Thursday, June 05, 2008

russian roulete


Você desembarca num aeroporto que mais parece a rodoviária de Feira de Santana.

Embarca em uma maravilha tecnológicas soviética, dirigida de forma inconseqüente por um sujeito que faria perfeitamente o papel de gêmeo maligno do general bobinho da propaganda dos Nets.

Anda quilômetros e mais quilômetros de olho num taxímetro jackpot que certamente vai ultrapassar seu estoque de moeda local. Dado o tempo de viagem, começa a suspeitar que ao invés de para o Hotel possa estar sendo levado para um daqueles campos de treinos dos skin heads locais para servir de alvo movel, ou sendo vitima de um blitz-sequestro perpetrado por um ex-KGB desempregado.

Finalmente a visão familiar da Praça Vermelha e do Kremlin te põe mais tranqüilo, e no final tudo não passa somente da mais cara corrida de táxi da sua vida.

Assim é chegar a Moscou como eu cheguei. Uma cidade sem lá muitos atrativos à primeira vista, e ainda impregnada pela energia ruim do comunismo. Mais tarde passaríamos a admirá-la, ainda que menos do que a bela Petersburgo, da qual falo mais adiante.

Não houve aqui uma descompressão histórica modelo chinês, portanto uma das experiências mais radicais da historia em direção ao coletivismo e planejamento estrutural, trocou de sinal rápido demais para um capitalismo rude e rudimentar, agora mais organizado do que no inicio, mas ainda refém das gangs que tomaram de assalto às imensas riquezas naturais do país, em simbiose com uma ditadura personalista, bem ao gosto local.


Se os EUA nunca sofreram nenhuma interrupção democrática em sua historia, a Rússia nunca viu nascer um só dia de legalismo, trocando um czar por outro, Secretario Geral do Partido ou Primeiro Ministro, não importa o nome.

Quanta gente sabe o nome do baixote atual presidente? Já Putin, que é hoje teoricamente o segundo homem da Rússia tendo voltado ao cargo que havia ocupado under Ieltsin, esteve recentemente na França onde recebeu tratamento de chefe de estado.
Sarkosi é vaidoso mas não é bobo.

Ninguém, nem Valodia, o bacanérrimo o neto de Prestes que nos conduziu gentilmente por Moscou, conseguiu explicar direito como num pais que é uma verdadeira cornucópia de recursos naturais, uma gente cuja idade é inversamente proporcional ao numero de bilhões - e nisso só encontra rivais nos gênios pontocom americanos - se apropriou numa mal explicada e suspeitíssima privatização, das empresas estatais.

Desconfio de um misto de indicação política, informações privilegiadas de pais ou parentes que geriam os negócios na USSR ( ou seja, gente do Partido), alem do fato da meninada da KGB ser muito mais preparada do que o resto da população, falar outras linguas e conhecer, por dever de oficio, a fundo o capitalismo. E mais que nada, ter armas e saber usa-las.
Foram destribiuidos cupons de privatizacao, e quem consegui reunir um bo numero (iamgino que ninguem deu sus bonus por livre e expontanea vontade) ficou dono de, entre otras a Gaspron,maior empresa da Russia que abastece de gas as casas da europa ocidental durante o inverno.

O mal estar das pessoas comuns é evidente e cada vez mais os novou super riches tratam de comprar ativos no exterior, ações, propriedades e até times de futebol, temerosos de uma onda de revisionismo que vai ocorrer aqui cedo ou tarde.

Mas eles que viram os pais envelhecerem nas filas de vodka e outros produtos de primeira necessidade, não economizam em auto-afirmação, principalmente em tempos de matéria prima a preços astronômicos.
Automóveis de ficção - cientifica quase em mesmo numero que velhos Ladas nas ruas, e alguns dos oito belíssimos edifícios que Stalin mandou fazer para celebrar os 800 anos da capital, transformados em residências, na cidade do m2 mais caro do mundo.
Felizmente o mais impressionante deles segue sendo sede da Universidade de Moscou.

Alias esses prédios, como de resto o processo acelerado de industrialização da década de 50 que assombrou o mundo, foram feitos à base de mão de obra escrava de prisioneiros políticos e dos alemães, capturados na guerra conhecida aqui não como Segunda, mas Guerra Patriótica. Isso somado aos gênios dissidentes e também alguns cientistas alemães forçados a trabalharem confinados em institutos-prisâo, deu em Sputnik e á humanidade a nítida impressão que o futuro era vermelho.

(to be continued)

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