido, que somados a capacidade gerencial e dos técnicos de partidos digamos, mais pragmáticos como o PL e o PFL, esse ultimo realmente com quadros eficientes, nos levaria ao paraíso sem escalas.

A época colou.

Isso explica por que dessa vez, ao contrario de 89, não houve uma mobilização contraria de gente que normalmente comeria a própria mão antes de votar ou apoiar o PT.

Onde estava o nosso George Bernard Shaw?

Monday, March 06, 2006

chansongs

Nouvelle Vague. Não poderia ter um nome mais preciso o CDzinho que caiu na minha mão, comprado pela Paula por recomendação do primo dela, o DJ Dudu Candelot.

- O andamento é bossa nova puro sangue. Fui conferir no dicionário. Bossa, antes de ser um adjetivo que remete a jeito, vocação, etc, significa corcova, protuberância ou seja, onda.

- O repertorio, cantado por 8 Astrudesinhas, uma delas brasileira, foi garimpado a olho clinico do melhor New Wave Inglês. Canções de Joy Division, New Order, Clash, Cure, Sisters of Mercy frescas como a brisa do Posto 6.

- Os produtores e multinstrumentistas franceses Marc Collin e Olivier Libaux, pais da criança, elegantemente homenageiam o tsunami cinematografico que abalou a estetica vigente, tal qual suas traduções literais abalaram as cenas musicais britanicas/brasileiras, cada qual a sua epoca/contexto.

Um Aleph sonoro onde se encontram a grey Manchester de 78, a Gauche Rive Gauche parisiense de 68 e o Leblon do final dos 50´s.