O Brasil é um país amador. As ilhas de profissionalismo aqui e ali, ainda não geram energia suficiente para mudar essa triste realidade.
O Brasil é um país surrealista. Os padres que aqui voam, não voam em lugar nenhum.
A historia do padre Carli esta ai para quem quiser ler, portanto me abstenho de contá-la. Limito-me a comentá-la.
Como de resto todo mundo quando criança, a cada festa de aniversario ou ida ao Passeio Publico eu me perguntava quantos balões seriam necessário para me tirar do chão e quanto tempo até murcharem ou estourarem, unicos destinos possiveis para um balão de gas.
Dai a um adulto tentar tal proeza, me parece mais argumento de desenho animado do que prova de fé, ato de apoio a aminhoneiros injustiçados ou qualquer outra explicação aqui do reino da carne e osso.
Não faria má figura um patrocínio da Hanna Barbera ao vôo do Padre, ou mesmo da ACME, aquela corporação (American Corporation Manufacturing Everything) que fabricava os artefatos usados pelo incansável coyote na sua sempre malfadada perseguição ao Papa Léguas.
Minha experiência com balões (dos grandes) limita-se a um vôo pela estranhíssima e também surrealista região da Capadocia, na Turquia. Pude verificar todos os cuidados que aquele pessoal toma para realizar um trajeto curto e de altitude relativamente baixa, algo como 500 metros, mesmo assim apavorante.
Consta que o padre subiu incríveis 5.800 metros de altura, onde a temperatura é de 25 graus negativos e o gás de belo nome dos balões perde quase que completamente a condição de sustentabilidade. Carli teria levado um GPS que não sabia operar e nenhum colete salva vidas ou para quedas.
A sogra do meu motorista jura que, numa prova de corporativismo divino, o Padre foi direto para o céu sem o inconveniente de ter de morrer, e alguém quis saber como ele pretendia descer quando chegasse onde quer que estivesse indo. Imagino que levasse uma agulha de tricô gigante parar furar tantos balões quanto necessário e assim ir baixando.
Mas a pergunta que fica é por que as autoridades aeronauticas ou mesmo a policia não o impediram de ir ao encontro do Chefe dessa forma atabalhoada, colocando em risco outras vidas alem da sua própria. Ou você acha que o espaço aéreo pertence exclusivamente a padres birutas. Ou voce pensa que aviões têm freio.
Da próxima vez que eu pegar o vôo São Paulo/ Joinville vou rezar um terço para alem de me proteger das mudanças de portões, atrasos e pistas curtas demais, evitar que a turbina sugue algum padre voador desavisado e me mande junto com ele para O Grande Departamento Pessoal que fica, segundo a sogra do Val, há uns 5.800 metros de altitude.
1 comment:
Belo texto!!!A aventura do Padre Carli,foi assunto na imprenssa Internacional...No "Toronto Star",de Apr 23,da que acredita-se que padre esteja perdido em alguma Praia Isolada do litoral de Santa Catarina,com agua e barras de ceral suficiente para sobreviver por alguns dias....No USA Today foi....
SAO PAULO, Brazil (AP) — Hopes for finding a priest who disappeared after soaring into the air with hundreds of colorful balloons are growing slimmer, rescue officials said Wednesday.
Roman Catholic Rev. Adelir Antonio de Carli has been missing since Sunday, when he lifted off from the port city of Paranagua wearing a helmet, an aluminum thermal flight suit, waterproof coveralls and a parachute. He was seeking to break a record for the longest time in-flight with helium-filled party balloons.
Rescuers in boats, planes and helicopters continued to search off Brazil's southern coast, near where a cluster of yellow, orange, pink and white balloons was found floating in the Atlantic close to where de Carli's was when he last made contact.
"It is getting harder to hold on to our optimism," said Johnny Coelho, commander of the Penha Fire Department, which is searching for the priest. "The possibilities of finding him alive are beginning to get smaller and smaller as each day passes."
Coelho said some 30 fire department rescue workers were also scouring the "thick, almost impenetrable forests" covering several 1,300-foot mountains along the coast.
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