Friday, August 14, 2009
Thursday, August 13, 2009
Friday, August 07, 2009
ex-terminators
Na medida em que a longevidade aumenta e que a política aos poucos deixa de ser um monopólio dos velhos, teremos mais e mais de conviver com ex-presidentes,que, como num filme de George Romero,após seus mandatos continuarão a nos assombrar por um bom tempo.
Quando Clinton assumiu em 93 lembro de ter lido que pela primeira vez na historia um presidente americano era mais jovem do que Mick Jagger.Hoje a maioria dos heróis musicais de minha geração é pelo menos dez anos mais velhos do que Obama.
Se reeleito, BO terá uns 55 anos quando se tornar, conforme a tradição americana, moralmente inelegível. Não é fácil continuar vivo já tendo ocupado o trono no topo do mundo, principalmente quando se é relativamente jovem. Será duro para ele se manter ativo para não virar um estranho como Neil Armstrong, ao mesmo tempo em que mantém a dignidade pessoal e protocolar do seu ex-cargo.
No que diz respeito à postura e comportamento só temos um ex- presidente americano no BR:FHC. Os outros, Sarney e Collor (Itamar quem?) valha-me Deus. Os militares, felizmente para nós e para eles, já se foram, evitando constrangimentos.
Enquanto Bill, como um Capitão America de verdade salva mocinhas das garras desse Fumanchu moderno, o pequeno líder Kim Jong, e o velho Amendoim Carter este sempre disposto a praticar uma boa ação em qualquer canto do mundo, Sarney e Collor fazem coisas de Sarney e Collor, só que agora em bando.
Quando Clinton assumiu em 93 lembro de ter lido que pela primeira vez na historia um presidente americano era mais jovem do que Mick Jagger.Hoje a maioria dos heróis musicais de minha geração é pelo menos dez anos mais velhos do que Obama.
Se reeleito, BO terá uns 55 anos quando se tornar, conforme a tradição americana, moralmente inelegível. Não é fácil continuar vivo já tendo ocupado o trono no topo do mundo, principalmente quando se é relativamente jovem. Será duro para ele se manter ativo para não virar um estranho como Neil Armstrong, ao mesmo tempo em que mantém a dignidade pessoal e protocolar do seu ex-cargo.
No que diz respeito à postura e comportamento só temos um ex- presidente americano no BR:FHC. Os outros, Sarney e Collor (Itamar quem?) valha-me Deus. Os militares, felizmente para nós e para eles, já se foram, evitando constrangimentos.
Enquanto Bill, como um Capitão America de verdade salva mocinhas das garras desse Fumanchu moderno, o pequeno líder Kim Jong, e o velho Amendoim Carter este sempre disposto a praticar uma boa ação em qualquer canto do mundo, Sarney e Collor fazem coisas de Sarney e Collor, só que agora em bando.
Thursday, July 23, 2009
Child of the moon
Planet earth is blue, and there is nothing i can do
DBowie – Space Oditty
Eu tinha seis anos quando a Apolo XI pousou na Lua. HQ freak que eu era, enchi dúzias de cadernos de desenho com a minha interpretação da saga lunar. Como cada desenho ocupava uma pagina inteira, devo ter dizimado alguma floresta por ai
Tinha os astronautas entrando no foguete Saturno, a decolagem, o foguete se decompondo em três partes, cápsula e o modulo lunar voando grudados em direção a Lua, o desacoplamento, o pouso da aranha, Armstrong saindo de bordo para uma volta pelo Mar da Tranqüilidade, a cabeça do modulo sendo lançada de vota ao espaço deixando o corpo para trás e para sempre na superfície lunar, a volta a Terra, a cápsula caindo de para quedas, o Porta aviões recolhendo a balsa, os astronautas desfilando num conversível sob uma chuva de papeis picados..
Tudo na interpretação pueril de menino que as amigas de minha avó, carentes de filhos e netos, tratavam como se fossem os esboços da Capela Sistina.
No Brasil pró- EUA que vivíamos era como se a bandeira enfiada no solo lunar fosse verde amarela. A imprensa ocidental fazia crer que o mundo livre tinha finalmente devolvido aos russos a bola nas costas do Sputnik., e a lua não seria enfim uma base de mísseis soviética.
No colégio nem nos dávamos conta disso. Ficávamos imaginando que la pelos 2.000 poderíamos escolher entre morar na Terra, numa daquelas bases lunares que a revista Manchete trazia em desenhos hiper realistas, ou nas mega estações espaciais que girariam no espaço ao som de Strauss, como em 2001 de Kubrick.
Astronauta era a escolha de dez entre dez garotos quando respondíamos à inevitável “o que vai ser quando crescer”.
Portanto nada poderia desapontar mais um menino de 1969 do que ser transportado 40 anos para o futuro e ver que nada daquilo ocorreu. Os maravilhosos foguetes da Classe Saturno que remetiam a Jules Verne e eram devoradas por seus filhos cápsula e aranha a cada viagem, foram substituídos por burocráticos ônibus espaciais, mais baratos e rentáveis justamente por serem reaproveitáveis. Parecendo toscos aviões, faturam uma bolada para a NASA, eparando e posicionando satélites, um fim melancólico para a Escola de Sagres do Século XX, que acabou virando um misto de oficina mecânica e empresa de entregas espaciais, uma Planet Express de Futurama.
