Thursday, July 23, 2009

Made in china – hong kong


Decio Pignatari escreveu que o que interessa na poesia é o que não e poesia. Pois é, Hong-Kong é a China, sem ser a China, mesmo sendo a China, o que a faz mais interessante que a própria China.

Explico:

Certas coisas que eu esperava ver na China continental tais como aglomeração de gente, mercados de rua vendendo monstrinhos alimentícios, boat people e juncos navegando, acabei vendo somente em Hong-Kong.

Não que essas coisas não existam nas outras cidades, só que você, restrito as áreas especiais onde os visitantes ficam confinados, não vê. Já não é necessário como até bem pouco tempo ter um guia oficial do partido colado em você, e formalmente pode-se ir onde quiser em Peking ou Shangai. Somente que as regiões onde estão os hotéis, restaurantes e escritórios são justamente as mais novas, portanto menos representativas do nosso imaginário.

Já na ilha as coisas estão menos segregadas, e a falta de espaço cria uma saudável promiscuidade. Não trabalho bem com dados, mas algo em torno de seis milhões se espremem num lugar relativamente pequeno, fazendo de HK uma cidade vertiginosa.

Um movimentadissimo sistema de barcaças e embarcações menores liga as duas margens da baia nas quais a cidade, limitada entre a montanha e o mar como um Rio de Janeiro high.-tech, cresce somente para cima, sob a forma de arranha-céus e em construções nas encostas das montanhas que nada lembram nossas favelas. Uma escada rolante publica provavelmente a mais longa do mundo faz às vezes de transporte urbano.

Aqui respira liberdade política, coisa que a anexação a China, num modelo que eles chamam de “um território, dois sistemas“, não conseguiu apagar, graças à bendita influencia britânica. Nesses dias que antecedem o aniversario do Massacre de Tiannamem, milhões de pessoas que passam por dia pelo píer das barcaças são expostas a fotos horrendas de pessoas desmembradas e da carne moída no quatro de junho de 89, alem de denuncias de tortura (chinesa já ouviu falar?) infringida a um grupo chamado Falun Gong, que se assemelha a pratica de taichi ou yoga, mas que por algum motivo é perseguido pelo PCI. O líder do improvável Partido Liberal tinha acabado de receber uma ameaça de morte que ele não atribui aos comunistas continentais:

-Eles não seriam tão estúpidos.

Encontro meu velho amigo Jon, neozelandês com passagem por Curitiba e partimos para um mundo a parte em Lantai, uma ilha próxima, onde o fato da terra ser sujeita a deslizamentos, impediu a mega especulação imobiliária que muda a face de Hong-Kong a cada ano Uma estatua no topo da montanha, espécie de Buda Redentor e um mosteiro budista são o contraponto perfeito a megalópole super-populosa.

The end.

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