Sunday, November 23, 2008

Friday, November 21, 2008

Thursday, November 20, 2008

Tuesday, November 18, 2008

a life in a day


a mim mesmo, pelo meu aniversario


Quase não nasci em meados do século XX. Por pouco não torrei no ventre da minha mãe, junto com o resto da raça humana.

Explico. Sou de Novembro do mesmo ano em que, em Setembro, Kennedy e Kruchev jogaram xadrez no tabuleiro do Caribe com ogivas nucleares no lugar das peças.

Nikita, a quem Fidel chamou de mariquita, derrubou o rei e não houve o xeque mate nuclear como queria o irresponsável barbudo e alguns generais americanos da linha dura e miolo-mole.
Portanto, graças a Jack que soube ser duro com o Premie russo enquanto Bob negociava com seu embaixador nos bastidores, acabei nascendo.

Não é engraçado pensar como teria sido o aftermath da Crise dos Mísseis de Cuba, caso o tricky dicky Nixon tivesse vencido as eleições de 1960 e o paranóico Stalin vivido alguns anos a mais.
Anos antes, o mesmo Nikita “Babyface” Kruchev disse num famoso discurso Мы вас похороним! - “Nos vamos enterrar vocês”, e num certo momento parecia que a historia estava ajudando a cavar o buraco.

Os USA estavam desmoralizados dentro e fora de casa por conta do Vietnã. A decadente Inglaterra pré- Maggie assistindo o sol se por cada vez mais próximo e com seu prórpio mini Vietnã na Irlanda. Cuba estava na moda e as guerras de libertação das colônias africanas e asiáticas pareciam (e em alguns casos o foram) propicias para a disseminação do comunismo em escala global.
Até mesmo países ocidentais de tradição cristã como Portugal, Argentina, Chile e a própria Itália que hospeda o Vaticano, pareciam perdidos para o outro lado, o que teria criado fronteiras ideológicas difíceis de serem administradas.
Havia ainda para aqueles que desconfiavam da burocracia soviética, a possibilidade de seguir o modelo chinês ou albanês, ou a balelas como o eurocomunismo ou o trotskismo.

Com tudo isso parecia muito mais provável uma guerra atômica antes do final do século do que o processo que veio descambar na Queda do Muro, coisa alias que ninguém ousou prever, a não ser o Ricardo, o Cescatto e eu que cantávamos nos idos de 86 um rockinho na cozinha do Sergio, e que chamávamos de brincadeira de “Para Lênin e McCartney” .
Dizia:

O Politiburo mandou avisar,
Atrás desse muro, o rock vai rolar
Na Praça Vermelha, milhões de decibéis,
O povo nas ruas, ninguém nos quartéis.

Infelizmente não registramos e perdemos a chance de sermos admitidos no seleto Panteão dos Profetas.

No ano posterior àquele em que quase não vinguei, o governador Wallace acampou na frente da Universidade Estadual do Alabama para impedir que dois jovens negros se matriculassem na instituição.
Os dois filhos de Joe despacharam os federais mesmo com risco de comprar uma briga histórica com o Sul, um ano antes da eleição, o que explica comos poucos casos na historia, a diferença entre politico e estadista.

Cinco anos mais tarde, Bob só sentiu que poderia realmente ganhar a presidência quando, apesar de seus temores, realizou um comício bem sucedido em Kansas City. Acabou morto, não no sul como o irmão, mas em LA, postergando a chegada da geração de 60 ao poder por mais 20 anos, quando certo Willian Clinton do inexpressivo Arkansas se mudou com seu charme e sua libido para aquela ampla casa da Ave. Pensilvânia.

La pelos 70 quando um daqueles raros brasileiros que viajavam para o exterior e que para nos mortais pareciam quase astronautas, amigo de meu pai, contou ter visto uma pichação em um banheiro publico em DC que dizia que em 40 anos um negro seria presidente, aquilo soou como uma remota possibilidade a partir da lógica que a população negra crescia exponencialmente e a branca a conta-gotas.

O tal oráculo sanitário se mostrou preciso, embora a profecia tenha se realizado por outros caminhos já que os brancos ainda são a maioria absoluta naquele pais.
O que se viu nada tem haver com demografia, e sim com democracia

Pode se dizer que Barack Hussein Obama não é um negro padrão, mais para Belafonte, Potier ou Denzel do que aqueles pintados a piche e obesos que costumamos ver nas ruas da América - a propósito, li que a obesidade dos afroamericans se explica pela tendência do corpo humano em acumular gordura para épocas de vacas magras, como ocorria na África ancestral onde eles passavam fome e corriam dos tigres, esbeltos e elegantes, mas, uma vez expostos a uma dieta de superalimentação e sedentarismo, deu no que deu .
Um desses chatos intelectuais brasileiros desafiou a grande nação a eleger um genuíno neto de escravos, como se o melting pot Obama não fosse mais representativo.

Até mesmo o amigo Zéduardo diz que Barack é uma criação da Light and Magic do George Lucas e não um ser de carne e osso.
Pode ser, mas o que ele queria do país que se não inventou o entertainemt, o levou as ultimas conseqüências.

Mas tirando o aspecto da cor, ja tao debatido, o que dizer de um sujeito chamado Obama ter sido eleito poucos anos depois de alguém separado por uma só letra ter posto a nação de joelhos, no mais cruel e também mais genial ataque pós Cavalo de Tróia da historia?

E que tal o middle name Hussein, que o faz homônimo do até a pouco inimigo número um da América. Parece que no final os republicanos derrotaram um Hussein e foram derrotados por outro.

Quantos anos até a França, o farol da humanidade segundo o Vanhoni, venha a ter um presidente chamado Scott Mackenzie ou Israel eleger um primeiro ministro de nome Mohamed, isso para ficar só na civilização.
Alem do mais BHO é do Norte, o primeiro presidente em muitos anos.
No BR equivaleria a ser do sul , se é que me entendem.

E pensar que até agora eu vivi apenas um pouco mais do que a metade da minha expectativa
.