last Day, dream almost over
Passamos a manhã no Joint, já que as bandas iriam para Liverpool, no domingo, tocar no outro templo dos Beatles, o Cavern Club. Na chegada eu havia avisado que não poderia ir, já que teria de “acordar” no domingo e logo embarcar para Paris, onde minha semana trabalho começaria.
Após o almoço, voltamos para o Abbey Road para mixar as gravações e assistir um showzinho de despedida com os counsellors tocando um medley dos Beatles, que ensaiariam e executariam às nossas vistas. E, como se ainda fosse necessário reforçar o time, David traz Nick Mason, batera do Pink Floyd.
Antes da apresentação, todo mundo na sala de som do stúdio 3 para ouvir o resultado das gravações, Allan e Nick inclusos. Entre as três canções que havíamos gravado, Joye escolhe mostrar justamente Crossroads - a que eu havia tocado pior, atravessando um solo e saindo da escala por duas vezes.
Para minha sorte, a banda de Allan apresentou, além de uma boa versão de “Born Under a Bad Sign”, com Jack no baixo, outra composta e cantada por um camper, que iria casar na semana seguinte e pedira para mostrar para a noiva ali presente. O rapaz cantava tão mal que eu acabei soando como Jeff Beck, principalmente porque convidei o tal cantor para formar uma banda, para a risada geral.
Nick conta então como foi gravar, naquele mesmo lugar, aquele que seria simplesmente o disco mais vendido de todos os tempos , o “Dark Side of The Moon”, com a formação clássica da banda: Gilmour, Waters, Rick Wright e ele. Perguntado a respeito, disse preferir a fase com Syd Barret (mas, para bom entendedor de Floyd, aquela meia afirmação soou como evidente demonstração de ressentimento com o genial e mais difícil “Rogério Aquático”, que assumiu as rédeas da banda quando Syd entrou em órbita).
Depois do ultra cool ensemble com Allan White, do Yes, e Nick Mason, do Pink Floyd, nas baterias (verdadeiro sonho para qualquer admirador de rock progressivo e música em geral), com que nossos mestres nos brindaram com versões de Hey Buldog/Cold Turkey/ She is So Heavy/Revolution/The End , saio de fininho e, antes de ir embora, passo na sala de Natasha para deixar um pequeno recuerdo. Uma camiseta de um show de Bob Dylan (seu grande ídolo) que ganhei do Alipio (que, tenho certeza, não se importará de saber o destino que dei a ela) and in return ela me da a biografia de Jack que trouxe de casa, devidamente assinada por ele e pelo papi..
And, in the end, the love you take....
Monday, June 14, 2010
rock dreams
Dia IV - a whole lot of vaginas
Antes que o dia anterior terminasse, Natasha /Aruba se apresenta numa das salas do Joint com sua banda mínima e minimalista: um violonista vietnamita, duas garotas africanas nos vocais de apoio e um percussionista chileno que toca basicamente carrom e tablas. Talvez, por um mecanismo freudiano qualquer, ela, que é umbilicalmente ligada a Jack, não tem um baixista na banda.
O grande acontecimento do dia seguinte foi a vista de Chris Squire, o gentle giant baixista do Yes, que me lembra meu amigo Boris com uns anos a mais. Bonachão e feliz, traz com ele sua mulher e a filhinha que não deve ter mais de três meses - embora Squire tenha 62.
Tocamos “Owner of a Lonly Heart” (que aprendi no intervalo do almoço) junto com ele e Alan. Para minha sorte, os dois yesman topam tocar essa, quatro acordes e um riff básico, pinçada de um repertório intrincado e difícil, pois qualquer outra seria um desrespeito ao ausente Steve Howe.
Somos avisados que à noite iríamos tocar num inferninho em Denmark Street, cujo palco mínimo impõe um set acústico. Chegada a hora, ficamos por último na fila. Cada banda pode tocar somente uma música. Todas as outras soam bastante bem. Algumas, até surpreendem, levando em conta o amadorismo dos campers e a exigüidade do tempo. O que é fácil de entender: embora Joye seja um bom band leader e um guitarrista dos melhores que já vi, entre os outros counselors estava gente como Spike Edney, arranjador e produtor musical dos Stones, Queem e Elton John, além de shows no West End - a Broadway londrina. Seu “We Will Rock You”, musical baseado na musica do Queen, está há tanto tempo em cartaz que o teatro onde o show é apresentado pendurou no teto até uma mega-kitsch estátua dourada de Fred Mercury.
Cada banda se comprometeu (ah, o humor inglês...) a se chamar vagina alguma coisa. Alan, por exemplo, batizou a sua como Plastic Vagina Band. A minha, por falta de piada melhor, Vajonas Brothers, embora Carol insistisse em Pipe Dreams.