Nada nesses quarenta anos, evoluiu como as comunicações e sua variante a mais nobre, a informática. Todas as outras conquistas tecnológicas foram quase pífias em comparação. O pouso da Águia, que assisti numa imagem borrada preto e branca de uma Telefunkem monstrenga, seria visto hoje em altíssima resolução digital num IPod do tamanho das extintas caixas de fósforo olho, beija flor e moça. . De qualquer forma duvido que recém saídos de uma Camara de criogenia ou da maquina do tempo, ficássemos impressionados com micro computadores ou celulares quando esperávamos carros voadores e naves que nos levariam por cruzeiros pelas luas de Júpiter.
Nunca saberemos ao certo o quanto a indústria que ajuda a desenvolver novas tecnologias impede em alguns momentos o avanço de outras, que seriam prejudiciais aos seus negócios. Nada de teorias conspiratórias como acreditar que a Exxon ou a Shell teriam comprado e arquivado o plano de um carro movido a suco de melancia ou algo assim, mas sempre me questionei o por que de o avião que já tem mais de cem anos e ninguem ter feito um modelo barato e fácil o suficiente para ser manejado pelas pessoas comuns.
E quanto à roupa voadora, que foi apresentada na Olimpíada de Los Angeles e depois no Sambódromo como novidade, mas que já existia desde os anos 60 e que nunca foi produzida em escala industrial. E eu que achava que aos 40, teria um guarda roupa cheio delas, nas mais diversas cores e modelitos.
Não significa que a raça humana não tenha avançado. Parafraseando não sei quem, costumo dizer que o mundo é horrível, mas nunca foi tão bom. Não trocaria a época atual por nenhuma outra e essa idéia romântica que temos do passado é muito fruto dos filmes de Hollywood que retratam um príncipe desdentado e fedorento com os dentes do Tony Curtis e as roupas impecavelmente passadas, mesmo tendo passado dias em cima de um cavalo.
Não vou retroagir aos tempos pré anestesia ou das invasões bárbaras, quando você podia acordar com um Ostrogodo ululante na sua sala de estar. Fiquemos no momento em que os rapazes da Apolo viram a bolinha azul nascendo por detrás das montanhas lunares. .
- Para um período conhecido por guerra fria, as coisas estavam bem quentes por aqui. O Vietnã habitava os corações e mentes dos jovens e inspirava um até certo ponto merecido antiamericanismo, que por pouco não pinta o mundo de vermelho. O quaker Dick e o judeu Henry com seus truques e armações, embora tenham importância histórica vistos de hoje, não ajudavam em nada melhorar a imagem do país.
-A União Soviética no mapa, parecia estar a ponto de engolir a Europa, e a juventude do continente que dava por certa uma terceira guerra em seus quintais, cultivava aquela atitude de no tomorrow.
- A America Latina disputada por guerrilheiros insanos e militares desmiolados, criava uma divida que levaria trinta anos de crescimento zero para ser paga.
- O Brasil era uma mistura de quartel e fazenda no qual os que não macaqueavam os americanos, torciam pelo Fidel, onde as pessoas que tinham algum contato com o exterior eram quase tão astronautas quanto Neil, Buzz and Mike.
Poderia se dizer que haviam naqueles anos movimentos culturais como a musica que eram elementos de transformação, e que isso se perdeu para o aspecto puramente entertainement. Não acho isso ruim e concordo com o Prof. Correia que diz que a tecnologia é hoje o fator de mudança social. Se você quiser ouvir Dylan berrando contra o Vietnã, é como se ele estivesse ali ao seu lado.
Mas quem imagina que o terrorismo islâmico ou a gripe suína sejam uma ameaça, realmente não viu nada.
DBowie – Space Oditty
Eu tinha seis anos quando a Apolo XI pousou na Lua. HQ freak que eu era, enchi dúzias de cadernos de desenho com a minha interpretação da saga lunar. Como cada desenho ocupava uma pagina inteira, devo ter dizimado alguma floresta por ai
Tinha os astronautas entrando no foguete Saturno, a decolagem, o foguete se decompondo em três partes, cápsula e o modulo lunar voando grudados em direção a Lua, o desacoplamento, o pouso da aranha, Armstrong saindo de bordo para uma volta pelo Mar da Tranqüilidade, a cabeça do modulo sendo lançada de vota ao espaço deixando o corpo para trás e para sempre na superfície lunar, a volta a Terra, a cápsula caindo de para quedas, o Porta aviões recolhendo a balsa, os astronautas desfilando num conversível sob uma chuva de papeis picados..
Tudo na interpretação pueril de menino que as amigas de minha avó, carentes de filhos e netos, tratavam como se fossem os esboços da Capela Sistina.
No Brasil pró- EUA que vivíamos era como se a bandeira enfiada no solo lunar fosse verde amarela. A imprensa ocidental fazia crer que o mundo livre tinha finalmente devolvido aos russos a bola nas costas do Sputnik., e a lua não seria enfim uma base de mísseis soviética.
No colégio nem nos dávamos conta disso. Ficávamos imaginando que la pelos 2.000 poderíamos escolher entre morar na Terra, numa daquelas bases lunares que a revista Manchete trazia em desenhos hiper realistas, ou nas mega estações espaciais que girariam no espaço ao som de Strauss, como em 2001 de Kubrick.
