Thursday, February 19, 2009

1944 do segundo tempo


Não gostei muito da Operação Valquíria do Brian Singer, staring Tom Cruise.

Alguém perguntou, mas o que você queria,
que Hitler morresse no final?

Não, claro que não, até por que sabemos – a não ser que você é daqueles que acredita em teorias estrambóticas - que nove meses depois, ele morreria de verdade numa circunstancia patética em seu bunker de Berlin, descrita em minúcias num filme recente, muito melhor do que esse.

Talvez, como disse o Professor, a estória em si seja tão anticlimática que nem merecesse o esforço, mas o que me incomoda é o tratamento X Man que o diretor dá aos conspiradores.
Naquela situação, quando a guerra já estava perdida, os russos a alcance de um tiro de fuzil e a França liberada, me parece muito mais uma tentativa de salvar a pele do que propriamente a Alemanha.

Mas por falar em salvação, a meu ver, três cenas escapam

1) A que Hitler no Ninho da Águia cita Wagner como fundamental para se entender o nacional socialismo.


2) A em que TC, forçado a saudar o fuhrer, levanta o braço direito expondo o que sobrou da mão perdida no norte da África.

3) E aquela em que o oficial que vai prender Goebels, que just in case prepara uma cápsula de cianureto, atende um telefonema do diabo em pessoa e muda o rumo do pustch.

Essa ultima serve para lembrar que a historia é assim mesmo, às vezes decidia num lance menor.

Se a ligação não fosse possível dado a precariedade das comunicações a época, ou se Hitler, mesmo não morrendo, tivesse ficado inconsciente, o golpe teria tido sucesso.

Aqui no BR em 1977, o futuro do regime militar foi decidido por uma contagem favorável de generais que se dirigiu ao Palácio do Planalto prestar lealdade a Geisel. Se tivessem tomado o caminho do ministério do exercito apoiar Silvio Frota, poderíamos ter ido pelo caminho da Argentina. Simples como isso.

Ouvi de uma fonte bem confiável que Figueiredo ganhou definitivamente a simpatia de Geisel para substituí-lo, ao juntar um numero maior de generais do que a turma do ministro deposto e com a faca nos dentes.

A mesma fonte, sobrinho de um dos protagonistas do período militar, jura que em 1964 a caserna ainda estava dividida quanto a dar ou não o golpe, mesmo depois que Jango subvertendo a hierarquia apoiando os marinheiros insubordinados, os provocou naquilo que lhes é mais sagrado.

O auto intitulado vaca fardada General Mourão tomou o rumo do o Rio com suas tropas sem consultar ninguém, colocando seus colegas no dilema de apoiá-lo ou bombardeá-lo.

Mas, back to the movie, eu poderia admirar aquela gente se tivessem ido contra Hitler em 1940, quando a maioria dos alemães ainda se encantava como o canto de Loreley do Nacional-Socialismo.

Mas aos 1944 do segundo tempo, me parecem mais com ratos abandonando o Bismark ou o Graff Spee do que Charles Xavier ou Wolverine.

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Monday, February 02, 2009

PMDBeasts

Ao amigo PRC, que sabe do que estou falando

Com a saúde frágil do vice e a linha sucessória nas mãos das bestas do após-colapso do PMDB, só nos resta desejar vida longa ao Lula.

cesari go rome

Para começo de conversa, sou e sempre fui contra a pena de morte, embora compreenda que em alguns momentos da historia ela pudesse ter sido preferível as alternativas.

Penso que a sociedade deva ser melhor que as pessoas que a compõem e que tenha de basear sua praticas e leis em conceitos mais nobres do que sentimentos básicos como vingança ou retaliação.

Portanto, por mais hediondo que seja o crime cometido, após julgamento, cabe ao estado garantir uma cela digna, limpa e arejada. Espartana é claro, nada de Marcola Palace, mas nada também de superlotação ou promiscuidade, como o que se vê hoje no BR e em tantos lugares, que equivale a submeter os presos a uma pena alem da pena.

Se custa caro ao contribuinte como querem alguns, paciência, é o preço da civilização. O resto é vingança e não justiça. Lei de talião (que remete a Talibã) e ai como dizia Gandhi, acabaremos todos cegos e banguelas.

Se pensarmos bem veremos que os homens não mudaram tanto assim, que mudou foram as instituições, as leis e o respeito a elas, alem é claro da maior liberdade de expressão e a velocidade da informação.