Decidimos fazer ao vivo um canção que compusemos (e com a qual tive pouco a ver) durante os ensaios: uma bobagem ecológica, mas com uma bela melodia. Nossa cantora-problema surta no meio da música e sai do palco, me obrigando a improvisar com Joey um duelo de solos de violão, durante o qual o Badfinger tem o cuidado de não me humilhar muito.
Antes que o dia anterior terminasse, Natasha /Aruba se apresenta numa das salas do Joint com sua banda mínima e minimalista: um violonista vietnamita, duas garotas africanas nos vocais de apoio e um percussionista chileno que toca basicamente carrom e tablas. Talvez, por um mecanismo freudiano qualquer, ela, que é umbilicalmente ligada a Jack, não tem um baixista na banda.
O grande acontecimento do dia seguinte foi a vista de Chris Squire, o gentle giant baixista do Yes, que me lembra meu amigo Boris com uns anos a mais. Bonachão e feliz, traz com ele sua mulher e a filhinha que não deve ter mais de três meses - embora Squire tenha 62.
Tocamos “Owner of a Lonly Heart” (que aprendi no intervalo do almoço) junto com ele e Alan. Para minha sorte, os dois yesman topam tocar essa, quatro acordes e um riff básico, pinçada de um repertório intrincado e difícil, pois qualquer outra seria um desrespeito ao ausente Steve Howe.
Somos avisados que à noite iríamos tocar num inferninho em Denmark Street, cujo palco mínimo impõe um set acústico. Chegada a hora, ficamos por último na fila. Cada banda pode tocar somente uma música. Todas as outras soam bastante bem. Algumas, até surpreendem, levando em conta o amadorismo dos campers e a exigüidade do tempo. O que é fácil de entender: embora Joye seja um bom band leader e um guitarrista dos melhores que já vi, entre os outros counselors estava gente como Spike Edney, arranjador e produtor musical dos Stones, Queem e Elton John, além de shows no West End - a Broadway londrina. Seu “We Will Rock You”, musical baseado na musica do Queen, está há tanto tempo em cartaz que o teatro onde o show é apresentado pendurou no teto até uma mega-kitsch estátua dourada de Fred Mercury.
Cada banda se comprometeu (ah, o humor inglês...) a se chamar vagina alguma coisa. Alan, por exemplo, batizou a sua como Plastic Vagina Band. A minha, por falta de piada melhor, Vajonas Brothers, embora Carol insistisse em Pipe Dreams.
Decidimos fazer ao vivo um canção que compusemos (e com a qual tive pouco a ver) durante os ensaios: uma bobagem ecológica, mas com uma bela melodia. Nossa cantora-problema surta no meio da música e sai do palco, me obrigando a improvisar com Joey um duelo de solos de violão, durante o qual o Badfinger tem o cuidado de não me humilhar muito.
Wednesday, June 09, 2010
Rock Dreams Dia III – Jack of All trades
WEDNESDAY, JUNE
09, 2010
Rock Dreams Dia III – Jack of All trades
Ainda tenho vários vinis do
Cream e pensei em trazer um deles para que Jack autografasse. Decidi finalmente
que seria mais bacana comprar sua recente biografia, escrita por um tal de
Harry Shapiro. Um livro com dedicatória é sempre um objeto mágico para mim.
Percorri algumas livrarias de Londres e nada. Mas encontrei e acabei comprando, entretanto, a autobiografia Hellraiser de Ginger Baker, outro terço do Cream, não para que Jack autografasse, mas para ler mesmo. Sou fã não só do genial baterista que é Ginger, mas também do personagem idiossincrático, mau humorado e ranzinza. Um rock star que odeia rock and roll e resiste a fazer concessões.
À moda Rimbaud, Ginger largou tudo, no auge da fama, em 1970, e se mandou para a África. Nesse embalo, perdeu tudo e até fome passou. Foi fazendeiro na Toscana, criador de cavalos de pólo, corredor de rali e chegou a tocar com Johnny Rotten, dos Sex Pistols.
Ocorre que, apesar de se amarem como músicos, Jack e Ginger se odeiam tanto como pessoas que o ruivo baterista passa o livro inteiro traçando um perfil terrível do baixista, a quem chama o tempo todo de "Jack and Hyde".
Percorri algumas livrarias de Londres e nada. Mas encontrei e acabei comprando, entretanto, a autobiografia Hellraiser de Ginger Baker, outro terço do Cream, não para que Jack autografasse, mas para ler mesmo. Sou fã não só do genial baterista que é Ginger, mas também do personagem idiossincrático, mau humorado e ranzinza. Um rock star que odeia rock and roll e resiste a fazer concessões.