Astronauta era a escolha de dez entre dez garotos quando respondíamos à inevitável “o que vai ser quando crescer”.
Portanto nada poderia desapontar mais um menino de 1969 do que ser transportado 40 anos para o futuro e ver que nada daquilo ocorreu. Os maravilhosos foguetes da Classe Saturno que remetiam a Jules Verne e eram devoradas por seus filhos cápsula e aranha a cada viagem, foram substituídos por burocráticos ônibus espaciais, mais baratos e rentáveis justamente por serem reaproveitáveis. Parecendo toscos aviões, faturam uma bolada para a NASA, eparando e posicionando satélites, um fim melancólico para a Escola de Sagres do Século XX, que acabou virando um misto de oficina mecânica e empresa de entregas espaciais, uma Planet Express de Futurama.
Nada nesses quarenta anos, evoluiu como as comunicações e sua variante a mais nobre, a informática. Todas as outras conquistas tecnológicas foram quase pífias em comparação. O pouso da Águia, que assisti numa imagem borrada preto e branca de uma Telefunkem monstrenga, seria visto hoje em altíssima resolução digital num IPod do tamanho das extintas caixas de fósforo olho, beija flor e moça. . De qualquer forma duvido que recém saídos de uma Camara de criogenia ou da maquina do tempo, ficássemos impressionados com micro computadores ou celulares quando esperávamos carros voadores e naves que nos levariam por cruzeiros pelas luas de Júpiter.
Nunca saberemos ao certo o quanto a indústria que ajuda a desenvolver novas tecnologias impede em alguns momentos o avanço de outras, que seriam prejudiciais aos seus negócios. Nada de teorias conspiratórias como acreditar que a Exxon ou a Shell teriam comprado e arquivado o plano de um carro movido a suco de melancia ou algo assim, mas sempre me questionei o por que de o avião que já tem mais de cem anos e ninguem ter feito um modelo barato e fácil o suficiente para ser manejado pelas pessoas comuns.
E quanto à roupa voadora, que foi apresentada na Olimpíada de Los Angeles e depois no Sambódromo como novidade, mas que já existia desde os anos 60 e que nunca foi produzida em escala industrial. E eu que achava que aos 40, teria um guarda roupa cheio delas, nas mais diversas cores e modelitos.
Não significa que a raça humana não tenha avançado. Parafraseando não sei quem, costumo dizer que o mundo é horrível, mas nunca foi tão bom. Não trocaria a época atual por nenhuma outra e essa idéia romântica que temos do passado é muito fruto dos filmes de Hollywood que retratam um príncipe desdentado e fedorento com os dentes do Tony Curtis e as roupas impecavelmente passadas, mesmo tendo passado dias em cima de um cavalo.
Não vou retroagir aos tempos pré anestesia ou das invasões bárbaras, quando você podia acordar com um Ostrogodo ululante na sua sala de estar. Fiquemos no momento em que os rapazes da Apolo viram a bolinha azul nascendo por detrás das montanhas lunares. .
- Para um período conhecido por guerra fria, as coisas estavam bem quentes por aqui. O Vietnã habitava os corações e mentes dos jovens e inspirava um até certo ponto merecido antiamericanismo, que por pouco não pinta o mundo de vermelho. O quaker Dick e o judeu Henry com seus truques e armações, embora tenham importância histórica vistos de hoje, não ajudavam em nada melhorar a imagem do país.
-A União Soviética no mapa, parecia estar a ponto de engolir a Europa, e a juventude do continente que dava por certa uma terceira guerra em seus quintais, cultivava aquela atitude de no tomorrow.
- A America Latina disputada por guerrilheiros insanos e militares desmiolados, criava uma divida que levaria trinta anos de crescimento zero para ser paga.
- O Brasil era uma mistura de quartel e fazenda no qual os que não macaqueavam os americanos, torciam pelo Fidel, onde as pessoas que tinham algum contato com o exterior eram quase tão astronautas quanto Neil, Buzz and Mike.
Poderia se dizer que haviam naqueles anos movimentos culturais como a musica que eram elementos de transformação, e que isso se perdeu para o aspecto puramente entertainement. Não acho isso ruim e concordo com o Prof. Correia que diz que a tecnologia é hoje o fator de mudança social. Se você quiser ouvir Dylan berrando contra o Vietnã, é como se ele estivesse ali ao seu lado.
Mas quem imagina que o terrorismo islâmico ou a gripe suína sejam uma ameaça, realmente não viu nada.
Made in china – hong kong

Decio Pignatari escreveu que o que interessa na poesia é o que não e poesia. Pois é, Hong-Kong é a China, sem ser a China, mesmo sendo a China, o que a faz mais interessante que a própria China.
Explico:
Certas coisas que eu esperava ver na China continental tais como aglomeração de gente, mercados de rua vendendo monstrinhos alimentícios, boat people e juncos navegando, acabei vendo somente em Hong-Kong.
Não que essas coisas não existam nas outras cidades, só que você, restrito as áreas especiais onde os visitantes ficam confinados, não vê. Já não é necessário como até bem pouco tempo ter um guia oficial do partido colado em você, e formalmente pode-se ir onde quiser em Peking ou Shangai. Somente que as regiões onde estão os hotéis, restaurantes e escritórios são justamente as mais novas, portanto menos representativas do nosso imaginário.
