Monday, February 02, 2009

cesari go rome

Para começo de conversa, sou e sempre fui contra a pena de morte, embora compreenda que em alguns momentos da historia ela pudesse ter sido preferível as alternativas.

Penso que a sociedade deva ser melhor que as pessoas que a compõem e que tenha de basear sua praticas e leis em conceitos mais nobres do que sentimentos básicos como vingança ou retaliação.

Portanto, por mais hediondo que seja o crime cometido, após julgamento, cabe ao estado garantir uma cela digna, limpa e arejada. Espartana é claro, nada de Marcola Palace, mas nada também de superlotação ou promiscuidade, como o que se vê hoje no BR e em tantos lugares, que equivale a submeter os presos a uma pena alem da pena.

Se custa caro ao contribuinte como querem alguns, paciência, é o preço da civilização. O resto é vingança e não justiça. Lei de talião (que remete a Talibã) e ai como dizia Gandhi, acabaremos todos cegos e banguelas.

Se pensarmos bem veremos que os homens não mudaram tanto assim, que mudou foram as instituições, as leis e o respeito a elas, alem é claro da maior liberdade de expressão e a velocidade da informação.

Estamos longe do ideal, mas o ideal é sempre um ideal a ser perseguido.

Não somos intrinsecamente melhores do que os conquistadores espanhóis ou os bárbaros que tomaram Roma, temos melhores costumes e leis mais modernas, só isso.

Lembro que pouco antes que o ACM fosse dar ordens na eternidade, ameaçou a ex nora porque ela, viúva há anos, estava se relacionando com alguém. Se tivesse vivido séculos atras como um Faraó, teria com toda certeza enterrado a mulher junto com o filho e construído uma pirâmide com recursos públicos. Não o fez por que, mesmo com o poder que tinha, we the people não permitiriamos.

E quantos de nos machos manteríamos um harém como um regente otomano se fosse moralmente aceitável? As instituições (não necessariamente o governo) têm sempre de ser melhores do que nós para garantir que sejamos minimamente bons. Quando não o são, acaba invariavelmente mal.

Em 1976 os militares argentinos tomaram o poder com espírito de vingança e não de justiça. Não que o ódio fosse de todo infundado, já que as guerrilhas realmente abusaram seqüestrando e matando capitalistas e militares, forçando uma união anda mais estreita entre os dois setores.

Aelm do mais, acabaram por dar um novo espírito de corpo a caserna, na qual havia ate simpatizantes peronistas e da esquerda revolucionaria, ao atacarem quartéis e comboios militares para roubar armas.

Nada porem justifica a carnificina que veio depois, já que o Exercito poderia te-las combatido respeitando a constituição.

Já no banco dos reis, os generais justificariam as mortes alegando que os presídios não seguravam os terroristas, que empreendiam fugas espetaculares ou saiam por troca de reféns. Teria sido preferivel a pena de morte após julgamento, mas nem essa satisfação eles pareciam querer dar a sociedade.

Quanto à tortura, alegaram que era necessária para obterem-se informações, que poderiam ter sido conseguidas com um trabalho de investigação, mesmo que com resultados mais lentos.

No Peru, a prisão do auto intitulado Quarta Espada do Socialismo (os três primeiros eram os tios Lênin, Stalin e Mao) Abimael Gusman, se deveu ao trabalho da policia científica e não aos capangas de Montesinos.

Que tivessem Videla e outros construído presídios realmente seguros como o que hoje abriga Abimael em Callao e usado as forças que transformaram em quadrilhas de extermínio para proteger os alvos da guerrilha.

Ao partir para ilegalidade se tornaram super terroristas fazendo o pais de refém, trilhando, assim como a guerrilha e o chapeuzinho vermelho da fabula, o caminho mais curto.

Terminaram por fraturar definitivamente a Argentina, processo iniciado por seu inimigo Perón, anos antes.

Ocorre que Itália não é e nunca foi uma Argentina, nem Brasil ou Chile onde a repressão foi numericamente menor, mas tão brutal quanto. A anistia nesses lugares foi uma necessidade histórica, já que todos se portaram mal, uns por ação, uns por omissão e outros por indiferença ou medo.

Na Itália, as Brigadas Vermelhas e seus subprodutos atacaram um estado de direito e foram derrotadas sem (ao menos grandes ) abusos. O grupo de Batistsi, os Proletários Armados pelo Comunismo queriam implantar á bala um regime o qual os Italianos poderiam ter escolhido no voto, já que o PCI era e continuou sendo legal. Existe até hoje, embora tenha mudado de nome, provavelmente por vergonha.

A esquerda é assim mesmo, teima em nos impor seu conceito de felicidade, queiramos ou não. Em seu modo primário de ser e pensar, acaba por ser usada como pela direita, como foram os BV´s, para se livrar do incomodo Aldo Moro.

Entendo que Lula não queira ser o equivalente moderno de Herodes, entregando a cabeça de Batisti numa bandeja. Mas não se trata disso. Mesmo que gente que foi presa e torturada como Dilma, Genoino, Dirceu (Lula não, pois passou somente alguns dias preso) e outros que hoje dão as cartas, possam genuinamente ser simpáticos a idéia do asilo, não se trata de proteger um refugiado de um regime assassino.

Teria sido assim no caso dos lutadores cubanos, mas essa turma deu provas que regime assassino amigo não tem defeitos.

Ao negar a extradição de um criminoso como Batisti, deu-se veracidade aquela mística muito usada pelos filmes de Hollywood, de que qualquer coisa é só correr para o Brasil.

2 comments:

Anonymous said...

A Cesare o que é de Cesare!
Diante do ensejo, leia "Minha fuga sem fim", um romance, tão interessante quanto as reflexões sobre o conturbado contexto político dos anos 70.
Sobre o periodo de ação esquerda radical no país, Battisti relata:
“No final de 1980, abateu-se sobre a Itália a mais violenta repressão. Não vou repisar o estado de emergência, a suspensão de alguns artigos da Constituição, as execuções sumárias. Tudo isso é conhecido. Mas, nesse período, o pânico tomara conta do nosso meio carcerário e corroía o coração e a cabeça dos detentos, inclusive dos irredutíveis que não ousavam confessá-lo. Quanto a mim, estava apavorado com os súbitos sumiços de prisioneiros. (…) Alguns reapareciam dois, três meses depois, em condições psíquicas assustadoras. Outros nunca mais eram vistos”.
J.

P. said...
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