À moda Rimbaud, Ginger largou tudo, no auge da fama, em 1970, e se mandou para a África. Nesse embalo, perdeu tudo e até fome passou. Foi fazendeiro na Toscana, criador de cavalos de pólo, corredor de rali e chegou a tocar com Johnny Rotten, dos Sex Pistols.
Ocorre que, apesar de se amarem como músicos, Jack e Ginger se odeiam tanto como pessoas que o ruivo baterista passa o livro inteiro traçando um perfil terrível do baixista, a quem chama o tempo todo de "Jack and Hyde".
Como se já não fosse "scary enough"
o fato de Jack - com quem iríamos tocar dali a poucas horas - ser um dos
maiores músicos do mundo, a possibilidade de ele ser io ser humano horrível que
Baker descrevera.. (No dia seguinte,
quando conto para Alan White minha preocupação, ele, que segundo suas próprias
palavras passou "six months in hell" tocando na Ginger Baker
Airforce, me reporta alguns “causos” que me fazem perceber quem de fato é o
verdadeiro personagem de Stevenson.)
Eis que estamos na sala de controle em Abbey Road quando entra Natasha, e, logo atrás dela, vestindo uma jaqueta preta com um pin da bandeira cubana cravado na lapela (Jack e filho de comunistas escoceses) e óculos do tipo aviador espelhados, alguém que não faz a menor idéia de quem eu seja, mas cujo repertório conheço tão bem quanto meu próprio quarto, e cuja carreira acompanho atentamente desde os meus dezessete anos.
Enquanto Jack Bruce cumprimenta os outros campers, digo a Princess Natasha que me sinto como Osama Bin Laden prestes a conhecer Maomé. Ou o próprio Alah.
Eis que estamos na sala de controle em Abbey Road quando entra Natasha, e, logo atrás dela, vestindo uma jaqueta preta com um pin da bandeira cubana cravado na lapela (Jack e filho de comunistas escoceses) e óculos do tipo aviador espelhados, alguém que não faz a menor idéia de quem eu seja, mas cujo repertório conheço tão bem quanto meu próprio quarto, e cuja carreira acompanho atentamente desde os meus dezessete anos.
Enquanto Jack Bruce cumprimenta os outros campers, digo a Princess Natasha que me sinto como Osama Bin Laden prestes a conhecer Maomé. Ou o próprio Alah.
Ela ri, me apresenta ao seu pai e tudo que me
ocorre dizer é... “ nice to meet you, mr. Bruce, you are my all-time second favorite
performer”. E, antes que ele devolvesse a
provocação, emendo com um “... since my favorite is Natasha”.
“Here is a very diplomatic man”, responde ele com uma voz metálica, quase inexistente, que em quase nada se parece com o genial barítono que é quando canta.
Joye , nosso band leader, explica então a Jack que não faremos, como os outros campers, covers literais das versões do Cream, e sim uma releitura de CROSSROADS. Jack responde que isso é bom, até porque como não era ele que cantava no original, mas Eric. Que tal se ele tocasse piano ao invés de baixo? Na hora fiquei desapontado, mas tratei de correr para dentro do piano boot com ele, que me brindou com uns bons três minutos de uma private session de um belíssimo improviso à la MonkJack, enquanto os outros se preparavam.
A sessão saiu caótica mas saiu, com um Jack paciente e bem humorado, mesmo com as atravessadas de Carol (a cantora). Na hora do meu solo, achei que, tal como uma cena de Família Adams, minha mão ia pular fora e sair correndo, mas fui até o final - entrando para o panteão junto com Clapton, Leslie West, Gary Moore, John Mclaughlin, Mick Taylor, Clem Clemson, Rory Galagher ,Andy Summers, Vernon Reid, Joe Bonamassa, Albert Collins, Robin Trower, to name a few.
Jack e Natasha, em seguida, se acomodam no sofá do estúdio esperando que a próxima banda que iria fazer uma versão chupada de White Room se aprontasse, enquanto me mantenho, timidamente, a distância. Noto que ela faz algum comentário no ouvido do pai a meu respeito e ele faz um sinal com a mão para que me aproxime. E assim, de repente, estou sentado junto deles no sofá, discutindo Tom Jobim ( a quem Jack reconhece dever algumas pedras) e o preço dos tickets dos cambistas no show do Cream que digo a ele ter assistido, em 2005. Ele me conta que ficara orgulhoso poucos dias atrás, quando, junto com a mulher Margit, do lado de fora de um show de Natasha, um cambista quis lhe vender um ticket por um preço bem mais alto do que o da bilheteria. Quando disse que era o pai da cantora, o cara duvidou. Respondo que deveria ter comprado e mandado emoldurar, e ele devolve na tampa - come on man, I'm scotish, fazendo referência à proverbial "pãodurisse" de seu povo.