Já na ilha as coisas estão menos segregadas, e a falta de espaço cria uma saudável promiscuidade. Não trabalho bem com dados, mas algo em torno de seis milhões se espremem num lugar relativamente pequeno, fazendo de HK uma cidade vertiginosa.
Um movimentadissimo sistema de barcaças e embarcações menores liga as duas margens da baia nas quais a cidade, limitada entre a montanha e o mar como um Rio de Janeiro high.-tech, cresce somente para cima, sob a forma de arranha-céus e em construções nas encostas das montanhas que nada lembram nossas favelas. Uma escada rolante publica provavelmente a mais longa do mundo faz às vezes de transporte urbano.
Aqui respira liberdade política, coisa que a anexação a China, num modelo que eles chamam de “um território, dois sistemas“, não conseguiu apagar, graças à bendita influencia britânica. Nesses dias que antecedem o aniversario do Massacre de Tiannamem, milhões de pessoas que passam por dia pelo píer das barcaças são expostas a fotos horrendas de pessoas desmembradas e da carne moída no quatro de junho de 89, alem de denuncias de tortura (chinesa já ouviu falar?) infringida a um grupo chamado Falun Gong, que se assemelha a pratica de taichi ou yoga, mas que por algum motivo é perseguido pelo PCI. O líder do improvável Partido Liberal tinha acabado de receber uma ameaça de morte que ele não atribui aos comunistas continentais:
-Eles não seriam tão estúpidos.
Encontro meu velho amigo Jon, neozelandês com passagem por Curitiba e partimos para um mundo a parte em Lantai, uma ilha próxima, onde o fato da terra ser sujeita a deslizamentos, impediu a mega especulação imobiliária que muda a face de Hong-Kong a cada ano Uma estatua no topo da montanha, espécie de Buda Redentor e um mosteiro budista são o contraponto perfeito a megalópole super-populosa.
The end.
Monday, July 20, 2009
Friday, July 10, 2009
coli porti
Eu era seu gatinho eu era seu leao,
Virei o terrorista no seu avião
Eu era o seu beatle, o seu beatnick,
Virei o iceberg do seu Titanic
Eu era seu destino, era sua sina
Me transformei no virus da gripe suina
Era você e eu, Julieta e Romeu
Tomei o meu veneno, você não tomou o seu
Eu era o seu filho, eu era seu marido
Virei o toco do cigarro do bandido.
Eu era o seu bichinho , era o seu bebe
Virei à ratazana do rio tiete
Eu era o seu príncipe eu era seu rei
Virei jê vous salue Marly Sarney
Era você e eu, Marília e Dirceu,
Eu li o seu poema, você não leu o meu
Virei o terrorista no seu avião
Eu era o seu beatle, o seu beatnick,
Virei o iceberg do seu Titanic
Eu era seu destino, era sua sina
Me transformei no virus da gripe suina
Era você e eu, Julieta e Romeu
Tomei o meu veneno, você não tomou o seu
Eu era o seu filho, eu era seu marido
Virei o toco do cigarro do bandido.
Eu era o seu bichinho , era o seu bebe
Virei à ratazana do rio tiete
Eu era o seu príncipe eu era seu rei
Virei jê vous salue Marly Sarney
Era você e eu, Marília e Dirceu,
Eu li o seu poema, você não leu o meu
Monday, July 06, 2009
Sunday, July 05, 2009
poorland
Ao polaco da barrerinha
Parei um pouco com as crônicas chinesas, mesmo a ultima parte, Hong-kong já estando no forno, para falar do fantástico filme do Wajda que assisti dias atrás.
Ele que já havia nos dado o excelente Danton – O Processo da Revolução no qual exuma o cadáver da Revolução Francesa, e que é de quebra a melhor atuação de Depardier ever, toca dessa vez numa chaga bem mais pessoal, o massacre dos oficias poloneses na floresta de Katyn – o nome do filme – pelo exercito soviético em 1940.
Wajda não é didático, à medida que não contextualiza a trama nos momentos específicos da guerra nem usa legendas explicativas típicas de cinema americano. Fez um filme para iniciados, apaixonados por história assim como eu ou os emocionados velhinhos poloneses que assistiam à mesma sessão, alguns contemporâneos ao massacre.
No início, quando os oficiais estão ainda no campo de concentração sem saber o que será deles, estamos no auge do pacto Molotov-Ribbentrop que uniu nazi-fascistas e comunistas, ideologias diametralmente opostas, portanto iguais. Subentende-se que apesar de Hitler ter começado a guerra justamente invadindo a Polônia, a região ficaria para Stalin, deixando bigode menor com o leste, com quem a Alemanha tinha contas a acertar. Bigodinho, secretamente até então como veríamos depois, queria tudo.
Bigodão, na velha lógica vermelha dos fins a qualquer meio, tratou de liquidar todos os oficiais não comunistas e católicos do exercito, afim de cooptar mais facilmente a orgulhosa nação.
Mais a frente, quando os alemães começam a culpar os sanguinários bolcheviques divulgando o massacre para a população civil clamando que só o soldado alemão defendera a Europa, mais ou menos na altura em que a milenar universidade de Cracóvia é posta de joelhos por um linguiceiro alçado a oficial da SS, o pacto já tinha sido atropelado pelos tanques da Wehrmacht que naquele momento rumavam para Moscou. Coisa aliás, que só Stalin não previu .
