Planet earth is blue, and there is nothing i can do
DBowie – Space Oditty
Eu tinha seis anos quando a Apolo XI pousou na Lua. HQ freak que eu era, enchi dúzias de cadernos de desenho com a minha interpretação da saga lunar. Como cada desenho ocupava uma pagina inteira, devo ter dizimado alguma floresta por ai
Tinha os astronautas entrando no foguete Saturno, a decolagem, o foguete se decompondo em três partes, cápsula e o modulo lunar voando grudados em direção a Lua, o desacoplamento, o pouso da aranha, Armstrong saindo de bordo para uma volta pelo Mar da Tranqüilidade, a cabeça do modulo sendo lançada de vota ao espaço deixando o corpo para trás e para sempre na superfície lunar, a volta a Terra, a cápsula caindo de para quedas, o Porta aviões recolhendo a balsa, os astronautas desfilando num conversível sob uma chuva de papeis picados..
Tudo na interpretação pueril de menino que as amigas de minha avó, carentes de filhos e netos, tratavam como se fossem os esboços da Capela Sistina.
No Brasil pró- EUA que vivíamos era como se a bandeira enfiada no solo lunar fosse verde amarela. A imprensa ocidental fazia crer que o mundo livre tinha finalmente devolvido aos russos a bola nas costas do Sputnik., e a lua não seria enfim uma base de mísseis soviética.
No colégio nem nos dávamos conta disso. Ficávamos imaginando que la pelos 2.000 poderíamos escolher entre morar na Terra, numa daquelas bases lunares que a revista Manchete trazia em desenhos hiper realistas, ou nas mega estações espaciais que girariam no espaço ao som de Strauss, como em 2001 de Kubrick.
Astronauta era a escolha de dez entre dez garotos quando respondíamos à inevitável “o que vai ser quando crescer”.
Portanto nada poderia desapontar mais um menino de 1969 do que ser transportado 40 anos para o futuro e ver que nada daquilo ocorreu. Os maravilhosos foguetes da Classe Saturno que remetiam a Jules Verne e eram devoradas por seus filhos cápsula e aranha a cada viagem, foram substituídos por burocráticos ônibus espaciais, mais baratos e rentáveis justamente por serem reaproveitáveis. Parecendo toscos aviões, faturam uma bolada para a NASA, eparando e posicionando satélites, um fim melancólico para a Escola de Sagres do Século XX, que acabou virando um misto de oficina mecânica e empresa de entregas espaciais, uma Planet Express de Futurama.
Nada nesses quarenta anos, evoluiu como as comunicações e sua variante a mais nobre, a informática. Todas as outras conquistas tecnológicas foram quase pífias em comparação. O pouso da Águia, que assisti numa imagem borrada preto e branca de uma Telefunkem monstrenga, seria visto hoje em altíssima resolução digital num IPod do tamanho das extintas caixas de fósforo olho, beija flor e moça. . De qualquer forma duvido que recém saídos de uma Camara de criogenia ou da maquina do tempo, ficássemos impressionados com micro computadores ou celulares quando esperávamos carros voadores e naves que nos levariam por cruzeiros pelas luas de Júpiter.
Nunca saberemos ao certo o quanto a indústria que ajuda a desenvolver novas tecnologias impede em alguns momentos o avanço de outras, que seriam prejudiciais aos seus negócios. Nada de teorias conspiratórias como acreditar que a Exxon ou a Shell teriam comprado e arquivado o plano de um carro movido a suco de melancia ou algo assim, mas sempre me questionei o por que de o avião que já tem mais de cem anos e ninguem ter feito um modelo barato e fácil o suficiente para ser manejado pelas pessoas comuns.
E quanto à roupa voadora, que foi apresentada na Olimpíada de Los Angeles e depois no Sambódromo como novidade, mas que já existia desde os anos 60 e que nunca foi produzida em escala industrial. E eu que achava que aos 40, teria um guarda roupa cheio delas, nas mais diversas cores e modelitos.
