Desde o nascimento de meu primeiro filho em 92, tramas que envolvam pais/filhos me emocionam, muitas vezes às lagrimas. Vi dias atrás (e recomendo) o documentário "Os Pecados De meu Pai" sobre o cidadão colombiano/argentino Sabastian Marroquin, que até os dezesseis anos atendia pelo nome de Juan Pablo Escobar.
Juan/Sebastian teve uma infância de sonhos, numa fazenda com leões, elefantes e girafas. Uma estátua de John Lennon em ouro e o primeiro teco-teco/mula do pai num pedestal (nada pode ser mais kitsch de que um bandido rico) adornavam o jardim. Brincava nos lagos privados da propriedade com jet-skis quando esses ainda eram protótipos e tinha até uma pista de corrida para carrinhos infantis. De repente vê o mundo cair em sua cabeça, quando Pablo Pai se torna o inimigo publico numero um do planeta Terra.
Em meados dos anos 80 Pablo Emilio Escobar Eviria já há muito era o maior capo do trafico colombiano. A Forbes chegou a considerá-lo o sétimo homem mais rico do mundo, posição que hoje é do Eike B. Ai comete o erro fatal de se meter em política (ela, sempre ela) se filiando ao recen-formando Partido Liberal. Seus fundadores Lara Bonilla e Gallan, quando se dão conta de quem era aquele benemérito e mão aberta membro do diretório de Medelín, temerosos por suas imagens e respectivos futuros políticos (tipo assim, político pode ser bandido, mas bandido não pode ser político), o expulsam da agremiação. Passam então a atacá-lo sem dó nem piedade.
Lara, nomeado ministro da Justiça, não lhe da trégua, ate que PE, humilhado pela expulsão e cego de raiva pela campanha movida contra ele, lhe envia uma de suas famosas cartas nas quais a vítima era convidada para seu próprio enterro, e digamos, certifica-se que ele compareça.
Decreta por conseqüência o início de sua derrocada.
Gallan então se candidata a presidência da Colômbia encampando a bandeira anti Escobar e também é morto, na frente dos filhos. A partir daí o presidente Cesar Gavira faz da caça e destruição de Escobar a prioridade numero zero de seu Governo.
Mas o que teme um homem com dinheiro suficiente para corromper todo um estado, adepto da política do plata ou plomo?
Resposta: A extradição para um estado quase incorruptível (ao menos quando se trata de traficantes cucarachas) - os Estados Unidos da America do Norte.
A partir daí Escobar inicia uma campanha ultra-terrorista, sequestrando e matando, explodindo prédios e aviões, e que visa forçar (e força) o parlamento a tornar ilegal a extradição de cidadãos colombianos.
Tarde demais, o DEA, o governo e os Pepes (Perseguidos por Pablo Escobar - agremiação de ex-colaboradores, membros de cartéis rivais e parentes de vitimas) querem o seu bigodão separado do resto do corpo e ele acaba morto num patético telhado de Medelín.
Juan Pablo jura vingança e escapa com a mãe por pouco de um aeroporto já quase tomado pelos Pepes.Pena mundo a fora levando portas na cara de vários países, até parar na solidaria (e sempre afeita a um caixinha ) Argentina.
Pois bem, dois momentos do documentário marcam sobremaneira:
- JP recordando a cena dele quando menino em uma casa cercada pelo exército, que não ousava invadir mas impedia a entrada de viveres. Faminto, olha para dois milhões de dólares em cima da mesa de jantar e percebe a inutilidade do dinheiro naquelas circunstancias. Serviria talvez para acender a lareira, não fosse verão na Colômbia.
-O encontro e os diálogos de Sebastian com os filhos de Lara Bonilla e Gallan numa suíte de um Hotel em Bogotá.
Na primeira tem-se a nítida impressão(e JP conclui isso, ao renunciar a seu pai e seu legado) que nenhum dinheiro, além do honesto vale a pena ser ganho. Gasta-lo e aproveitar-se dele tem muito haver com o modo pelo qual foi obtido, e se não se tem liberdade para usá-lo, vale menos do que um cacho de banana. Penso que nossos homens públicos, e mesmo alguns privados, perceberiam isso e não teriam vida fácil se a sociedade brasileira não fosse tão invertebrada e passasse a desprezar seus estilos de vida incompatíveis e inexplicáveis.
Deveríamos todos levantar de um restaurante caro e ir embora quando entrasse um corrupto comprovado, mas ninguém o faz.
A segunda remete ao necessário corte nos ódios e sentimento de vingança que é preciso fazer em certas circunstâncias históricas, em nome do futuro e da própria vida. Assim como os meninos da Colômbia, a geração européia pos 1945 fez tal opção.
Resultado: dez anos após o termino da guerra era possível para um alemão tirar uma foto com a torre Eiffel ao fundo sem ser importunado
Friday, February 17, 2012
Angelo Jagger
Meu amigo Angelo Vanhoni esta na Rolling Stone. Essa ai da capa com o Jimi Hendrix, que traz a matéria sobre os maiores guitarristas da historia (como o Clapton aparece em segundo atrás somente do Hendrix, passa ser o maior guitarrista vivo, seguido do Page...chupa essa manga Walmor !) .
Não, Ângelo não é um herói das cordas, e sim um Quixote da educação. Montado no Rocinante da perseverança, vem há anos se batendo contra os dark satanic mills da burocracia, imobilismo e desinteresse do(s) governo(s) e da sociedade como um todo nessa que é a Jerusalém que deve ser construída em nossas verdejantes e aprazíveis pastagens .
Qualquer político pode (mas não deve, a não ser que deva) sair na Veja ou na Folha de SP. Mas na RS, bíblia de minha geração, só quem tem a fúria sagrada de Jimi, o toque arco-angelical de Eric e a sabedoria celta de Jimmy.
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