
Vai ser engraçado ver a esquerda brasileira no poder torcendo pelo MCain na eleição americana. É isso ou engolir a mal-criação do Obama que disse que seria tão danoso para eles depender do etanol brasileiro quanto do petróleo árabe.
Não que nossos usineiros sejam muito confiáveis, mas ao menos eles não têm filhos terroristas nem odeiam o ocidente. Espero que o velho, se eleito, diminua também as barreiras protecionistas ao capital humano tornando a questão da obtenção do visto americano mais simples.
Fomos recentemente convocados por clientes do Texas para uma conversa pessoal, a principio em Miami. Como dois dos meus colegas tinham seus vistos vencidos. Como a melhor perspectiva de serem atendidos naquela sucursal da base de Guantánamo que é o consulado de SP era para daqui a dois meses, tivemos de optar por Curaçao nas Antilhas Holandesas, definitivamente um lugar melhor para umas férias curtas do que para se trabalhar.
A ilha acabou sendo a escolha mais viável e segura, dado a rigorosa política de segurança da empresa deles que vetou o Panamá sugerido por mim, doido para conhecer o Canal.
Enquanto eles vieram de Dallas pela American, nos tivemos de voar num pterodátilo da Varig fazendo uma indigesta escala de quase oito horas no Chavezquistão, a.k.a República Bolivariana da Venezuela.
Minha primeira impressão foi boa, nada de placas e cartazes com fotos del Gran Hermano por toda parte como esperava encontrar, ao menos não na zona do aeroporto. Mas como alegria de otimista dura pouco, todos os títulos das autarquias e serviços públicos aqui, a começar pela imigração, remetem a um pretenso e pretensioso Poder Popular, que tanto estrago fez ao longo da historia.
Ao passarmos pelo Poder Popular da Alfândega, a oficial pergunta ao Phillipe se ele queria cambiar dólares por boilvares, ali a vista de todos. Nem quero imaginar o que poderia acontecer com um desavisado que tentasse passar uma nota de cem dólares a funcionaria por cima do balcão. Um amigo Venezuelano me disse que a pena de morte seria uma opção humanitária às prisões locais.
O capital corrompe, mas paréce que sua alternativa e anatema corrompe muito mais e apesar dos chavões de Chavez, não existe possibilidade de construção do Socialismo aqui ou em qualquer outro lugar.
Comentávamos Mario e eu a respeito de um livro que o presenteei ainda em SP, se nem o metódico povo germânico conseguiu, que chance teríamos os tropicais, menos afeitos ao interesse coletivo.
O livro, by the way, chama-se Stasilandia e disseca os métodos da policia política da extinta RDA. Mario que morou na Alemanha Ocidental a época da Guerra Fria, devorou-o em poucas horas durante nosso ócio bolivariano, enquanto eu lia a divertida biografia de Porfírio Rubirosa, cuja maxima era:
- Trabalhar? Impossível, simplesmente não tenho tempo
Na hora do check in para Curaçao, temos de mostrar o passaporte a um soldado armado e mal amado para ter acesso à área reservada aos balcões das companhias aéreas, coisa inedita para mim, veterano de viagens a lugares como Israel e Turquia, onde a desconfiança tem mais razão de ser.
Se visse o funcionário preenchendo os bording passes a mão, um por um caprichando na letra artesanal, Bill Gates teria se aposentado mais cedo.
Somos então extorquidos em 35 dólares per capta de taxa de embarque e ao tentar passar ao gate, uma moreninha prognata nos avisa que ainda devemos a taxa de aeroporto, mais 60 retratinhos de Washington cada. Parece que petróleo a 145 por barril esta virando bico por aqui.
Na volta mais uma escala no aeroporto, adivinhe só, Simon Bolívar.
Temos o bom senso de passar a noite nas cercanias, num hotel simples mais correto, já que subir a Caracas nos faria ter de retornar após somente 5 horas de sono, caso sobrevivêssemos ao traslado.
O Simon Bolívar esta no nível do mar e a capital quase 1000 metros de favelas acima. Em termos mais locais é como se ficasse em São Conrado e a cidade em cima do morro da Rocinha, só que muito mais alto e nada devendo em termos de improviso arquitetônico e barbárie.
Depois de amanhã faz sabe-se lá quantos anos que o verdadeiro Bolívar libertou a Venezuela, integrando-a mais tarde a Colômbia e ao Equador na chamada Gran Colômbia. O Panamá foi inventado pelos americanos que o separaram do resto para construir e explorar o canal.
O Libertador foi ajudado nessa empreitada pelo fato de Napoleão ter dominado a Espanha enfraquecendo-a, mas isso não diminui seu brilho. Byron o admirava tanto que deu a seu veleiro o nome de Bolívar.
Conta o Decio que quando D João VI diz ao filho Pedro para libertar o Brasil antes que algum aventureiro lance mão, estava mandando uma mensagem cifrada que remetia a Simão. Pode ser coisa do Decio, mas é uma boa historia.
Mas justiça historica seja feita, não da para culpar o Sargentão com cara de leão de chacara de bordel do porto de Guayquil por todas as mazelas locais.
Essa pobreza toda certamente não brotou aqui nos últimos anos. Penso que ele é mais conseqüência do que causa numa terra mimada e corrompida pelo petróleo, assim como toda uma lista de buracos negros que inclui a Arábia Saudita, Irã, Iraque, Angola, Nigéria, Cazaquistão e last but not least Russia, que parecem sempre precisar de ridículos tiranos.
Ate os anos 70 à Venezuela era o maior exportador mundial de Excremento do Diabo, alcunha dada ao petróleo pelo o fundador da OPEP, um venezuelano.
O grave é que com os preços do petroleo bartendo todos os records historicos, as politicas e a ideologia inutil do Chapolin Colorado estão fazendo o pais perder uma chance única de acertar a mão.
O que quer que Bolívar tenha tido em mente para essa terra, não é o que o Hugo Refugo esta tentando fazer dela.
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