Monday, January 12, 2009

cohencidencias (LC Next door II)






Acho que todos temos alguém que traduz nossas emoções melhor do que nós mesmos, a quem chamamos de artistas favoritos, heróis, gurus ou ídolos.
Eu tenho Leonard Norman Cohen.
Desperdicei um bom titulo para uma historia que viveria meses depois, quando chamei aqui um texto de 2006 de Leonard Cohen Next Door.
Tratava então de discorrer sobre as diferenças entre morar no exterior e viver no Brasil, todas as desvantagens de adaptação de estilo de vida para quem vai, contra as vantagens de se estar lá. Aí pegava um gancho para falar do velho herói romântico, que havia tocado na esquina da casa de meus amigos de Toronto.
Não poderia imaginar que iria comemorar meu aniversário no final do ano passado assistindo um concerto seu em Brighton, capital dos Mods britânicos, na cia de outros beautifull losers curitibanos.
Nem que, numa daquelas que passei a chamar de Cohencidencias depois de ter vivido incontáveis situações profetizadas nas letras e versos do velho, nos instalaríamos em um hotel literalmente ao lado do teatro, poupando o b. l. AV de uma caminhada desnecessária, após uma peregrinação que começara 8 horas antes em Milão .

Menos ainda que, após o show, dividíssemos o bar do Hotel com duas lendas da guitarra.
Mas, como diria um famoso nativo dessas ilhas que viveu no século retrasado e cuja identidade ainda é desconhecida, vamos por partes.
O concerto em si foi provavelmente o mais generoso que já assisti em toda uma vida de peregrinações musicais. Trajando um belo fato e um inescrutável chapéu fedora, como se constrangido por cobrar ingresso para recitar poesias, algo que com muito gosto fazia de graça nos bares da Montreal dos anos 50, Leo desfilou suas melhores canções uma a uma, palavra por palavra como só um compositor, ainda que não seja seu melhor interprete, pode fazer.
Algumas mais intimistas, de joelhos, flertando com esse ser feminino chamado platéia como se tivesse apenas uma única e derradeira chance de conquistá-la.
Bem verdade que era a penúltima performance de uma turnê que pode muito bem ser a última, já que Lenny ensaia umas corridinhas pelo palco mas definitivamente não é Lord Mick.
Dando o clima perfeito as canções mais que perfeitas, uma soberba banda dirigida pelo baixista e conterrâneo Roscoe Beck. Nos backings a parceira e musa Sharon Robinson, alem das graciosíssimas WebbSisters, dupla de Ariadnes que num certo momento interpretam sozinhas " A Thousand Kisses Deep" ao violão e harpa, observadas a queima roupa pelo maravilhado old ladies man hinself.
Aparentemente mais velho que o próprio Leo, o fantástico guitarrista flamenco Javier Mas passeia maravilhosamente pelas melodias cohenianas, que se prestam perfeitamente para escalas arabico-espanicas. Não a toa, a filha de LC chama-se Lorca.
Fico sabendo no libreto que Mas tem uma longa historia com a obra do poeta, tendo organizado varios tributos a ele em Barcelona, alguns filmados para DVD (alo Horacio).
Provavelmente também para conferir de perto sua tecnica, o Roxy Music Phil Mazanera e seu novo boss David Gilmore ali no gargarejo.
Leo, Roscoe, JM, as meninas e de resto a banda toda naquele 28 de novembro, como se em honra desse humilde fã e nas sabias palavras do prof. Corrêa a propósito de um dito andaluz, estavam com El Duende.
Mais tarde já de volta ao hotel, de novo de cara com Manzanera e Guilmore e suas respectivas, a espera de uma mesa no bar.

Na minha segunda tentativa de dialogo com o recluso Floydeano, ofereci a eles nossa vez. Já havia tentado contato na saída do show do Cream, quando ainda em transe o chamei pelo nome, sem perceber a gafe.
Dessa vez ao menos olha para mim e , do alto do panteão da guitarra, respondeu com um Ok negativo, mais seco do que o martini que tomava.
Daqui para frente torço pelo (como diz o nobre Falcão) Rogério Aquático.
Mas mesmo com minha tietagem frustrada, quero ver o Ângelo oferecer uma festa de aniversario melhor.

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