Monday, January 13, 2014

tragam me a cabeça de Eike Batista

 Rio , 29 dez de 2012

tragam me a cabeça de Eike Batista
  
Eike Batista quebrou. E todos , sem exceção,  quebramos um pouquinho com ele, mesmo quem, como eu, não possui uma ação “X” sequer. Não entendo a cara de satisfação das pessoas ao comentarem o fato.

O mundo moderno precisa de todos tipo de capitalistas, inclusive os high profiles, que emprestam seu nome aos projetos que encabeçam, e quando bem sucedidos , viram uma espécie de garantia de retorno do capital. É isso que o nada contido Donald Trump tem feito no mercado imobiliário americano há anos, não sem tropeços. Dinheiro seu, põe muito pouco em seus projetos mirabolantes. Capta de investidores e empresta sua grife a construções cada vez mais ousadas, e aparentemente tem conseguido manter a roda girando.

Eike pretendia ser uma referencia de sucesso no incipiente ramo de infraestrutura privada de que o pais precisa desesperadamente, e no de commodities, ainda dominado por estatais, para-estatais e multis, que devem estar comemorando seu fracasso por razões obvias. Já o cidadão comum celebrar sua derrota, mais parece um desvio de conduta e um masoquismo biruta, própria dos brasileiros.
Não simpatizo muito com figura nem do estilo de Batista, mas me compadeço com ele, pois sei perfeitamente que lhe faltou um componente fundamental, divisor de aguas entre “gênios dos negócios’’ e “aventureiros que especulam com dinheiro alheio” (como se a maioria dos ricos não o tivessem feito em algum momento de sua trajetória, mesmo que se tratasse de recurso de bancos, que é em ultima analise, dinheiro de correntistas) :  
- Sorte.
Caso tivesse achado petróleo, teria abastecido todos seu manancial de negócios de estrutura vertical: petrolífera, estaleiros, portos etc.., e mesmo outros que mantinha por pura vaidade ou grandeza, sabe-se lá. Hoje seria , provavelmente não o homem mais rico do mudo, o que não sem uma ponta de marketing e muito de fanfarronice ele bradava, mas um case de sucesso mundial. Ter sido abatido na decolagem não deixa de ser uma imagem do Brasil, cujo Cristo redentor ascendente da capa da Economist corre o serio risco de explodir antes de alcançar a estratosfera, e isso não deveria deixar ninguém contente.
Ainda ontem via a queda do Spider Anderson Silva e me perguntava se  estamos indelevelmente fadados ao fracasso. Entendo que em algum momento nossas falta de preparo, financiamento e cultura de vencedor acabem se interpondo , mas não acredito que seja um a sina brasileira ou um fatalismo terceiro mundista.

Os EUA também desprezam seus perdedores, mas aqui parece que temos problemas mesmo é com o sucesso. Temo que o Mr X. não tenha virado o príncipe negro dos mercadosno imaginário popular pelo seu fracasso, mas por ter dado certo por algum tempo.
Nos anos 70/80, Roberto Marinho era demonizado por praticamente todos, esquerda e direita, e ainda hoje há quem chame sua empresa de Rede Esgoto e outras vulgaridades. Ora, o que ele fez de errado que eclipse o fato ter construído uma rede televisiva de qualidade mundial e se transformado, de um retransmissor de enlatados americanos (alguns bons, off course) em produtor de conteúdo de primeira, totalmente nacional e autossuficiente? Um homem que virou o que virou depois de completar cinquenta anos, numa época em que pessoas dessa idade estavam fora do jogo, e teve o mérito de saber contratar bem e delegar corretamente, isso quando  o empresariado paulista ainda se comportava como fazendeiros de café.
Pior do que as pessoas que se regozijam com o tombo de Eike, são as que assumem aquela atitude clássica do “eu sabia”. Por que então não compraram ações da Apple no lançamento ? Por que tantos críticos dele perderam dinheiro com as da Petrobras, essa sim vitima de uma previsível derrotada causada por politicas alheias a seu interesse e que nada tem haver com o acaso ou com o imponderável dos negócios. Como se o processo de enriquecimento e sucesso financeiro não contivessem em sua origem um componente de risco de fracasso tão grande quanto o de sucesso , que faz do mundo o que ele é.
Se ele fraudou a Bolsa ou algo assim, aguardo os próximos acontecimentos, mas até nesse aspecto, a experiência “X” terá feito um bem imenso ao mercado de capitais ao depura-lo e por consequência , fortalece-lo. Ou alguém esquece que o Stock Exchange mais poderoso do mundo só virou o que é por conta de muita gente esborrachada na calçada em 1929?
Sinto muito pelo Rio de onde escrevo, pois sei como uma cidade necessita de tycoons que acabam por melhorá-la pelas razões que forem, mesmo que por vaidade  (bilionários não são santos, são seres humanos como eu e você, mas com muito mais dinheiro), como fizeram por NY Solomon Gugenhein com seu museu assinado por Lloyd Wright, Andreas Carnegie com seu Hall homônimo ou os Rockefeller com o MoMA. Ou ate mesmo coloca-las no mapa como  Buffet fez por sua Omaha e o pai do meu amigo Chase, Charles Koch pela insignificante Wichita.
Na nossa mitologia, um Icáro que tenta voar e chega muito perto do Sol é um vilão. Já seu pai, grande homem (de fato o é) tal qual Dédalo, que nunca ousou um centavo seu, já que o fazia com o saco sem fundo do Governo em sua Vale, acertou muito sem o menor risco pessoal de errar.
Riqueza antes das pessoas e dos países mais nada, é uma questão de atitude.