Não significa que a raça humana não tenha avançado. Parafraseando não sei quem, costumo dizer que o mundo é horrível, mas nunca foi tão bom. Não trocaria a época atual por nenhuma outra e essa idéia romântica que temos do passado é muito fruto dos filmes de Hollywood que retratam um príncipe desdentado e fedorento com os dentes do Tony Curtis e as roupas impecavelmente passadas, mesmo tendo passado dias em cima de um cavalo.
Não vou retroagir aos tempos pré anestesia ou das invasões bárbaras, quando você podia acordar com um Ostrogodo ululante na sua sala de estar. Fiquemos no momento em que os rapazes da Apolo viram a bolinha azul nascendo por detrás das montanhas lunares. .
- Para um período conhecido por guerra fria, as coisas estavam bem quentes por aqui. O Vietnã habitava os corações e mentes dos jovens e inspirava um até certo ponto merecido antiamericanismo, que por pouco não pinta o mundo de vermelho. O quaker Dick e o judeu Henry com seus truques e armações, embora tenham importância histórica vistos de hoje, não ajudavam em nada melhorar a imagem do país.
-A União Soviética no mapa, parecia estar a ponto de engolir a Europa, e a juventude do continente que dava por certa uma terceira guerra em seus quintais, cultivava aquela atitude de no tomorrow.
- A America Latina disputada por guerrilheiros insanos e militares desmiolados, criava uma divida que levaria trinta anos de crescimento zero para ser paga.
- O Brasil era uma mistura de quartel e fazenda no qual os que não macaqueavam os americanos, torciam pelo Fidel, onde as pessoas que tinham algum contato com o exterior eram quase tão astronautas quanto Neil, Buzz and Mike.
Poderia se dizer que haviam naqueles anos movimentos culturais como a musica que eram elementos de transformação, e que isso se perdeu para o aspecto puramente entertainement. Não acho isso ruim e concordo com o Prof. Correia que diz que a tecnologia é hoje o fator de mudança social. Se você quiser ouvir Dylan berrando contra o Vietnã, é como se ele estivesse ali ao seu lado.
Mas quem imagina que o terrorismo islâmico ou a gripe suína sejam uma ameaça, realmente não viu nada.
DBowie – Space Oditty
Eu tinha seis anos quando a Apolo XI pousou na Lua. HQ freak que eu era, enchi dúzias de cadernos de desenho com a minha interpretação da saga lunar. Como cada desenho ocupava uma pagina inteira, devo ter dizimado alguma floresta por ai
Tinha os astronautas entrando no foguete Saturno, a decolagem, o foguete se decompondo em três partes, cápsula e o modulo lunar voando grudados em direção a Lua, o desacoplamento, o pouso da aranha, Armstrong saindo de bordo para uma volta pelo Mar da Tranqüilidade, a cabeça do modulo sendo lançada de vota ao espaço deixando o corpo para trás e para sempre na superfície lunar, a volta a Terra, a cápsula caindo de para quedas, o Porta aviões recolhendo a balsa, os astronautas desfilando num conversível sob uma chuva de papeis picados..
Tudo na interpretação pueril de menino que as amigas de minha avó, carentes de filhos e netos, tratavam como se fossem os esboços da Capela Sistina.
No Brasil pró- EUA que vivíamos era como se a bandeira enfiada no solo lunar fosse verde amarela. A imprensa ocidental fazia crer que o mundo livre tinha finalmente devolvido aos russos a bola nas costas do Sputnik., e a lua não seria enfim uma base de mísseis soviética.
No colégio nem nos dávamos conta disso. Ficávamos imaginando que la pelos 2.000 poderíamos escolher entre morar na Terra, numa daquelas bases lunares que a revista Manchete trazia em desenhos hiper realistas, ou nas mega estações espaciais que girariam no espaço ao som de Strauss, como em 2001 de Kubrick.
Astronauta era a escolha de dez entre dez garotos quando respondíamos à inevitável “o que vai ser quando crescer”.
