Tuesday, December 18, 2007

god bless the child




Curitiba, 14 de dez 2007

(ao amigo Beto Caroço pela fundação da fundação e ao Chico Simeão por tudo que fez)

Then my father built an altar,
he looked once behind his shoulder,
he knew I would not hide.

Story of Isaac – Leonard Cohen




Nada é tão imperdoável á deuses e homens quanto o descaso e a crueldade com as crianças, embora maltratar animais seja quase tão terrivel.



Uma criança tem direito a sua maldade inata e quase instintiva que é também uma forma de moldar seu caráter, mas ao adultescermos assumimos uma obrigação moral de protegê-las de todas as manifestações do nosso lado escuro. Negar isso é exagerar aquela neurótica tendência humana de garantir o próprio futuro apenas no aspecto financeiro em detrimento de todos os outros, de forma de que a própria riqueza acabe por ser inútil.



Como na bela fábula do Rei Midas ou da Galinha dos Ovos de Ouro





.Às vezes me da vontade de ver o Deus ranzinza e vingativo do Velho Testamento reassumaindo seu Posto e destruindo umas civilizaçõezinhas por ai. Agora não mais pelo antiquado critério que usou para varrer Sodoma e Gomorra para de baixo do Mar Morto, já que não sobraria ninguém para adorá-Lo. Dessa vez torço para que Javé eleja (sob pena de ficarmos sem pais e até de sermos vaporizado junto) aquelas sociedades que não se emocionam mais com as crianças carentes das ruas, pois essas realmente merecem que Ele gire o botão do forno global ao máximo.



Isso no caso Dele ter evoluído um pouco nos últimos quatro mil anos. Não esqueçamos Quem mandou Abraão sacrificar o próprio filho, numa espécie de Provão do MEC da fé.





SERÁ que ainda pode se sentir parte da raça humana quem já não se da conta das hordas infantis que habitam por entre os automóveis jogando bolinha, dançando rap, vendendo bobagens ou simplesmente pedindo esmola, desperdiçando a saúde, a educação e a infância no altar da reles sobrevivência, que lhes deveria ser um direito por nascimento?





Leio ora a biografa de Maria Antonieta, retratada muito mais bela do que de fato nesse clip de duas horas da Sophia Coppola, e me dou conta de que ao longo da historia nem as cabecinhas coroadas foram poupadas.



Uma menina pre adolescente, peça no jogo de interesses geo- políticos da época, retirada do seio da família real austríaca e do convívio de sua mãe, a forte Maria Tereza, que dentro do possível numa corte européia do século XVII, conseguia manter certo ambiente familiar, e entregue na fronteira em casamento para um menino um pouco mais velho, tão ou mais tímido do que ela. Tudo para garantir uma ainda que efémera, aliança estratégica franco-austruhungara.





e



Um menino gordinho e desengonçado, Luis, o Delfim, príncipe de uma corte como a francesa, que já não tinha mais rainha nem qualquer referencia feminina que pudesse confortar sua noiva



Em uma Versalhes, freqüentada pela mais decadente aristocracia da Europa (que pagou com pescoço por isso) onde seu avo, Luis XV e sua depravada amante davam a letra moral.



Menino e menina impúberes, postos para dormir juntos e observados por um bando de nobres alcoviteiros escolados e escalados pela corte, ávidos por sangue.





Ele, com talvez 15 anos e tanto interesse por meninas quanto um garoto de 10 dos dias de hoje, cuja vocação real não era ser rei, mas, como de outro personagem trágico, carpinteiro.





Ela, desprezada e ridicularizada pelos nobres por não conseguir consumar o casamento, odiada pelo povo por viver da única forma que conhecia.



Nunca, disse alias, “comam brioches”. A frase é de Rousseau, proferida em sentido contrario, muito anos antes do nascimento de MA.





Não que a revolução que veio pouco depois e que tratou logo de demonizar a Rainha como bandeira, tenha sido melhor no trato das crianças. O filho do casal, que teria sido o Luis XVII da França morreu provavelmente de medo, ao ficar preso num quarto escuro por mais de um ano, faminto e atacado por piolhos, ratos e pulgas, pelo crime de ser quem era. Chacinado como os filhos do Czar Nicolau um século mais tarde.





Ocorre que na Europa de hoje, assim como nos EUA - e isso é relativamente recente, basta ler Dickens para ver que como as agora socialmente correta Inglaterra tratava seus Oliver Twist no final do século XIX - os pobres habitam as ruas tal qual no terceiro mundo, mas não se vê crianças .Algo que intriga, já que Lês Miserables de la também se reproduzem, mesmo que em menor numero que os daqui.





Pedi ao Ângelo que foi numa viagem de reconhecimento do sistema de ensino da França e Itália para que entrasse em detalhes com autoridades com quem se reunirá, de como a sociedade os mantém fora das ruas



Vamos ver o que ele diz.

2 comments:

Anonymous said...

Grata surpresa acessar seu blog logo cedo, e deparar-me com sua atualização...aguardava ansiosa!!
O tema. Confesso que de início impactante. A seguir, a triste realidade que infelizmente comove (verdadeiramente) a poucos.

A não ser nessa época de Jingle Bells, onde nossa sociedade encontra-se "ligeiramente" sensível à essas questões. Mas longe de estarem conscientes. Apenas uma questão de missão (e que missão?) cumprida.

Bjs

Unknown said...

Belo texto. Confesso que me surpreendo com suas reflexões.
E digo mais...como guitarrista você é um grande cronista...
Abs e Feliz 2008: Luis F.