Tuesday, January 12, 2010

black super powers

Gostei de saber que o Capitão America será vivido no cinema pelo Will Smith. Alem de simpático e bom ator, Will é preto, o que da uma sobrevida a um personagem datado e maniqueísta.

Uma bela metáfora nesses tempos de Obama.

O herói nos anos 70 já tinha um sidekik negro, o Falcão e a Marvel Comics contava com alguns black heróis de segundo time, como o Pantera Negra e o Luke Cage.

Mas daí a Steve Rogers, o alter-ego do Capitão, sempre pintado como um legítimo WASP, louro de olhos azuis – a cara que a América imaginava ver no espelho - vir a ser interpretado por um afro-negão, é uma dessas inovações que me fazem acreditar nos USA como instituição.

Uma sociedade que sabe se reinventar começa por rever seus ícones. Muito antes de BO, hollywood já elegera vários presidentes negros. Repare, em quase todas essas produções B sobre o fim do mundo o presidente americano e invariavelmente preto.
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Algo assim há meros quarenta anos nos USA, quando eu lia os gibis Marvel editados por aqui pela falecida EBAL, teria provocado certamente um boicote à editora de Stan Lee e Jack Kirby.

Naquela época os pretos de la tocavam fogo nos subúrbios e até milícias armadas tinham (os Black Panthers, a quem o genial Stan homenageara com o já citado personagem, um príncipe de uma pra la de fictícia civilização africana high tech) e os fantasmas da Klan ainda assombravam o Sul, enquanto nos aqui nos gabávamos de ser uma democracia racial instalada em uma ilha de paz e posteridade.

Resultado, quarenta anos depois quantos prefeitos ou deputados negros, para não falar em senadores ou ministros, você conhece no BR ? Pelé, Gil e outras instituições não contam. Agora pense nos médicos famosos, empresários, executivos ou modelos.

Mesmo que Juliana Paes e outras tenham papeis de destaque nas novelas, não temos aqui um equivalente a Will, Denzel ou Morgan Freeman (que até Deus já fez) que, ao contrario de Sidney Pottier, não fazem necessariamente papeis de “pretos”.]

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