Thursday, October 28, 2010

anchovas ou faça sol III

Imaginava que Florianoplis fosse a capital mudial de restaurantes com nomes infames.

Maria Vai com As Ostras, Ostradamus , Churrascaria Ex Touro e por ai afora

Mas com o advento do Elvis Costella, Curitiba entra no pareo "big time". Sera que servem um bom steak Diana la?

Monday, October 11, 2010

deus ex-machina

aos amigos Ilvor e Edson doCcartoon Video

 

Ficção científica é cinema B por natureza. Um gênero ingrato onde só os clássicos sobrevivem. Alem do mais tem, como o próprio futuro, um baixíssimo prazo de validade.

Sempre assisto SCI-FI com os dois olhos bem abertos. Um, critico, detectando aquilo que não é tão cientifico assim na trama, que normalmente abusa da ignorância da platéia: 

- Explosões de naves estelares que são ouvidas no vácuo onde o som não se propaga, pessoas descem em planetas inóspitos de jeans e camiseta e por ai fora.

O outro olho, crédulo. Muitas daquelas maquinas que vemos na tela nem são tão improváveis assim. Convivemos diariamente sem prestar muita atenção com coisas que há poucos anos não faziam parte nem do imaginário dos mais loucos ou visionários.


Que tal explicar para alguém do século 19 - um minuto atrás em termos de história - que um dia uma carta pudesse ser escrita numa tela como essa aqui na minha frente (como explicar telas de computadores? Um pedaço de vidro ou um espelho talvez...) e transmitida para qualquer lugar do mundo (para outro pedaço de vidro), quase que instantaneamente.

Ou que tal dizer para um nova-iorquino do inicio do século seguinte que a distância que ele cobria em várias semanas para ir a Londres nos Queen Elizabeths da vida, seria em poucos anos percorrida em horas a bordo de (menos charmosos) “transatlânticos” alados.

Dizer que Jules Verne inventou o submarino é talvez mais preciso do que imaginar que ele o previu ou o profetizou. Ao imaginar o Nautilus, ele atiçou a engenhosidade humana até que essa o transformasse em realidade. Assim como Leo da Vinci, que só não construiu o helicóptero, o pára-quedas e sabe Deus mais o que, por falta de materiais e condições adequadas.

Nesse aspecto HG Wells foi além de Verne, “inventando” coisas que ainda nem puderam ser realizadas. Felizmente, por que nem quero imaginar o uso que os governos dariam a uma maquina do tempo.

Dias atrás vi na TV - por absoluta falta de opção - o velho documentário “Eram os Deuses Astronautas?” baseado no livro do Erik “Picareta” Von Daniken. Nunca simpatizei com as tais teorias que atribuem a alienígenas um papel de misto de arquitetos, mestre de obras e Caixa Econômica Federal das pirâmides egípcias, maias e astecas, alem de outras magníficas construções do passado.


O fato de homem moderno achar impossível levantar blocos de pedra imensos sem guindastes, simplesmente por que não consegue imaginar um mundo sem guindastes, só prova que perdemos muitas habilidades, mimados que somos pela vida moderna. Não há nada de tão tecnológico na antiguidade que corrobore com essas teses. Não se foi do machado para o raio laser imediatamente nem nada assim, embora coisas como aquele desenho do deus na “cápsula espacial” sejam bem impressionantes.

Já outras, só a primeira vista. Exemplo: As linhas de Nazca no Peru, a princípio impossíveis de serem desenhadas (ao menos sem o auxilio de máquinas voadoras ou gigantes venusianos) numa região onde não existem montanhas ou elevações, são explicáveis por modelos feitos com cordas em escala, e depois copiadas numa escala maior, simplesmente respeitando proporções.

Nunca estive em Nazca, mas fui duas vezes a Machupichu, que recomendo enormemente. A precisão do corte das pedras é cirúrgica e o fato do complexo estar praticamente pendurado nas nuvens, faz com que aquilo pareça impossível de ser construído, mesmo nos dias atuais.

Mas talvez seja essa exatamente a questão:

- Hoje, quando tudo tem de respeitar a lógica econômica e garantir o retorno financeiro, realmente é impossível ir alem das frágeis estruturas que construímos. Mas que tal se você, assim como o Inca ou o Faraó, não precisasse fazer contas e tivesse o poder de vida e morte sobre incontáveis trabalhadores, sem sindicatos ou leis trabalhistas, e nem fosse premido por essa bobagem chamada tempo?

Algumas técnicas são adquiridas ao longo do tempo, outras perdidas. Tente achar um bom retratista, como eram Rubens, Goya , Vermeer ou Rembrandt. Foram todos mortos pela fotografia.

Alem do mais, ficamos mais moles. Ninguém agüentaria uma viagem a cavalo que o imperador do Brasil, o Lula da época (sem Airbus), foi obrigado a fazer para declarar a independência em São Paulo. Paramos de nos nortear pelas estrelas que não vemos mais, ofuscadas pelas luzes da cidade e pelas facilidades do GPS.


Não ter de caçar para sobreviver é uma bênção, mas a caça abundante nas selvas amistosas do Wal-Mart nos causa problemas inversos, ligados a superalimentação.

Poderia continuar indefinidamente, mas não vai aqui nenhuma nostalgia do passado, que por sinal em muitos aspectos era medonho. Pense na vida antes da anestesia ou do vaso sanitário.

Só o reconhecimento que se paga um preço pela comodidade e física, nem que seja o da mensalidade da academia.