
Monday, June 26, 2006
.Is it coming from the moutains ?
If I were as tal as them ? emilie dickinson
If I were as tal as them ? emilie dickinson
Desse jeito vou acabar perdendo o patrocínio que a Shell generosamente confere ao meu Blog.
É que minha implicância com o Petróleo só faz aumentar.
Veja a Noruega. Tinha estado aqui antes e isso já era o pais de maior renda per capta do mundo. Agora, sendo o terceiro maior exportador de óleo e um dos poucos que usa razoavelmente os recursos advindos dessa alta histórica do produto, a riqueza é onipresente.Nada de usar os recursos com geo- politicagem como Chávez, nem de aumentar o poder das famílias como nos petroreinos árabes (claro, ha outras exceções louváveis como Dubai e em parte o Kuwait, mas sempre há exceções), mas mesmo aqui a conta não fecha.
Pergunto ao meu amigo noruga, riquíssimo, mas que mora no Br a maior parte do tempo já que programou sua vida fiscal pra não permanecer um dia a mais do que 3 meses por ano em seu pais, o por que de, com todo esse dinheiro entrando, a tributação daqui ainda ser das mais altas que existem.Sim, há hospitais e escolas de sobra e serviços de primeira, portanto se poderia falar de imposto liquido, mas acontece que o capital não quer saber disso e vem fugindo qual bicho do fogo.O amigo ri e diz:- Damm socialists
.Ele esta certo. O imposto daqui é ideológico. E burro, pois o capital sempre pode ir embora, e vai. O trabalho fica minguando. E o óleo (felizmente), acaba.
.Conta que na pequena casa que mora quando esta aqui - sim aqui é a verdadeira democracia, " the guy next door is a plummer" diz ele - pagou tempos atrás 200 euros pro jardineiro por uma tarde de trabalho. No dia seguinte o camarada não veio terminar o trabalho, foi pescar salmão.Raciocina, se essa casa fosse uma fabrica que tem de exportar o jardim para viver, competindo com as de outros países, como seria ?Malefícios do caldinho paleozóico, os pobres continuam pobres e mal acostumados e os ricos continuam ricos ( até quando ? ) e extremamente mal acostumados.
De resto a Europa toda trabalha pouco e o único pais ocidental rico que parece querer ficar mais rico ainda , resultado do espírito idem das pessoas, é mesmo o velho Estados Unidos da America.
Mas aqui eles tem Ibsen, e Munch cujo museu é um mergulho no estranho e no humano (não são a mesma coisa, seu Willian ?) , tem os barcos Vikings que são maravilhas do design e também as paisagens mais grandiosas que esse verdes olhos bravios da minha terra natal já fitaram, os tais Fjords.Canais profundíssimos e estreitos (nenhum comandante de submarino soviético se formava até navegar incógnito por aqui) murados por montanhas de ate 2000 metros de altura de onde a neve derrete em forma de finas cascatas que parecem vir direto de Asgard.Senhor dos Anéis 3d , pra dizer o mínimo. Só faltou Wagner no I Pod.
.Esse efeito contemplativo que as montanhas têm em mim compartilho, com toda certeza, com toda raça humana. Não à toa a melhor mitologia foi produzida em regiões montanhosas, aqui e aos pés do OlimpoÈ fácil imaginar Thor brigando com os Trolls daqui de baixo.
Chego a Bergen no fim dos labirintos aquáticos, terra natal de outro Noruga topicalizado, também marítimo, que certa vez me contou uma historia esclarecedora do sucesso da Europa como continente.- Por aqui os alemães entraram la por 40 com a sutileza habitual, agravada por um certo complexo de inferioridade frente aos nórdicos. O preconceito anula a lógica antes de ser anulado por ela. Houve aqui um importante foco da resistência Norge, da qual o pai dele fez parte até ser preso e torturado. Sobreviveu e escondeu os fatos do filho até que este fizesse quarenta anos, isso já em 1980.