No final, com o fim do conflito e a Polônia definitivamente anexada ao bloco soviético, a conta do massacre passa para os alemães, culpados de muitas barbaridades mas não dessa, num processo de reinvenção histórica como os descrito por Orwell em 1984 e Animal Farm. Não que tenham convencido alguém, nem mesmo os que se alinharam com os comunistas, como aquele oficial que se redime no final com um tiro na cabeça.
A cena da carnificina em si que fecha o filme é uma magistral aula de cinema.
È um mistério da existência o por que de algumas pessoa assim como alguns povos terem essa vocação para o sofrimento. A Polônia sem pertencer a África ou em qualquer outro buraco, simplesmente por estar no caminho das potencias, passou o diabo ao longo do tempo.
Seus dois maiores cineastas, Wajda e Polanski eram crianças na guerra. Roman menino testemunhou aquela cena que depois reproduziria em O Piano em que uma moça judia pergunta educadamente ao oficial nazista para onde estavam sendo levados e recebe como resposta um tiro de Luger na cara. O destino ainda lhe reservaria outro ultra demente do século XX, Charles Manson .
Andrejz sabia que seu pai, oficial do exercito, tinha sumido durante a guerra, mas só muito depois descobriu que ele mais vinte mil haviam tombado em Katyn com uma bala na nuca, marca registrada da KGB.
Graças a Deus ambos storytellers sobreviveram para contar.
Falando em Deus, não é a toa que o papa polaco tenha promovido um acerto de contas histórico daqueles, mas isso renderia pelo menos outro texto.
Parei um pouco com as crônicas chinesas, mesmo a ultima parte, Hong-kong já estando no forno, para falar do fantástico filme do Wajda que assisti dias atrás.
Ele que já havia nos dado o excelente Danton – O Processo da Revolução no qual exuma o cadáver da Revolução Francesa, e que é de quebra a melhor atuação de Depardier ever, toca dessa vez numa chaga bem mais pessoal, o massacre dos oficias poloneses na floresta de Katyn – o nome do filme – pelo exercito soviético em 1940.
Wajda não é didático, à medida que não contextualiza a trama nos momentos específicos da guerra nem usa legendas explicativas típicas de cinema americano. Fez um filme para iniciados, apaixonados por história assim como eu ou os emocionados velhinhos poloneses que assistiam à mesma sessão, alguns contemporâneos ao massacre.
No início, quando os oficiais estão ainda no campo de concentração sem saber o que será deles, estamos no auge do pacto Molotov-Ribbentrop que uniu nazi-fascistas e comunistas, ideologias diametralmente opostas, portanto iguais. Subentende-se que apesar de Hitler ter começado a guerra justamente invadindo a Polônia, a região ficaria para Stalin, deixando bigode menor com o leste, com quem a Alemanha tinha contas a acertar. Bigodinho, secretamente até então como veríamos depois, queria tudo.
Bigodão, na velha lógica vermelha dos fins a qualquer meio, tratou de liquidar todos os oficiais não comunistas e católicos do exercito, afim de cooptar mais facilmente a orgulhosa nação.
Mais a frente, quando os alemães começam a culpar os sanguinários bolcheviques divulgando o massacre para a população civil clamando que só o soldado alemão defendera a Europa, mais ou menos na altura em que a milenar universidade de Cracóvia é posta de joelhos por um linguiceiro alçado a oficial da SS, o pacto já tinha sido atropelado pelos tanques da Wehrmacht que naquele momento rumavam para Moscou. Coisa aliás, que só Stalin não previu .
No final, com o fim do conflito e a Polônia definitivamente anexada ao bloco soviético, a conta do massacre passa para os alemães, culpados de muitas barbaridades mas não dessa, num processo de reinvenção histórica como os descrito por Orwell em 1984 e Animal Farm. Não que tenham convencido alguém, nem mesmo os que se alinharam com os comunistas, como aquele oficial que se redime no final com um tiro na cabeça.
A cena da carnificina em si que fecha o filme é uma magistral aula de cinema.
È um mistério da existência o por que de algumas pessoa assim como alguns povos terem essa vocação para o sofrimento. A Polônia sem pertencer a África ou em qualquer outro buraco, simplesmente por estar no caminho das potencias, passou o diabo ao longo do tempo.
Seus dois maiores cineastas, Wajda e Polanski eram crianças na guerra. Roman menino testemunhou aquela cena que depois reproduziria em O Piano em que uma moça judia pergunta educadamente ao oficial nazista para onde estavam sendo levados e recebe como resposta um tiro de Luger na cara. O destino ainda lhe reservaria outro ultra demente do século XX, Charles Manson .
Andrejz sabia que seu pai, oficial do exercito, tinha sumido durante a guerra, mas só muito depois descobriu que ele mais vinte mil haviam tombado em Katyn com uma bala na nuca, marca registrada da KGB.
Graças a Deus ambos storytellers sobreviveram para contar.
Falando em Deus, não é a toa que o papa polaco tenha promovido um acerto de contas histórico daqueles, mas isso renderia pelo menos outro texto.