Portanto nada poderia desapontar mais um menino de 1969 do que ser transportado 40 anos para o futuro e ver que nada daquilo ocorreu. Os maravilhosos foguetes da Classe Saturno que remetiam a Jules Verne e eram devoradas por seus filhos cápsula e aranha a cada viagem, foram substituídos por burocráticos ônibus espaciais, mais baratos e rentáveis justamente por serem reaproveitáveis. Parecendo toscos aviões, faturam uma bolada para a NASA, eparando e posicionando satélites, um fim melancólico para a Escola de Sagres do Século XX, que acabou virando um misto de oficina mecânica e empresa de entregas espaciais, uma Planet Express de Futurama.
Nada nesses quarenta anos, evoluiu como as comunicações e sua variante a mais nobre, a informática. Todas as outras conquistas tecnológicas foram quase pífias em comparação. O pouso da Águia, que assisti numa imagem borrada preto e branca de uma Telefunkem monstrenga, seria visto hoje em altíssima resolução digital num IPod do tamanho das extintas caixas de fósforo olho, beija flor e moça. . De qualquer forma duvido que recém saídos de uma Camara de criogenia ou da maquina do tempo, ficássemos impressionados com micro computadores ou celulares quando esperávamos carros voadores e naves que nos levariam por cruzeiros pelas luas de Júpiter.
Nunca saberemos ao certo o quanto a indústria que ajuda a desenvolver novas tecnologias impede em alguns momentos o avanço de outras, que seriam prejudiciais aos seus negócios. Nada de teorias conspiratórias como acreditar que a Exxon ou a Shell teriam comprado e arquivado o plano de um carro movido a suco de melancia ou algo assim, mas sempre me questionei o por que de o avião que já tem mais de cem anos e ninguem ter feito um modelo barato e fácil o suficiente para ser manejado pelas pessoas comuns.
E quanto à roupa voadora, que foi apresentada na Olimpíada de Los Angeles e depois no Sambódromo como novidade, mas que já existia desde os anos 60 e que nunca foi produzida em escala industrial. E eu que achava que aos 40, teria um guarda roupa cheio delas, nas mais diversas cores e modelitos.
Não significa que a raça humana não tenha avançado. Parafraseando não sei quem, costumo dizer que o mundo é horrível, mas nunca foi tão bom. Não trocaria a época atual por nenhuma outra e essa idéia romântica que temos do passado é muito fruto dos filmes de Hollywood que retratam um príncipe desdentado e fedorento com os dentes do Tony Curtis e as roupas impecavelmente passadas, mesmo tendo passado dias em cima de um cavalo.
Não vou retroagir aos tempos pré anestesia ou das invasões bárbaras, quando você podia acordar com um Ostrogodo ululante na sua sala de estar. Fiquemos no momento em que os rapazes da Apolo viram a bolinha azul nascendo por detrás das montanhas lunares. .
- Para um período conhecido por guerra fria, as coisas estavam bem quentes por aqui. O Vietnã habitava os corações e mentes dos jovens e inspirava um até certo ponto merecido antiamericanismo, que por pouco não pinta o mundo de vermelho. O quaker Dick e o judeu Henry com seus truques e armações, embora tenham importância histórica vistos de hoje, não ajudavam em nada melhorar a imagem do país.
-A União Soviética no mapa, parecia estar a ponto de engolir a Europa, e a juventude do continente que dava por certa uma terceira guerra em seus quintais, cultivava aquela atitude de no tomorrow.
- A America Latina disputada por guerrilheiros insanos e militares desmiolados, criava uma divida que levaria trinta anos de crescimento zero para ser paga.
- O Brasil era uma mistura de quartel e fazenda no qual os que não macaqueavam os americanos, torciam pelo Fidel, onde as pessoas que tinham algum contato com o exterior eram quase tão astronautas quanto Neil, Buzz and Mike.
Poderia se dizer que haviam naqueles anos movimentos culturais como a musica que eram elementos de transformação, e que isso se perdeu para o aspecto puramente entertainement. Não acho isso ruim e concordo com o Prof. Correia que diz que a tecnologia é hoje o fator de mudança social. Se você quiser ouvir Dylan berrando contra o Vietnã, é como se ele estivesse ali ao seu lado.
Mas quem imagina que o terrorismo islâmico ou a gripe suína sejam uma ameaça, realmente não viu nada.
