Thursday, September 22, 2011

thats all foca

Meu amigo FC pediu uma resenha pra uma revista que vai publicar uma materia grande sobre sua obra. Lavai.:


Evocar Moebius, Crumb, Eisner, a turma das revistas Heavy Metal e L’Écho des Savanes, e outras tantas divindades do Olimpo das HQ para falar de Foca Cruz é quase uma obrigação, mas não é suficiente.

Em Foca, as every picture tells a story, há, também, muito de literatura. No seu trabalho vejo Borges (alguma semelhança com o Luiz Alberto Borges da Cruz ou seria mera coincidência?), Wells, Wilde, Asimov, Bradbury, Chesterton, Lovecraft, Allan Moore, e, claro, Tolkien e Lewis.

Foca é meu amigo de adolescência. Conhecemo-nos na Paranaguá dos anos 80, época em que a cidade – believe it or not – tinha certa cena cultural liderada por seu irmão, Raul Cruz, artista multitalentoso que só agora começa a ter o merecido reconhecimento. Lemos quase ao mesmo tempo “O Despertar dos Mágicos” e chegamos até mesmo a tocar juntos numa bandinha de rock. Lembro que ele usava um baixo empenado, difícil de afinar, e mesmo assim dava conta do recado.


Mas o negócio dele era mesmo desenhar. Andava pra cima e para baixo com uma prancheta, sempre rabiscando algo que, invariavelmente, daria em algo maior. Eu, fã de rock progressivo naqueles dias, cultuava Roger Dean, que desenhava as capas do Yes (um bom ilustrador, mas nada mais do que isso), que apresentei a ele como se fosse a coisa mais genial do mundo. Foca, do ramo, me retribuiu com Hieronymus Bosch, El Bosco, esse sim um inventor.

Como é normal, com a chegada à vida adulta perdemos o contato. Mas, sempre me diverti ao identificar seu traço em alguma peça publicitária ou cartaz espalhados pela cidade.


Graças à Internet, que transformou a “aldeia global” de Macluhan num “quarto e sala”, nos achamos por aí. Observando seus desenhos mais recentes, percebo o quanto um artista de verdade pode evoluir sem perder aquela coisa única, sua marca registrada.

No Foca de hoje, vejo tudo o que eu via há décadas e mais Francis Bacon, Miró, Picasso e outros mestres saudavelmente incorporados em algo que não está e nem esteve no gibi.

Uma honra ter a capa de meu primeiro livro (único, por enquanto) assinada por ele. Pegou na veia das minhas crônicas com uma fusão entre Kafka e a lua de Meliès. That’s all Foca!

Thursday, September 01, 2011

carta do carlini

Viagem à Lua” George Méliès / Jules Verne

Gostei do seu livro, me surpreendeu sua erudição roqueira. Enriqueci minha parca cultura pop post 60!
Confesso que eu não passei dos Bill Halley, Little Richard, Elvis e Beatles. Depois deles somente Bob Dylan/Joan Baez, Pink Floyd e Dire Straits me chamaram a atenção e pude reter na memória. O resto (você diria talvez o melhor) não consegui perceber, talvez já massacrado pelas obrigações profissionais, verolmianas, flumarianas e que tais.

Os conceitos políticos e filosóficos de vida são pessoais, sinceros, contestáveis, às vezes, mas deliciosos.

Valeu a leitura e lhe conhecer melhor.

Sugiro que você faça um segundo “Da Lua a Brasília” >>>melhore as fotografias.

abraços

Carlini