Estamos longe do ideal, mas o ideal é sempre um ideal a ser perseguido.

Não somos intrinsecamente melhores do que os conquistadores espanhóis ou os bárbaros que tomaram Roma, temos melhores costumes e leis mais modernas, só isso.

Lembro que pouco antes que o ACM fosse dar ordens na eternidade, ameaçou a ex nora porque ela, viúva há anos, estava se relacionando com alguém. Se tivesse vivido séculos atras como um Faraó, teria com toda certeza enterrado a mulher junto com o filho e construído uma pirâmide com recursos públicos. Não o fez por que, mesmo com o poder que tinha, we the people não permitiriamos.

E quantos de nos machos manteríamos um harém como um regente otomano se fosse moralmente aceitável? As instituições (não necessariamente o governo) têm sempre de ser melhores do que nós para garantir que sejamos minimamente bons. Quando não o são, acaba invariavelmente mal.

Em 1976 os militares argentinos tomaram o poder com espírito de vingança e não de justiça. Não que o ódio fosse de todo infundado, já que as guerrilhas realmente abusaram seqüestrando e matando capitalistas e militares, forçando uma união anda mais estreita entre os dois setores.

Aelm do mais, acabaram por dar um novo espírito de corpo a caserna, na qual havia ate simpatizantes peronistas e da esquerda revolucionaria, ao atacarem quartéis e comboios militares para roubar armas.

Nada porem justifica a carnificina que veio depois, já que o Exercito poderia te-las combatido respeitando a constituição.

Já no banco dos reis, os generais justificariam as mortes alegando que os presídios não seguravam os terroristas, que empreendiam fugas espetaculares ou saiam por troca de reféns. Teria sido preferivel a pena de morte após julgamento, mas nem essa satisfação eles pareciam querer dar a sociedade.

Quanto à tortura, alegaram que era necessária para obterem-se informações, que poderiam ter sido conseguidas com um trabalho de investigação, mesmo que com resultados mais lentos.

No Peru, a prisão do auto intitulado Quarta Espada do Socialismo (os três primeiros eram os tios Lênin, Stalin e Mao) Abimael Gusman, se deveu ao trabalho da policia científica e não aos capangas de Montesinos.

Que tivessem Videla e outros construído presídios realmente seguros como o que hoje abriga Abimael em Callao e usado as forças que transformaram em quadrilhas de extermínio para proteger os alvos da guerrilha.

Ao partir para ilegalidade se tornaram super terroristas fazendo o pais de refém, trilhando, assim como a guerrilha e o chapeuzinho vermelho da fabula, o caminho mais curto.

Terminaram por fraturar definitivamente a Argentina, processo iniciado por seu inimigo Perón, anos antes.

Ocorre que Itália não é e nunca foi uma Argentina, nem Brasil ou Chile onde a repressão foi numericamente menor, mas tão brutal quanto. A anistia nesses lugares foi uma necessidade histórica, já que todos se portaram mal, uns por ação, uns por omissão e outros por indiferença ou medo.

Na Itália, as Brigadas Vermelhas e seus subprodutos atacaram um estado de direito e foram derrotadas sem (ao menos grandes ) abusos. O grupo de Batistsi, os Proletários Armados pelo Comunismo queriam implantar á bala um regime o qual os Italianos poderiam ter escolhido no voto, já que o PCI era e continuou sendo legal. Existe até hoje, embora tenha mudado de nome, provavelmente por vergonha.

A esquerda é assim mesmo, teima em nos impor seu conceito de felicidade, queiramos ou não. Em seu modo primário de ser e pensar, acaba por ser usada como pela direita, como foram os BV´s, para se livrar do incomodo Aldo Moro.

Entendo que Lula não queira ser o equivalente moderno de Herodes, entregando a cabeça de Batisti numa bandeja. Mas não se trata disso. Mesmo que gente que foi presa e torturada como Dilma, Genoino, Dirceu (Lula não, pois passou somente alguns dias preso) e outros que hoje dão as cartas, possam genuinamente ser simpáticos a idéia do asilo, não se trata de proteger um refugiado de um regime assassino.

Teria sido assim no caso dos lutadores cubanos, mas essa turma deu provas que regime assassino amigo não tem defeitos.

Ao negar a extradição de um criminoso como Batisti, deu-se veracidade aquela mística muito usada pelos filmes de Hollywood, de que qualquer coisa é só correr para o Brasil.