Fotografei esses bibelôs da Revolução Cultural Chinesa numa vitrine de Roma, que por pouco não comprei. Não saberia onde expor.
A primeira relíquia parece representar um estudante, dois soldados e um trabalhador conduzindo um pobre coitado com chapéu de burro, provavelmente escrito “ inimigo do povo", jargão tomado emprestado (e nunca devolvido, que eu saiba) do genial HenrikIbsen.
A vítima era alguém que fora pego lendo um livro ocidental, um professor que vacilou numa aula de história e não teceu loas suficientes ao partido ou ainda um sujeito que simplesmente usava óculos ( o que no Camboja do maoista Khmer Vermelho era a morte.. ) e parecia portanto um "intelectual burguês".;
Note que o "trabalhador" miliciano carrega o fuzil e a soldada leva uma corneta, anunciando o contraventor para a massa, já que a ideia era constranger ao máximo o sujeito antes de manda-lo para um campo de "re-educação" . Ou simplesmente meter-lhe uma bala na cabeça.
; Muita gente das cidades grandes foi mandada para o campo, viver com e como os paupérrimos agricultores, heróis da revolução, numa tentativa de purificação da espécie ou volta às origens. Já imaginou uma menina do Sion indo catar arroz num banhado lá doscafundós?
A vítima era alguém que fora pego lendo um livro ocidental, um professor que vacilou numa aula de história e não teceu loas suficientes ao partido ou ainda um sujeito que simplesmente usava óculos ( o que no Camboja do maoista Khmer Vermelho era a morte.. ) e parecia portanto um "intelectual burguês".;
Note que o "trabalhador" miliciano carrega o fuzil e a soldada leva uma corneta, anunciando o contraventor para a massa, já que a ideia era constranger ao máximo o sujeito antes de manda-lo para um campo de "re-educação" . Ou simplesmente meter-lhe uma bala na cabeça.
; Muita gente das cidades grandes foi mandada para o campo, viver com e como os paupérrimos agricultores, heróis da revolução, numa tentativa de purificação da espécie ou volta às origens. Já imaginou uma menina do Sion indo catar arroz num banhado lá doscafundós?
Na próxima, o velho calhorda posando de santo. No fundo o comunismo sempre foi uma religião, com mártires, profetas, paraíso e todos os ingredientes básicos. Não a toa sempre houve gente querendo se imolar por ele.
Jânio (Janus) Quadros, aquele exemplo de coerência (eleito pela direita Lacerdista) curtia um modelito desses aí usado por Mao, pois dizia que terno e gravata era coisa de colonizados. Talvez até fosse, mas na China da época era só o que se vestia, já que Individualidade era um dos sete pecados capitais do regime.
O fato de seu sucessor, Jango ter dado tanta moleza pra a UNE, recebendo o Serra no palácio como se fosse um ministro e apoiado greves como a dos marinheiros, bradado jargões como reforma agraria etc..., dá vazão a gente que acha que ele era um sacerdote do Comunismo Universal do Reino de Mao. O fato de ele ter ido a China pouco antes de ser empossado também não ajuda. Não acredito. Em minha modesta opinião, acho que ele tinha mesmo era sonhos de Peron.
Nessa outra imagem, o camarada Mao desfila de jipe numa das inevitáveis e intermináveis paradas militares, próprias desses regimes. Alguém empunha o famoso livrinho vermelho, na verdade um amontoado de bobagens que tive curiosidade de folhear uma vez e que era matéria obrigatória nas escolas e fábricas. E aí de quem não soubesse recitar o seu conteúdo de orelhada .
Mal (com trocadilho) comparando, embora nossa ditadura tenha sido menos pavorosa em alguns aspectos (em outros foi tão horrenda quanto), como lembrou bem minha amiga Tânia, matérias de cunho humanista como sociologia e filosofia foram banidas do currículo escolar brasileiro, substituídas por Moral e Cívica e outras descaradamente propagandistas . Ate hoje sou capaz de cantar o hino do soldado e da bandeira, mas faço conta mal. E com seis ou sete anos, assim como a Tânia, amava o vovô Médici.
Além do mais, para aqueles que inevitavelmente citam odesenvolvimento do período militar (que realmente houve) como desculpa para tudo, lembro que o regime chinês lançou as sementes de uma das maiores viradas econômicas da história da humanidade. Nem por isso gostaria de ter visto meu pai com um cone na cabeça, sendo empurrado por meninos da minha idade e taxado de verme e cidadão de ultima classe, só por que errou o dia do aniversário de um pulha qualquer.
Da mesma forma que me solidarizo com o grande Marcelo Rubens Paiva, que deve ter enjoos com a recente moda de "volta ditadura" que vemos por aí. O pecado do pai dele, Rubens Paiva, foi dar guarida a alguns porra-loucas da esquerda armada. Terminou assassinado a porradas por um sargentão qualquer.
A verdade e que a Revolução Cultural chinesa não passou de uma artimanha do raposão das fotos, que vinha perdendo poder para as nem tão novas assim gerações do PCC (o sigla maldita) e foi aforra, usando a massa de manobra mais a mão, estudantes e militares de baixa patente do Exército Vermelho. Não foi difícil para o Grande Timoneiro convence-los que tinham de salvar o mundo vermelho dos hereges, entre os quais Deng Xiaoping, o reformador, que andou por baixo do rabo do dragão nessa época. Ate a mulher do líder, de quem ele devia estar cansado, dançou sob a acusação de pertencer a famosa "Gang dos Quatro".

Por fim os puxa-sacos habituais. Alguns devem ter ido para o fundo do Rio Amarelo, como em qualquer revolução.
No nosso caso, embora haja duvidas com reação a algumas mortes, a revolução foi mais branda ao devorar seus pais legítimos e ilegítimos, transformando Lacerda, Magalhães, Juscelino e outros mais em meros expectadores, se tanto.



