Wednesday, June 03, 2015



Right is not allways right 

O problema de se saber história e que agente fica muito solitário. Todo mundo parece ter uma opinião genial hoje em dia , mas que não guarda nenhuma relação com o conjunto da experiência humana até então, portanto não se sustenta  por mais do que um curto período de tempo. É o resto é história. 

Faço parte de uma minoria , a dos  realmente Liberais, a favor de uma estado eficiente e partidários da ideia que a democracia acaba por aperfeiçoar -se, não importa o esforço momentâneo que  isso possa requerer.

Estamos prensados entre militantes profissionais que apoiam  o governo, cada vez mais por interesse pecuniário, e gente  que imagina ter a pedra filosofal  declarando -se  se a favor  de intervenções militares, ataques a constituição  e outras asneira,  fazendo gracinha e até musiquinhas a respeito , sem perceber que em certa medida, trata - se de uma moda. Nada original aliás.

Nessa onda,  daqui a pouco teremos um dia de são Bartolomeu onde petistas e esquerdistas serão massacrados na rua,  uma Jakarta , um Santiago do Chile, que são processos diametralmente contrários ao conceito de civilização. 

Eu nasci nos anos 60 e tive a curiosidade de aprender tudo que podia sobre o período. Acho que todos deveriam ao menos conhecer como o mundo funcionava no momento em que nasceram, até para compreender a si mesmo melhor. 


Hoje e comum tratar as pessoas que militaram em  política naquela época como idiotas ou lunáticos, como se contexto planetário não fosse completamente diferente do de hoje. Sem defender aqueles que  combatiam o governo, alguns de forma violenta , não da para vê-los somente como  terroristas sedentos de sangue e a soldo de Moscou e Havana, que mereceram morrer no choque elétrico ou na porrada e qualquer tentativa de contar essa história e revanchismo comunista e uma forma de denegrir o glorioso exército , . 


E óbvio que havia apoio do movimento comunista internacional a esses movimentos, e até nos de característica não violenta( hoje Sabemos  que a KGB , que reprimia  movimentos gay, direitos humanos e outros na mãe pátria Rússia , os apoiava no exterior afim de tumultuar ao máximo o processo nos países capitalistas) mas há que se entender que aquele era um momento de revolta planetária, e muita gente abraçava essas causas e outras com a mesma lógica da direita chique de hoje. 


Os estados unidos,  que são hoje a grande esperança  da sobrevivência da democracia ocidental e laica, defensores dos valores  que entendo serem os mais adequados para a existência humana,  viviam à época, imensos dilemas externos e internos. Mandavam soldados para o Vietnan, afim de defender a liberdade -  não sem efeitos colaterais  terríveis como os massacre de Mai Lai que comoviam a opinião pública mundial, - ao mesmo tempo que  e eram incapazes de enviar tropas ao Sul para proteger os movimentos negros de de direitos cíveis que vinha sendo massacrados por gente como o Governador Wallace do Alabama. 

intervenções como a que depôs Mosaageh no Ira, nacionalista e eleito democraticamente, trocando-o pelo facínora do Xa , também depunham contra a grande democracia do norte, que passou por todas as provações afim de purgar a si mesma .


Hoje e fácil entender esse processo mas quem vivia aquilo, podia ate flertar com a união soviética, Cuba  ou China, e enxergá-los como   lugares com alguma superioridade moral, mesmo depois dos massacres de Stalin, tido como fato isolado. 

Julgar quem viveu aquilo pela moral de hoje e canalha e estúpido.

Só quero dizer que essa militância neo fascista e irracional do momento, pode parecer tão anacrônica e ridícula em poucos anos , quanto a esquerda armada  e não armada dos anos  6o aparece para nos. 


Quem viver...


Hélio Freire

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