Lá vai ele então, tocar com a segunda banda, enquanto eu, babando no vidro, constato que a voz continua lá e que o baixo Warwick Fretless começa a soar familiar. Ao final, quando o baterista da segunda banda se desculpa por não saber tocar como Baker, Jack responde – at least you are not going to put a knife between my ribs, man .
“Here is a very diplomatic man”, responde ele com uma voz metálica, quase inexistente, que em quase nada se parece com o genial barítono que é quando canta.
Joye , nosso band leader, explica então a Jack que não faremos, como os outros campers, covers literais das versões do Cream, e sim uma releitura de CROSSROADS. Jack responde que isso é bom, até porque como não era ele que cantava no original, mas Eric. Que tal se ele tocasse piano ao invés de baixo? Na hora fiquei desapontado, mas tratei de correr para dentro do piano boot com ele, que me brindou com uns bons três minutos de uma private session de um belíssimo improviso à la MonkJack, enquanto os outros se preparavam.
A sessão saiu caótica mas saiu, com um Jack paciente e bem humorado, mesmo com as atravessadas de Carol (a cantora). Na hora do meu solo, achei que, tal como uma cena de Família Adams, minha mão ia pular fora e sair correndo, mas fui até o final - entrando para o panteão junto com Clapton, Leslie West, Gary Moore, John Mclaughlin, Mick Taylor, Clem Clemson, Rory Galagher ,Andy Summers, Vernon Reid, Joe Bonamassa, Albert Collins, Robin Trower, to name a few.
Jack e Natasha, em seguida, se acomodam no sofá do estúdio esperando que a próxima banda que iria fazer uma versão chupada de White Room se aprontasse, enquanto me mantenho, timidamente, a distância. Noto que ela faz algum comentário no ouvido do pai a meu respeito e ele faz um sinal com a mão para que me aproxime. E assim, de repente, estou sentado junto deles no sofá, discutindo Tom Jobim ( a quem Jack reconhece dever algumas pedras) e o preço dos tickets dos cambistas no show do Cream que digo a ele ter assistido, em 2005. Ele me conta que ficara orgulhoso poucos dias atrás, quando, junto com a mulher Margit, do lado de fora de um show de Natasha, um cambista quis lhe vender um ticket por um preço bem mais alto do que o da bilheteria. Quando disse que era o pai da cantora, o cara duvidou. Respondo que deveria ter comprado e mandado emoldurar, e ele devolve na tampa - come on man, I'm scotish, fazendo referência à proverbial "pãodurisse" de seu povo.
Lá vai ele então, tocar com a segunda banda, enquanto eu, babando no vidro, constato que a voz continua lá e que o baixo Warwick Fretless começa a soar familiar. Ao final, quando o baterista da segunda banda se desculpa por não saber tocar como Baker, Jack responde – at least you are not going to put a knife between my ribs, man .
Acompanho pai e filha até a porta do Abbey Road e vejo Jack despedir-se de Natasha com um beijo na mão, e chamando-a de Milady embarca num fantástico Bentley esportivo, cujo logotipo, apropriadamente, é um "B" entre asinhas de anjo
Tuesday, June 01, 2010
Rock Dreams II
Primeiro dia – The Road to Abbey Road
Antes de irmos para os estúdios, galera reunida no café da manhã do hotel, David faz o inevitável discurso de boas vindas e apresentaçao do staff. Noto uma garota que nos é apresentada simplesmente como "Natasha". Levo dois segundos para reconhecer que "Natasha" é Natasha Eleonoré Bruce, filha de Jack, que canta uma bela mistura de música caribenha e pop inglês, usando o "alias" Aruba Red. Como ninguém mais fez a conexão, tratei de guardar para mim e na primeira oportunidade pedi para que tirasse uma foto comigo, apresentado-me com um fã de seu pai e de sua música. Natasha/Aruba se tornaria uma amiga, mas naquele momento pareceu surpresa com minha atitude - afinal, ela não estava lá como celebridade e sim como assistente do produtor.
Minha banda, além de Joye, tinha quatro americanos (baixo, teclado, bateria) e Carol, a cantora: também americana, de meia idade, visivelmente mal resolvida, mas que cantava (quando conseguia) como Margo Timmins, dos Cowboys Junkies.
