Thursday, April 01, 2010

Its only rock and roll (Rita e Roberto III)

Por que não ter confiança no Brasil que ainda e criança ?
arnaldo dias baptista


Um grande artista quase sempre paga um preço terrível pelo seu talento. Talvez daí derive a mitologia a respeito da venda da alma ao diabo, que tem na literatura de Goethe e Wilde, e nas lendas que envolvem o seminal bluesman Robert Johnson e sua "encruzilhada", seus ícones máximos.

No caso de Arnaldo Dias Baptista, cuja saga está muito bem retratada no excelente documentário "LÓKI", o capeta agiu como um agiota ou um banqueiro brasileiro, cobrando um tributo alto demais para sua sensibilidade extremada e alma infantil do Mutante Supremo. E, como em Brian Wilson e Syd Barret , o LSD prestou um enorme desserviço a uma criatividade absurda que deveria supostamente turbinar.

Por entre intervenções do irmão Sérgio, Peticov, Duprat, Gil, Liminha e outros, vemos o anjo caído ascender do inferno particular pelas mãos e pelo amor dos amigos e fãs, alem de sua paixão por sua arte, a música, e, mais recentemente, a pintura - expressão visual de sua sonoridade.

Terminei de ver o filme (o qual me abstenho de comentar em detalhes, recomendando assistí-lo assim como quem recomenda botas na neve), com o respeito que tinha pela Rita Lee, a grande ausente entre os depoimentos, reduzido a menos da metade. Sei perfeitamente que sua história, assim como seu destino pessoal e artístico, lhe pertence integralmente, mas parece-me que mágoa nenhuma justifica a falta de "fair play" que foi deixar de subir aos palcos com os seus irmãozinhos cósmicos, na recente volta da banda. A vida é curta e a arte longa, e não se pode abrir mão de praticar atos de grandeza por conta de loucuras juvenis ou qualquer outra espécie de ferida do ego.

Gente muito mais importante do que ela deixou de lado (plagiando a mim mesmo) "rugas e rusgas" e voltou à luta, não como um caça-níquel ou para "arrecadar uma grana para pagar a conta do geriatra”, conforme o gracejo dela à época dos concertos. Tempos atrás, chamei-a, por conta do nepotismo em sua banda, de Roberto Requião do Rock and Roll. Mas parece que as semelhanças não param por aí, já que ela não perde nenhuma chance de ser engraçadinha.

Não acho que Jimmy Page, Eric Clapton ou Peter Towshend estivessem tocando violão no metro de Londres quando decidiram reviver (simplesmente por que podiam fazê-lo) seus Who, Cream e Led Zeppelin. E nem John Lennon (cujo filho Sean compara a grandeza dos Mutantes a dos Beatles), que só não resgatou a banda para alguns concertos na África, em 1981, por culpa de um tal Mark David Chapman (esse sim um Loki de verdade)

Depois de assistir de joelhos aos come-backs do Cream, Blind Faith (em parte), The Who, Traffic, e outras bandas do meu Olímpo particular, gostaria de lembrar aos puristas que tratam "revivals" de bandas históricas como se fosse profanação a suas próprias e sagradas histórias, que tudo isso é somente rock and roll. But...

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