Tuesday, June 23, 2009
Made in China - Beijing

Shangai é São Paulo, New York, Frankfurt made in China. Ao menos no que depender das autoridades chinesas que fazem o impossível para transformá-la no centro financeiro definitivo da Ásia, status que ainda compartilha com a rebelde, mal acostumada e politicamente liberal Hong Kong.
Uma espécie de resgate a tradição comercial de ex- entreposto ocidental que a cidade desfrutava ate o final dos anos 30, antes que o império japonês e mais tarde eles próprios, os comunas acabassem com a festa.
Beijing é uma Brasília, Washington ou Berlin com resquícios stalinistas, (embora o tio Joe fosse mal quisto por aqui) com prédios baixos e idênticos, que vem sendo substituídos de forma sistemática por provas arquitetônicas de riqueza, algumas surpreendente belas.
Incrível que eu, absolutamente vidrado em fatos históricos recentes, viesse parar aqui justamente uma semana antes do aniversario de 20 anos do massacre de quatro de junho, que fez com que o nome Tianamen Square, literalmente Praça da Paz Celestial, se tornasse uma das grandes ironias do século XX.
Os estudantes que de início apenas prestavam uma homenagem póstuma a um ex-figurão do regime defenestrado por ser liberal demais, acabaram por encenar uma odisseia pro democracia, assombrando a China e mundo com suas façanhas.
Entre greves de fome e pronunciamentos por melhores condições de estudo e mais liberdades individuais, construíram no centro da praça uma estátua a Deusa da Democracia, usando todo tipo de material disponível. Numa atitude altamente simbólica a estátua foi arrasada pelos blindados do reformador econômico (mas não político) Deng Xaoping., junto, ´é bom que se diga, como um grande numero de pessoas, cuja contagem permanece um mistério.
Talvez nenhuma outra imagem represente melhor a coragem humana diante da opressão do que o estudante chinês dando um baile nos tanques, pouco antes da carnificina.
Em um pais de 1,3 bi não sei que fim teria tido a Primavera de Beijing se deixada correr solta, mas vale lembrar que naquele 89 caia o Muro de Berlin e com ele todas as republicas socialistas do leste europeu, sem que Honecker ou algum general russo mais exaltado ousasse algo do gênero.
Em frente à praça, testemunha desse e outros momentos ao longo de cinco séculos, a Cidade Proibida.
Concebida como um mundo a parte de onde o imperador e seu séquito nunca saiam é, assim como a muralha, indescritível em tamanho e imponência. Mais umas daquelas coisas que as câmaras não conseguem captar e as descrições não fazem justiça.
Leio no interessante, embora cansativo 1421 que um incêndio causado por um raio na fase final da Cidade Proibida que endividou e dividiu o Império, foi interpretado pelos oportunistas mandarins com uma reprovação divina, levando-os a depor o imperador. Começava ai um longo período de isolacionismo na China, que entre outras medidas, trouxe a proibição das viagens oceânicas e a queima dos registros e compêndios dos almirantes eunucos, cuja frota de juncos armada pelo imperador deposto, teria entre outras coisas descoberto a America.
Não duvido pelas evidencias reunidas no livro. Alem do mais é incrível imaginar como seria o mundo hoje caso o tal raio fosse cair numa outra parte da cidade, como por exemplo, na casa dos mandarins.
A Muralha vista de perto, me faz supor que seja a maior obra de engenharia de todos os tempos, e nada que se tenha construído depois, hidroelétricas, arranha céus ou pontes pode se comparar, principalmente levando em conta as dificuldades do terreno e a tecnologia da época. Não subestimo o perigo representado pelo Gengis e seus centauros furiosos, mas conhecendo a raça humana, aquilo só se explica pelo fato de, como sempre, uns poucos usarem as ameaças externas como forma de manipulação, riqueza e manutenção de poder.
Grande parte dos 8.000 km construída numa região montanhosa, a tornava, embora relativamente baixa, intransponível para os mongóis. Cavaleiros em tempo integral, tinham de vencer a montanha antes de tentar escalá-la, levando flechadas das torres de vigilância chinesas, localizadas bem próximas umas das outras.
Cobrir os poucos metros entre duas delas, dado ao ângulo da superfície sobre a muralha, é uma prova de resistência para o turista desvisado, como a pobre moça de salto alto no meu grupo. Servir no exercito do imperador não era mole, acredite.
Sem mongóis para combater, os novos imperadores chineses construíram a Vila Olímpica num antigo banhado , tudo em tempo record,. Também impressiona muito mais do que pela televisão, embora que em lugar do descomunal piso de concreto que separa o Ninho do Cubo, pudessem ter feito um parque arborizado.
Seja pela crise econômica, gripe suína, feriado nacional ou uma conjunção desses fatores, quase não se vê turistas estrangeiros por aqui, somente chineses, a maioria do interior, muito provavelmente visitando a cidade grande pela primeira vez.
Depois de comer e morar a grande revolução agora é viajar, coisa inédita para as gerações precedentes, presas ao campo por agruras diversas e impossibilitados de ver o próprio pais. Agora o fazem num fluxo inverso e bem mais proveitoso ao da maldita Revolução Cultural quando os jovens da cidade eram mandados ao campo a fim de serem reeducados (?) pelos camponeses, santos e pilares do sino-comunismo
As radiações daquele período negro da historia vermelha, quando Mao e seu bando dos quatro a fim de se manterem firmes no poder, apelaram para o chauvinismo da juventude e do exercito, são muito mais perceptíveis do que em Shangai, dado ao caráter político da cidade.