Carol foi o céu e o inferno da banda. Desde o primeiro momento, ficou claro que tinha uma bela voz mas sofria de uma imensa síndrome de pânico, o que, aliado ao fato de não ter experiência de banda, se tornaria explosivo. Na verdade, de pouco serve saber tocar um instrumento ou cantar se não se tem bagagem de tocar em grupo (eu, por exemplo, sou um guitarrista próximo do medíocre, mas sei me integrar em um) e isso leva tempo. Joye, como bom "liverpoolian", perdeu a paciência com ela no primeiro ensaio e a premiou com um gancho de duas horas fora da sala. Mas, o mesmo Joye, macaco velho, logo identificou uma canção que ela acertaria, e assim conseguimos uma versão de "You Make Loving Fun", do Fleetwood Mac, que gravaríamos à tarde no Abbey Road.
Cada banda recebeu também uma música do Cream para ensaiar, a fim de receber Jack dali a dois dias. Para nós, foi dada "Crossroads" (embora eu tivesse pedido "Politician"). Carol teve problemas sérios para acertar a canção de Robert Johnson, o que acabou rendendo uma versão bem diferente da original, do Cream, e que, ao final das contas, agradou a Jack (mas isso já é outra historia).
Eu nunca tive uma experiência religiosa de verdade, mas entrar no Abbey Road chegou perto. Começa pela famosa e histórica faixa na rua, que gente do mundo inteiro passa o dia atravessando, para desespero dos motoristas que moram nas redondezas. Alguns até tiram o sapato para simular Paul, que, à época da foto, supostamente estaria morto. Há, inclusive, uma e-câmera escondida, filmando aquele trecho da rua 24 horas por dia, cujo link não consegui achar.
Nossa primeira session foi no estudio 2, onde o “Let it Be”, e, mais recentemente, o altamente recomendável “Chaos and Creation in Abbey Road”, do Paul, foram gravados. Trata-se de um espaço enorme, com um pé direito de uns oito metros e um mezanino onde ficam os técnicos e a mesa. O que posso dizer? Tecnicamente, o estúdio é impecavel e muita coisa é feita de forma analógica. Por exemplo: quando eu precisei de um efeito flanger para a guitarra, ao invés de apertar um botão na mesa ou usar um pequeno pedal, os técnicos trouxeram um imenso amplificador Leslie, com aquela cornetinha dupla rodando dentro e tudo mais. O som, claro, saiu fantástico. Tudo muito inglês, tudo muito perfeito. Nossa versão para "Making Love Fun" saiu surpreendentemente bela. Carol cantou, a meu ver, melhor do que a original, com Stevie Nicks ou Christy Mcvie, não sei bem.
Cada banda recebeu também uma música do Cream para ensaiar, a fim de receber Jack dali a dois dias. Para nós, foi dada "Crossroads" (embora eu tivesse pedido "Politician"). Carol teve problemas sérios para acertar a canção de Robert Johnson, o que acabou rendendo uma versão bem diferente da original, do Cream, e que, ao final das contas, agradou a Jack (mas isso já é outra historia).
Eu nunca tive uma experiência religiosa de verdade, mas entrar no Abbey Road chegou perto. Começa pela famosa e histórica faixa na rua, que gente do mundo inteiro passa o dia atravessando, para desespero dos motoristas que moram nas redondezas. Alguns até tiram o sapato para simular Paul, que, à época da foto, supostamente estaria morto. Há, inclusive, uma e-câmera escondida, filmando aquele trecho da rua 24 horas por dia, cujo link não consegui achar.
Nossa primeira session foi no estudio 2, onde o “Let it Be”, e, mais recentemente, o altamente recomendável “Chaos and Creation in Abbey Road”, do Paul, foram gravados. Trata-se de um espaço enorme, com um pé direito de uns oito metros e um mezanino onde ficam os técnicos e a mesa. O que posso dizer? Tecnicamente, o estúdio é impecavel e muita coisa é feita de forma analógica. Por exemplo: quando eu precisei de um efeito flanger para a guitarra, ao invés de apertar um botão na mesa ou usar um pequeno pedal, os técnicos trouxeram um imenso amplificador Leslie, com aquela cornetinha dupla rodando dentro e tudo mais. O som, claro, saiu fantástico. Tudo muito inglês, tudo muito perfeito. Nossa versão para "Making Love Fun" saiu surpreendentemente bela. Carol cantou, a meu ver, melhor do que a original, com Stevie Nicks ou Christy Mcvie, não sei bem.
A poucos metros de nós, Miss Lizzy, o Steinway Grand Piano cujo som sobrenatural pode ser ouvido em "Let it Be", "Lady Madonna" e outras, nos concedia a honra de sua atenção
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