Sunday, July 18, 2010
ilha dos papagaios
Moro ao lado de uma grande área verde. Hoje pela manhã, banho tomado, olho na janela e reparo um papagaio pousado num galho. Um papagaio clássico, desses que aprendem a falar. O velho louro das piadas de salão e dos lamentáveis programas de televisão.
Sem me dar conta de que os papagaios domésticos têm as asas cortadas, imaginei que se tratasse de um foragido de uma casa qualquer das redondezas. Abro janela do quarto silenciosamente,para não assustar o bicho, e quase caio de costas ao constatar que não havia apenas um e sim um bando deles, algo em torno de uns vinte, distribuídos pelos galhos da velha árvore, pela sacada do vizinho e pelo muro do meu prédio. Acordo meu filho e seu amigo russo, que chegou ontem de viagem (ainda de jet lag, camiseta e cuecas), que não entende nada quando lhe digo this is Brazil kid, now go back to sleep.
Já havia percebido que a tal área vizinha equivale a um porta-aviões, uma ilha, um porto seguro para aves silvestres em seus vôos por sobre a cidade. Sou acordado todas as manhãs por quero-queros raivosos, habitantes do local, e já vi de tudo por ali: gaviões, pássaros coloridos, gralhas. Mas, nunca um bando como aquele.
Sempre é bom lembrar que vivemos muito próximos a uma floresta tropical, que, a não ser pelo tamanho,em quase nada difere da selva amazônica. Pelo fato de voar, os pássaros talvez sejam as últimas criaturas a mudar de hábitos quando a cidade se estabelece. Além do mais, alguns bairros como o meu, são relativamente recentes. Lembro de histórias atemorizantes sobre um lugar longínquo chamado "Poço do Bacacheri", onde nadadores aventureiros frequentemente se afogavam. Trata-se hoje do bucólico e aprazível parque de mesmo nome em que costumo correr nos finais de semana.
De qualquer forma, tal visão, inédita, me devolveu um pouco da poesia perdida nesses dias de chateações com a vida prática que tenho enfrentado ultimamente.
Gostaria como Alexandre, de acreditar em presságios e sair por ai invadindo algumas Pérsias.
Tuesday, July 13, 2010
cepusculo
Prova definitiva que os vampiros não existem é que Fidel já teria arrumado um para mordê-lo e viver mais uns milêniosinhos. Vendo-o na TV ontem me dei conta que ele e a única figura mundial que me acompanha desde sempre. Perdi a conta do numero de aliados e inimigos que ele já enterrou.
Ao contrario do ex-colega Che Guevara que tinha um claro death wish, Fidel é o maior sobrevivente da historia recente. Saiu ileso de vários atentados reais e imaginários, sobreviveu ao ódio de alguns presidentes americanos e a indiferença de outros, à queda do bloco soviético e a posterior falta absoluta de tudo na ilha. Não duvido que acabada a mesada venezuelana não apareça outro padrinho, cuja vaidade e vontade de espezinhar os EUA garantam sobrevida ao decrépito regime, a cara de seu fundador.
E pensar que tudo começou com a vontade de um povo de ser verdadeiramente independente.
Saturday, July 10, 2010
bonequinhos estúpidos
Tenho visto modismos estúpidos nesses longos anos de vida, e poucas coisas são mais lamentáveis do que os “enfeites” que as pessoas penduram ou colam em seus carros.
Agora, esses bonequinhos adesivos que representam as famílias dos motoristas passaram da conta, superando inclusive aqueles decalques com nomes ultra-cafonas das tribos suburbanas.
Se alguém ainda não viu, trata–se de desenhos num traço infantil, quase stick figures representando o homem, a mulher, filhos, filhas, cães , gatos e até peixes e que são colados nos para choques.
Não bastasse ser mais um atentado a já combalida estética urbana, funciona, a meu ver como um convite aos bandidos para que telefonem para seu escritório ameaçando sua família, que eles sabem dizer exatamente a composição. Experiente tentar lembrar-se desse detalhe na hora do nervosismo.
Há muitos anos fiz um rápido curso de segurança pessoal, com um palestrante inglês ex forças especiais. Entre várias outras dicas importantes, ele desaconselhou terminantemente que colássemos qualquer adesivo no carro, o que ajudaria a confundir um eventual perseguidor no transito. Quem nunca viu uma mulher (ou homem, dependendo da preferência do/da expensive reader) bonita parada no sinal e tempos depois reconheceu seu carro no estacionamento do shopping, justamente por um adesivo colado ou outro detalhe qualquer ? Se fossemos todos Chicos Picadinho, era só ficar esperando pela guapa no banco de trás, e ai colar mais uma bonequinha na faca..
Mas como minha maldade tem limite, o maximo que imaginei foi colar dois homenzinhos de mãos dadas no carro do vizinho do andar de cima, que insiste em implicar com meus cachorros.
Agora, esses bonequinhos adesivos que representam as famílias dos motoristas passaram da conta, superando inclusive aqueles decalques com nomes ultra-cafonas das tribos suburbanas.
Se alguém ainda não viu, trata–se de desenhos num traço infantil, quase stick figures representando o homem, a mulher, filhos, filhas, cães , gatos e até peixes e que são colados nos para choques.
Não bastasse ser mais um atentado a já combalida estética urbana, funciona, a meu ver como um convite aos bandidos para que telefonem para seu escritório ameaçando sua família, que eles sabem dizer exatamente a composição. Experiente tentar lembrar-se desse detalhe na hora do nervosismo.
Há muitos anos fiz um rápido curso de segurança pessoal, com um palestrante inglês ex forças especiais. Entre várias outras dicas importantes, ele desaconselhou terminantemente que colássemos qualquer adesivo no carro, o que ajudaria a confundir um eventual perseguidor no transito. Quem nunca viu uma mulher (ou homem, dependendo da preferência do/da expensive reader) bonita parada no sinal e tempos depois reconheceu seu carro no estacionamento do shopping, justamente por um adesivo colado ou outro detalhe qualquer ? Se fossemos todos Chicos Picadinho, era só ficar esperando pela guapa no banco de trás, e ai colar mais uma bonequinha na faca..
Mas como minha maldade tem limite, o maximo que imaginei foi colar dois homenzinhos de mãos dadas no carro do vizinho do andar de cima, que insiste em implicar com meus cachorros.
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