Tuesday, May 23, 2006

leonard cohen next door

Dedicados aos amigos de Toronto




LENARD COHEN NEXT DOOR




Dedicados aos amigos de Toronto


Discutia com amigos outro dia aquela frase de Tom Jobim que é sempre invocada quando, de tempos em tempos, da vontade de abandonar essa tenstativa frustrada de pais. - "Morar no Brasil é uma droga, mas é bom. Morar no exterior (NY no caso dele) é bom, mas é uma droga, "". O Zéduardo argumentou que todos os amigos dele, endinheirados ou não, que partiram desse prum melhor, não se adaptaram e voltaram com as orelhas pra baixo.

Acredito. Somos solares, mais corteses do que a média mundial, dados a improvisação, dependente dos amigos, odiamos o anonimato e o tratamento impessoal. Somos o que o cidadão médio do primeiro mundo não é. Há exceções. Penso nos meus amigos Alex, Adri e Claudia morando bem em Toronto, mas tendo de cavar a neve para sair de casa. Enquanto vivemos dias de emoção aqui - quem precisa ir ao cinema quando temos o Jornal Nacional? - eles lêem no Toronto Star que a cidade esta sendo aterrorizada por uma gang de mascarados Racoons (guaxinins?) no cio que jogam nozes nas pessoas do alto das maple trees.


Mas quando soube que sábado passado meu herói romântico (e deles) Leonard Cohen estava autografando seu novo livro de poesias na livraria da esquina onde, coincidência ou não, comprei o antológico Beutifull Losers do próprio quando passei alguns dias na casa do Alex em 01, me deu vontade de cavar toda neve de Halifax a Vancouver.

Cohen escrevi em outro debyte, è meu Bob Dylan favorito, assim como os Kinks são meus Rolling Stones de cabeceira e os Pixies meus Talking Heads de estimação. É autor do meu verso amuleto, fundamental pra se viver em CWB que, segundo o Cescatto tem mais Vodu por m2 do que o Haiti e os pântanos da Louisiana juntos:

¨You can stick your little pins in that voodoo doll, very sorry Babe, doesn’t look like me at all¨...

É mais conhecido por aqui, se é que é como cantor americano follk. Na verdade é um poeta e escritor que canta. E canadense, assim como outros americanos famosos, entre os que me ocorrem agora, os superpianistas Gould e Peterson, o comediante Akroyd, produto da importante cena stand up Torontina que abasteceu por anos o Saturday Night Live de talentos, as cantoras Vega e Mitchell e a mais recente Peiroux, alem dos ótimos compositores Sexsmith e Wainright. Mesmo o american treasury Neil Young, é de Ontário.

Para aqueles como o Ângelo que acham que Bush derreteu o sino da liberdade pra fazer munição aviso, o velho Neil não teve seu passaporte cassado nem nada assim quando em seu recente Living with War, pediu a cabeça de GB II numa bandeira. Por muito menos um jornalista americano que ousou criticar um errado presidente sul americano com nome de monstro marinho, foi expulso na hora.

Forjado na cena poético-musical de Montreal onde desde sempre se mistura jazz e poesia, LC aprendeu alguns acordes no violão e, como Leminsky decidiu que seus versos encontrariam mais eco se cantados. Gravou umas canções num toca fita caseiro pensando em interpretes, mas acabou caindo no gosto de algum executivo da gravadora que viu charme em sua voz de barítono.


Apesar de imaginar-se dono de uma golden voice, não é, assim com o os Beatles, o retro-citado Brasileiro de Almeida e até os Casseta (não é MM??) seu melhor interprete. As duas coletâneas de covers seus - Tower of Songs e I´m Your Fan- trazem gente que ganha mais por mês do que ele nos seus 70 anos recém completos, dando duro pra merecer suas canções. Pagam tributo Bono, Sting, Elton John, Billy Joel este recuperando a belíssima Light as a Breeze, meio apagada na versão original, monocórdia de Leo.

O touro sentado Willie Nelson em Bird on a Wire, perfeita pra ele.

O perna longa de Liverpool Ian Maculoch em This Is No Way to Say Good Bye.

A esfinge Tori Amos no clássico leonardino Famous Blue Raincoat , ode a amizade perdida, que equivale à duas horas de esteira num desses testes de esforço cardíaco - se você conseguir ouvi-la inteira, sozinho as três da manhã, pode desmarcar o cardiologista pra sempre.

E talvez minha favorita, a versão Pixie para I Can´t Forget, suprema na ironia -... "I can t forget but I don’t remember what,"


Como bom judeu (eta povinho talentoso so) o homem é mestre da ironia fina. Na byroniana Who by Fire, apos as perguntas existenciais tais como:


And who by fire, who by water,

who in the sunshine,

who in the night time,

who by high ordeal,

who by common trial

who in your merry merry month of may,

who by very slow decay,

And who in her lonely slip,

who by barbiturate,

who in these realms of love ,

who by something blunt,

and who by avalanche, who by powder,

who for his greed,

who for his hunger,

And who by brave assent,

who by accident, who in solitude,

who in this mirror,

who by his lady's command,

who by his own hand,

who in mortal chains, who in power, conclui:

And Who shall I say, is calling?

Algo como: quem quer falar com ele / ela (ao telefone) ´?

By the way, concluímos numa recente digressão existencial, Zéduardo e eu, que a grande questão filosofica desse começo de século se resume em: - Cristal liquido ou plasma?


Mas back to Mr. Cohen, apesar do limitado, mas continuo sucesso musical, ele nunca parou de escrever texto.


Viveu na ilha de Hidra na Grécia onde seus seguidores, os auto intitulados Beutifull Losers se reúnem todo ano, em cia de uma mulher (Suzanne ou Marianne? you decide) e uma criança, situação que segundo descreve em Lover, Lover, Lover, o deixava kind of nervous..

Mais recentemente passou um ano no mosteiro Zen Budista de Mount Bald na Califórnia, onde cuidava da cozinha alem de é claro, da própria alma.


Justamente nesse período, em meio a privações que fizeram com que definisse e a si mesmo e aos monges numa entrevista, como marines do mundo espiritual, teve a economia da vida roubada pela própria empresaria e administradora financeira.

Nada de mais, uns 5 milhões de dólares, uma semana do trabalho de Jagger, mas ainda assim um feito e tanto em se tratando de poesia e canções idiossincráticas.

Li essa historia numa revista trazida pelo Ricardo da sua canadian tour no ano passado. A pulha teve a cara de acusar o velho de ser um superstar afetado e perdulário, logo ele que divide há anos um sobradinho com a filha, num modesto subúrbio de LA.

Cortou o coração, mas foi reconfortante ver o velho desprendido, resignado e disposto a ir à luta aos 70, violão e lápis, justamente num momento da minha vida que aos 40 me via sem forças pra dar um passo para fora de casa, mesmo não nevando muito por aqui..

Ainda tem gente que se orgulha de dizer que não tem heróis

Eu, hein.

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