Dia IV - a whole lot of vaginas
Antes que o dia anterior terminasse, Natasha /Aruba se apresenta numa das salas do Joint com sua banda mínima e minimalista: um violonista vietnamita, duas garotas africanas nos vocais de apoio e um percussionista chileno que toca basicamente carrom e tablas. Talvez, por um mecanismo freudiano qualquer, ela, que é umbilicalmente ligada a Jack, não tem um baixista na banda.
O grande acontecimento do dia seguinte foi a vista de Chris Squire, o gentle giant baixista do Yes, que me lembra meu amigo Boris com uns anos a mais. Bonachão e feliz, traz com ele sua mulher e a filhinha que não deve ter mais de três meses - embora Squire tenha 62.
Tocamos “Owner of a Lonly Heart” (que aprendi no intervalo do almoço) junto com ele e Alan. Para minha sorte, os dois yesman topam tocar essa, quatro acordes e um riff básico, pinçada de um repertório intrincado e difícil, pois qualquer outra seria um desrespeito ao ausente Steve Howe.
Somos avisados que à noite iríamos tocar num inferninho em Denmark Street, cujo palco mínimo impõe um set acústico. Chegada a hora, ficamos por último na fila. Cada banda pode tocar somente uma música. Todas as outras soam bastante bem. Algumas, até surpreendem, levando em conta o amadorismo dos campers e a exigüidade do tempo. O que é fácil de entender: embora Joye seja um bom band leader e um guitarrista dos melhores que já vi, entre os outros counselors estava gente como Spike Edney, arranjador e produtor musical dos Stones, Queem e Elton John, além de shows no West End - a Broadway londrina. Seu “We Will Rock You”, musical baseado na musica do Queen, está há tanto tempo em cartaz que o teatro onde o show é apresentado pendurou no teto até uma mega-kitsch estátua dourada de Fred Mercury.
Cada banda se comprometeu (ah, o humor inglês...) a se chamar vagina alguma coisa. Alan, por exemplo, batizou a sua como Plastic Vagina Band. A minha, por falta de piada melhor, Vajonas Brothers, embora Carol insistisse em Pipe Dreams.
Decidimos fazer ao vivo um canção que compusemos (e com a qual tive pouco a ver) durante os ensaios: uma bobagem ecológica, mas com uma bela melodia. Nossa cantora-problema surta no meio da música e sai do palco, me obrigando a improvisar com Joey um duelo de solos de violão, durante o qual o Badfinger tem o cuidado de não me humilhar muito.
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