Indignado, perguntou ao pai por que havia demorado tanto tempo ate contar-lhe algo tão importante, tendo inclusive contado aos netos primeiro. A resposta do velho explica porque15 anos depois da guerra os turistas alemães fotografavam o cais da cidade sem ser importunados. -- Não queria que você os odiasse.
.Essa sabedoria e cumplicidade silenciosa pan européia, quase instintiva da geração que sofreu, matou e morreu na Guerra II, aplacou o rancor e o sentimento de vingança tipo seuavomatouomeuporissovoutematar , comum em outras regiões, foi que permitiu , junto com o inteligente plano Marshall que houvesse o Mercado Comum Europeu ( do qual a Noruega, por outra dessas idiossincrasias socialistas, não faz parte) ao invés de uma terceira, quarta , quinta guerra.Ninguém quer saber de matar o freguês.
Outra sobreviventes de varias guerras, pestes e enchentes, as casinhas de madeira aqui do porto, tombadas pela UNESCO, tem, pasmei, em alguns casos, 900 anos .Certo, nesse frio não há cupim que sobreviva, mas sendo Bergem o lugar que mais chove na Europa era de se esperar que elas se desmanchassem após alguns séculos.Alguns barcos Vikings retirados inteiros dos sites arqueológicos,feitos provavelmente da mesma madeira, são ainda mais velhos
.Para um bom jingle, chame os Beatles.Isn't it good ? Norwegian wood.
Veneza, 20 de Junho de 2006.
ERAM OS DEUSES INTERNAUTAS?
A minha bisavó, Antonieta Biron de Veneza,
que nunca conheci.
que nunca conheci.
Provavelmente os extraterrestres existam. O que não existem são provas conclusivas que eles existem.
É o que Carl Sagan, do alto da sua autoridade gasta as 300 e tantas paginas do ótimo O Mundo Assombrado pelos Demônios que ora leio, explicando.
Mas supondo que eles existiam e que acessem blogs, me coloco desde já a disposição para servir de guia turístico aqui na Terrinha, sem restrição de planeta de origem nem numero de tentáculos.
Não cobro muito pelos meus serviços, a cura da AIDS ou uma bomba que só mate advogados e consultores, algo assim pra mim ta bom.
E se por qualquer motivo ou compromisso intergaláctico meus cabeçudos clientes só dispuserem de um dia terrestre, sugiro que visitemos duas cidades:- Nova York e Veneza.Tenho outras favoritas, nas quais talvez me sinta mais a vontade, algumas menos obvias, mas nesse caso, estando a serviço da raça humana, gostaria de mostrar o que produzimos de mais espantoso durante nosso curto mandato planetário, assumido depois de uma boa gestão por parte dos dinossauros.
But seriously..
Joseph Brodsky que era poeta e não profeta e que, portanto não poderia prever o advento das câmaras digitais, escreveu que as ações da Kodak nunca cairiam enquanto Veneza não afundasse. Com o peso das nuvens de turistas que disneylandizam tudo o que tocam, pode ate ser que afunde mesmo.
Joseph Brodsky que era poeta e não profeta e que, portanto não poderia prever o advento das câmaras digitais, escreveu que as ações da Kodak nunca cairiam enquanto Veneza não afundasse. Com o peso das nuvens de turistas que disneylandizam tudo o que tocam, pode ate ser que afunde mesmo.
Mas não posso reclamar, quem esta aqui na época errada sou eu, não essa gente saindo pelo Maluf.O russo assim como meu amigo Cescatto , só vinha aqui no inverno e conta em seu Marca D’água que a neblina é tão espessa quando a temperatura cai que, ao sair de casa para comprar cigarro só achava o caminho de volta trilhando o mesmo túnel que abrira na ida e que não se desmanchava, se não cerca de meia hora depois.
Essa cidade vista através da bruma deve ser o mais próximo que se pode chegar de um sonho desperto. Lendo a bela descrição da cena, me imagino andando as cegas pelas pontes e caminhos estreitos, tomando cuidado para não cair na água, esbarrando numa daquelas figuras com mascaras inexpressivas, eyeswideshutianas, típicas daqui.