Por conta dessa novidade, ocidentais são parados na rua para tirar fotos com desdentados e sorridentes arrivistas do campo, como se fossemos todos de Hollywood USA. Estudante aplicado de historia que sou e ciente de como essa gente cooptada pelos comunistas, munidos somente de enxadas e foices, expulsou para o mar o Kuomitang e suas armas americanas e britânicas em 49, aceito passivamente meus quinze minutos de fama.
TO BE CONTINUED
Friday, June 12, 2009
Friday, June 05, 2009
made in china - shangai

Blade Runner perde.
Chego a Shangai muito cedo e tenho a sorte de olhar pela janela justamente quando o avião sobrevoa o centro financeiro.
La estao a Pearl Tower, a Torre Jing Mao e aquele edifício que lembra um gigantesco abridor de garrafas, e esta entre os mais altos do mundo. O sol nascente atravessando a poluição cria uma atmosfera ainda mais acachapante ao aspecto de Manhattan futurista da cidade. Mais próximo do aeroporto, milhares de prédios baixos tipo projeto Cingapura construídos entre plantações de arroz, o que talvez explique por que a cidade foi fundada aqui nessa região alagada.
Todos a bordo estavam prevenidos quanto aos procedimentos que a China adotaria para conter a febre suína, mas nada podia nos preparar para os astronautas típicos de filme de epidemia que, pistolas a mão, sem dizer uma palavra começam a medir a laser a temperatura de cada passageiro, logo após o pouso. O pobre senhor do meu lado, provavelmente mais quente do que o mínimo permitido, leva sem qualquer formalidade um termômetro boca adentro. Naquele momento já imaginava que se houvesse no avião um torcedor do Palmeiras que fosse, iríamos parar dentro de uma bolha de contenção em alguma instalação militar na Manchúria. Scary.
Livre da quarentena e seguindo a orientação de um amigo, esqueço os taxis e tomo o Mega Leve, o trem voador que é um delicia, de zero a trezentos em segundos e em oito minutos aterriso no centro. Eis uma grande e talvez nem tão cara assim solução para aeroportos urbanos.
Noto que apesar de toda a tecnologia que faz o trem levitar por magnetismo invertido, o acesso é feito por um funcionário encarregado de mover uma cordinha de veludo daquelas de cinema antigo. Empregar 1,3 bilhões de pessoas requer contradições. Descubro com o tempo mais alguns truques utilizados pelo governo, como a lei que obriga aos hotéis manter uma pessoa em cada andar para receber os hospedes, ou o fato de os tickets das atrações serem invariavelmente conferidos por duas pessoas.
O Hyatt em que me hospedo ocupa os andares entre 54 e o 80 da Mao Jing, com vista para a kitsch Pearl Tower, o rio e o Bund, a parte antigo-ocidental de Shangai, celebrizada no Império do Sol do Spielberg, transformada hoje em um mero espectador do exagerado embora impressionante novo skyline da cidade.
A China, sabemos, é a bola da vez enquanto sociedade que se urbaniza e industrializa em um ritmo alucinante. Equivale a América do Norte do começo do século 20 ou o Japão nos anos 60/70 que cada um ao seu modo, tiraram milhões da miséria e mostraram poder ao mundo com construções mirabolantes e outras provas de grandeza.
Ocorre que aqui as proporções são chinesas. Na verdade trata-se de um ajuste de contas com a historia, de um povo que já navegava em barcos de 100 metros enquanto Colombo se equilibrava numa casquinha de noz e que construiu a Cidade Proibida e a Muralha enquanto almoçávamos uns aos outros.
Apesar dos 5000 anos de historia, os quase 60 de comunismo infantilizaram a sociedade, levada a crer que Mao era o bem, o único capaz de protegê-los do canalha Shang Kai Check encastelado em Taiwan, sempre pronto para vingar-se, alem de outros booguie man como os imperialistas ingleses e americanos.
Portanto tudo aqui é muito recente, foi-se da bicicleta para os Audis em menos de 10 anos, criando uma geração de péssimos motoristas, de vendedores que, pouco acostumados ao capitalismo que só conheceram adultos, sao insistentes e que falam demais. Os taxistas se recusam a entender nada que não seja escrito em chinês, mesmo quando são termos supra-linguistcos como Hilton ou Sheraton. Em fim, um povo que no geral tende a ser muito subserviente, e no particular um tanto rude.
Uma sociedade um tanto mirim para nosso gosto, a não ser no que diz respeito ao governo, monolítico claro, mas coeso e eficiente. Não se chega a ministro sem se ter sido por exemplo, um bom prefeito de Shangai, o que denota uma meritocracia que já era marca no império, o que não quer dizer que o partido não mantenha as orientações comunistas onde e quando lhe convém.
Dentro da velha pratica vermelha dos meios para os fins, funciona como uma eficientíssima ferramenta capitalista sem as amarras da lei ou os limites da democracia. Cem mil famílias são desalojadas por ano para dar lugar às obras de infra estrutura sem que vereadores, deputados ou juízes se coloquem contra. A própria internet wireless nos hotéis é precária, o que se explica não pela falta de tecnologia, mas de liberdade de expressão.
