Thursday, February 24, 2011

mais para alah do que pra ca?

(Dedicada ao meu primo Edu)


a melhor das cobras ainda assim e uma cobra (ditado árabe)
todos temem o tempo. O tempo teme as pirâmides(ditado egípcio)


Não há como não se comprazer com os movimentos populares de repudio as ditaduras que parecem estar se propagando no mundo árabe como fogo num campo de petróleo.

Mas seguremos os camelos.

Correndo o risco de contrair uma fatwa infecciosa, penso que cabe a nós o ocidente cuidar pára que a autentica tendência democrática dessas manifestações prevaleça, afastando o fantasma de Kerenski que sempre ronda esses processos: o risco de se abrir espaço para governos ainda piores do que aqueles que caem.

Os regimes que ora apodrecem na região são, exceção as monarquias, quase todos netos do pan-arabismo dos anos 50 / 60, cujo precursor foi (sempre ele ) o Egito.
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Nasser e seus Oficiais Livres inauguraram essa tendência, uma espécie de terceira via árabe num mundo a época bipolar, ao derrubarem o rei Faruck, para logo em seguida saírem no tapa com Israel, França e Inglaterra por conta da nacionalização do Canal de Suez. Tinha simpatias péla URSS, embora nem essa nem os EUA tenham tido apetite para entrar no conflito. Seu sucessor Sadat, cujo assassinato abriu caminho para o recém desempregado Mubarack, era mais pro - America, tendo inclusive se aproximado de Israel por conta disso.

Deus (o nosso) sabe que os impérios, ainda que universalmente antipatizados, são necessário para a manutenção da ordem planetária.

Os Estados Unidos são como cabe a um império, pragmáticos. Patrocinam ditadores amigos e impõe a democracia aos inimigos, mas sabem exatamente quando retirar o apoio daqueles que, como Múmia Mubarack, Ferdinando Marcos e sua mulher centopéia, o Xá da Pérsia e antes deles os milicos sudacas, passaram do prazo de validade.

Derrubaram Mossadegh no Irã dos anos 50, a princípio em apoio à Inglaterra que teve sua refinaria desapropriada, e logo passaram a perna nos primos ingleses, tomando para si o domínio da região. Seus franqueados, a dinastia Pahlev, reinou até 79 quando um movimento popular, semelhante ao atual (i.e., não monoliticamente pro – islã) os derrubou. A revolução iraniana teve apoio da classe media esclarecida e ocidentalizada do pais, cansada do rei e sua policia política, a temível Savak, mas nada disposta a cobrir suas filhas de preto ou assistir espetáculos degradantes como apedrejamentos públicos. Subestimou-se, entretanto a organização e a força nas camadas mais baixas do Islamismo, preferível aos olhos do ocidente (ao menos na lógica daquele momento) à vizinha Rússia. Deu no que deu.

Depois da crise dos reféns e o sentimento anti-ocidente visceral que a republica islâmica impôs, as ditaduras laicas pareciam preferíveis as teocráticas. Ao menos até que o fantoche ficasse muito saliente e saísse invadindo o Kuwait e decorasse os capachos dos hotéis da capital com a cara do pai do presidente americano.

A Argélia, por exemplo, teve sua eleição roubada por militares facínoras, mas que evitaram uma espécie de segundo Irã versão sunita na região. Além do mais, Alah, principalmente em sua versão vingativa, xenófoba e intolerante é muito mais difícil de derrubar do que qualquer sargentão tipo Kadafi ou Saddan.

Mas back to the present, mesmo o rei da Jordânia, o jovem esclarecido que passou mais tempo em Boston do que em Amã, esta enfrentando manifestações populares que podem resultar numa alternativa muito pior do que seu reinado, secular e progressista. Muito diferente da também monarquia Arábia Saudita, ultra-retrógada, cujo príncipe herdeiro tem 81 anos.

Aconteça o que acontecer, torço por um modelo tipo Turquia para a região, onde a população é majoritariamente muçulmana, mas não quer saber de mulás no poder que proíbam calças jeans, I-Pods e cubram os cabelos suas belas mulheres de olhos amendoados. Ao menos não por decreto.

O islamismo já foi tolerante e modernizante, numa época em que os cristãos queimavam gente por ter gatos demais ou coisas do gênero. Pode voltar a se-lo, principalmente se ficar longe do poder político, dos costumes e tratar da espiritualidade dos seus fieis. .