Essa cidade vista através da bruma deve ser o mais próximo que se pode chegar de um sonho desperto. Lendo a bela descrição da cena, me imagino andando as cegas pelas pontes e caminhos estreitos, tomando cuidado para não cair na água, esbarrando numa daquelas figuras com mascaras inexpressivas, eyeswideshutianas, típicas daqui.
Ou então topando com meu antepassado Byron molhado de nadar nos canais.
Ou Marco Pólo recém chegado da China.
Talvez Casanova fugindo da prisão.
Ou Papa Hemingway caindo de Bellini.
O velho Mann pensando na morte.
Quem sabe Henry James, ou o Napoleão em pessoa, decidindo se destrói ou não a cidade.
Ou por que não, o já citado Joseph atrás dum rabo de saia.
Todos perdidos na neblina atemporal, assim como eu.
Aqui é possível. Veneza é um daqueles lugares inexplicáveis, portanto nem vou tentar.
Assim como Berlin, que só se entende (como podia ser uma cidade dividia ao meio?) indo lá e verificando os poucos trechos onde o muro ainda existe e mergulhando no museu do Checkpoint Charlie, só decifra essa cidade voadora que vimos milhões de vezes em filmes e fotografias sem nunca te-la visto de verdade, de perto.
Mas isso não é um convite. O que Veneza não precisa é de mais marsupiais forçando a base.Desde que a classe media triunfou, primeiro nos EUA, depois na Europa, Japão e em breve na China (ai, ai,ai) e apos conquistar o mundo, o segundo carro e o quinto DVD player, passou a querer consumir avidamente cultura. Só que o Louvre, a Ufizzi, a Tate e a Academia não estão sendo aumentadas em espaço físico nem em obras, já que os gênios andam escassos
.Mas o numero de visitantes aumenta sim e exponencialmente. Cada navio que aporta aqui, em Dubrovnik ou em Peter, descarrega de uma vez só 2.000 almas pesadas, ávidas por um banho de cultura e outro de loja.
No lindo porto Croata, com mais de dez atracados de uma só vez, ao ver um bebe de colo atingido por um cotovelo sem corpo em meio a confusão para pegar o ônibus de volta ao cais, penso quão assustadoramente frágil é a convivência humana. Afinal nem eram os sérvios chegando para faxina diária, nem nada assim.
Basta romper minimamente o tecido social e lá estamos nos de novo com a clava na mão, prontos pra amassar uns crâniozinhos. Experimente apagar a luz de NYC por meia hora.
Ou gritar PCC em SP.É isso que mostra o bom, mas subestimado Guerra dos Mundos do Spielberg, que o Ricardo chamou certeiramente de Opera. Concordo com ele também quando diz que só a gentileza torna á vida humana possível.
E com o Décio Pignatari que explica o sucesso do cristianismo simplesmente pelo fato de ter sido a primeira religião, seguida de perto pelo budismo, a pregar a paz num mundo onde os próprios deuses adoravam uma briga
. De forma absolutamente inédita, um Deles se sacrificou por nos, ao invés de exigir sacrifícios.
Veja, a Terra comportava 500 milhões de bárbaros, mas não agüentaria seis bilhões, alguém tinha de interromper a espiral de vingança oferecendo a outra face.
Veja, a Terra comportava 500 milhões de bárbaros, mas não agüentaria seis bilhões, alguém tinha de interromper a espiral de vingança oferecendo a outra face.
Que depois o cristianismo tenha patrocinado guerras e massacres, é outra historia.
Já eu, só posso torcer para que Veneza não afunde, Machupichu não caia da montanha, NYC não seja desintegrada por uma bomba de Alah e que os meus clientes aliens não venham buscar de volta as Pirâmides do Egito e do México, pelo menos até que meus netos, tetranetos do lunático Lord, (aquele,bad, mad and dangerous to know), possam vê-los de perto.
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