Já na sociedade civil tudo remete a mais rude individualismo. Uma pessoa por carro nos congestionamentos e, algo que só vi na Rússia, fingers e ônibus que dão acesso aos aviões, separados por classes. Gente pedindo esmola com criança no colo, subemprego e o mau gosto luxo/lixo próprio do dinheiro novo.
Não soube avaliar se alguma “conquista” do socialismo foi mantida, mas depois de andar por Moscou e Shangai me parece claro que quando a sociedade de classes retorna, vem ainda mais forte imperfeita do que antes.
Não estive na fabricas da periferia, mas um amigo brasileiro que trabalha com elas relata o péssimo tratamento para com os funcionários que vivem em alojamentos apinhados. Segundo ele, só se conformou quando percebeu que para aquela gente essa vida é um upgrade se comparado a dos pais que passaram fome antes e especialmente durante a primeira fase do comunismo, quando o velho Zedong dava tratos a bola.
Seus funcionários chineses, como qualquer um aqui que lide com estrangeiros, elege um nome inglês, que após um certo tempo pode ser mudado sem pré aviso. Portanto o Joe de ontem, hoje se chama Dave por que foi ver um filme americano e gostou do nome. Mais da metade do salário vai invariavelmente para a familia no interior.
Uma multinacional fez uma pesquisa dos hábitos locais e entro outras perguntas fez a seguinte indagação:
-Você esta num barco no Yang Tse que começa afundar por excesso de gente. Seu filho, sua mulher e sua mãe estão la e você só tem tempo de salvar uma pessoa. Quem seria ?
Quase que cem por cento responderam que salvariam a mãe. Explicação: você pode ter outro filho, outra mulher, mas jamais terá outra mãe.
That´s China-
TO BE CONTINUED
Saturday, May 16, 2009
Friday, May 15, 2009
just like tom thumb blues
Escrevo esse texto com a mão direita. Quebrei o polegar esquerdo num dos acidentes mais estúpidos que se pode imaginar e estou proibido de movimentar muito a mão acidentada.
Saia de um carro blindado de um amigo e, carregado de tralhas, prendi o dedo na porta. O amigo por pouco não arranca o carro e por conseqüência meu dedo, fato nada incomum segundo me informaria logo depois o medico que me atendeu no pronto socorro.
Perderia não um dedo qualquer, mas justamente aquele que nos diferencia dos outros macacos e que de certa forma tornou a civilização possível.
Provavelmente a maquina mais perfeita da criação, a mão humana é quase tão responsável pela transformação do mundo quanto o cérebro, e qualquer uma de suas cinco peças móvel é menos fundamental para seu funcionamento quanto o pequeno polegar.
Imagine que os pastores alemães fossem dotados de inteligência similar ou mesmo superior a nossa. O mundo seria adaptado as suas mandíbulas e, embora mais tosco, funcionaria a seu modo.
Mas mesmo o mais hábil e inteligente deles não seria capaz de desenhar como Gehry, Picasso ou Leonardo, tocar como Gould ou Clapton ou mesmo construir uma prosaica cadeira de madeira.
Sempre me preocupei com a possibilidade de ter, por exemplo, uma das minhas preciosas guitarras roubada, mas nunca me ocorreu da possibilidade de não poder mais tocá-las simplesmente por perder um dedo.
Faz parte de a loucura humana imaginar- se mais perene do que nossos bens.
E sempre bom ter a mão as palavras do ex-ministro, tudo agora mesmo pode estar por um segundo.
Saia de um carro blindado de um amigo e, carregado de tralhas, prendi o dedo na porta. O amigo por pouco não arranca o carro e por conseqüência meu dedo, fato nada incomum segundo me informaria logo depois o medico que me atendeu no pronto socorro.
Perderia não um dedo qualquer, mas justamente aquele que nos diferencia dos outros macacos e que de certa forma tornou a civilização possível.
Provavelmente a maquina mais perfeita da criação, a mão humana é quase tão responsável pela transformação do mundo quanto o cérebro, e qualquer uma de suas cinco peças móvel é menos fundamental para seu funcionamento quanto o pequeno polegar.
Imagine que os pastores alemães fossem dotados de inteligência similar ou mesmo superior a nossa. O mundo seria adaptado as suas mandíbulas e, embora mais tosco, funcionaria a seu modo.
Mas mesmo o mais hábil e inteligente deles não seria capaz de desenhar como Gehry, Picasso ou Leonardo, tocar como Gould ou Clapton ou mesmo construir uma prosaica cadeira de madeira.
Sempre me preocupei com a possibilidade de ter, por exemplo, uma das minhas preciosas guitarras roubada, mas nunca me ocorreu da possibilidade de não poder mais tocá-las simplesmente por perder um dedo.
Faz parte de a loucura humana imaginar- se mais perene do que nossos bens.
E sempre bom ter a mão as palavras do ex-ministro, tudo agora mesmo pode estar por um segundo.
Friday, May 01, 2009
Wednesday, April 22, 2009
Tuesday, April 21, 2009
Sunday, April 12, 2009
poeminha para o present moment
desisitir é deixar de existir
resistir é o que resta
neste final de festa.
resistir é o que resta
neste final de festa.
Monday, April 06, 2009
Saturday, April 04, 2009
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