Monday, May 18, 2015

hino ao juiz


Gosto muito desse poema do Maiakovski, na tradução do Augusto.  O poeta, que ao que me consta nunca saiu da Russia, a não ser por suicídio, imaginava um paraíso tropical, o Peru, onde Juízes teriam imposto um regime de tirania:


   HINO AO JUIZ


Bananas, ananás! Peitos felizes.

Vinho nas vasilhas seladas…]

Mas eis que de repente com praga

No Peru imperam os juízes!

Encerraram num círculo de incisos

Os pássaros, as mulheres e o riso.

Boiões de lata, os olhos dos juízes

São faíscas num monte de lixo.

Sob o olhar de um juiz, duro como um jejum,

Caiu, por acaso, um pavão laranja-azul:

Na mesma hora virou cor de carvão

A espaventosa cauda do pavão.

No Peru voavam pelas campinas

Livres os pequeninos colibris;

Os juízes apreenderam-lhes as penas

E aos pobres colibris coibiram.

Já não há mais vulcões em parte alguma,

A todo monte ordenam que se cale.

Há uma tabuleta em cada vale:“Só vale para quem não fuma.”Nem os meus versos escapam à censura;

São interditos, sob pena de tortura.

Classificaram-nos como bebidas Espirituosa: “venda proibida”.

O equador estremece sob o som dos ferros.

Sem pássaros, sem homens, o Peru está a zero.

Somente, acocorados com rancor sob os livros,

Ali jazem, deprimidos, os juízes.

Pobres peruanos sem esperança,

Levados sem razão à galera, um por um.

Os juízes cassam os pássaros, a dança,

A mim e a vocês e ao Peru.


Não quero dizer que estejamos vivendo uma ditadura de juízes, mas sempre há um risco que um dos poderes se imponha sobe os outros e acabe com o equilibro que, de certa forma rege a democracia. 

Não e de estranhar, dado o descredito do executivo e do legislativo. Sou admirador do Juiz Moro, como qualquer pessoa decente, mas assim como nem todo Petista e  " um stalinista chavista que faz pouco do dinheiro publico afim de tomar o poder usando métodos gramcianos, já que perdeu a luta armada para os valorosos militares,"  e nem todo Juiz e bem intencionado. 

Aquele caso, felizmente punido, do juiz que passeava com a Porsche do Eike, me remeteu as obras de arte retiradas das residências das familas judias ricas e de paredes de museus nos países conquistados e que passaram a adornar o palácio do Kaiser da  Luftwaff Herman Goering.

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