DUBAI REVISTED
Volto a Duabi depois de três anos . Aquela impressão que rendeu um texto elogioso à época, no qual me dizia positivamente impressionado não se dissipou totalmente, mas arrefeceu em face a algumas realidades que ficaram exposta dessa vez.
Senão:
Farinha pouca...
- o comércio parece em baixa. O Dubai Mall, que como tudo aqui e maior do mundo, está sendo expandido, muito mais em função do efeito bicicleta próprio daqui, do que em função da demanda.
As 1200 lojas estão parcialmente vazias e os vendedores parecem caçar os fregueses na porta . Consequência mais que óbvia do petróleo a 40 dólares o barril , contra os mais de 100 quando estive aqui da outra vez. Lembre que Dubai não produz quase nada de óleo , e depende da mão aberta de papai Abu Dabhi, que (apesar de 40 usd ser bem razoável para quem não gasta mais do que 3 para produzir ) tem seus próprios luxos para sustentar . Meu pirão primeiro....
Fritz Lang do deserto
- Os nativos dos emirados não trabalham, ou trabalham muito pouco. Os cargos de diretoria são sempre exercidos por nativos, mas quem faz acontecer são gerentes, quase sempre americanos ou europeus
Quanto às funções menos qualificadas, E comum em países desenvolvidos que os locais não as realizem, mas aqui é completamente impossível achar alguém nascido nos Emirados atendendo mesa ou dirigindo táxis. Conta a lenda que esse pessoal em sua maioria indianos, filipinos e gente do leste europeu vivem em alojamentos no deserto e se esmagam em ônibus sem ar-condicionado , o que aqui equivale a um passeio no inferno. Qualquer semelhança com Métropolis...
- Bollywood
O Burj Califa, edifício mais alto do mundo é de certa forma, uma metáfora local. O prédio e lindo mas os últimos andares são quase um cenário pra fotos e estatísticas, já que apesar das janelas , não são habitáveis. Era pra se chamar Buj (torre) Dubai, mas o Califa de Abu Dabhi , chamado para pagar a conta que saiu do controle, exigiu que lhe fosse feita a justa homenagem. Provavelmente a maioria dos andares esta desocupada e construção não faz nenhum sentido econômico, num lugar onde espaço é areia.
A Bigger Bang
- Freud dizia que todos temos uma questão com um dos pais. Os emirados , apesar de milenares enquanto civilização, são filhos do império britânico . Não é de se estranhar que, dado a baixa auto estima desses novos riquíssimos, que dirigem carros de ficção científica e cujos avos andavam de camelo, tenham construído um edifício na forma de Big Ben ,muito mais alto , é claro .
Tuesday, August 18, 2015
Darvin e Darrin
Darrin e Darvin.
A rivalidade Brasil Argentina tem razões históricas que só futebol não explica. Não pretendo entrar nessa seara, que envolve hegemonia sudaca, egos de caudilhos dos dois lados da fronteira, birras militares e preconceito. Só desejo argumentar que , quando se trata de cinema , Maradona da de chicote em Pele.
Assisti ontem o maravilhoso Relatos Selvagens , que, se não é melhor do que o maravilhoso Segredo de Tus Ojos, chega perto. São várias histórias que relatam situações onde personagens do cotidiano rasgam a fantasia da civilidade e se tornam, como quer o título, selvagens .
Tem de tudo: alusão ao 11 de setembro, a criminosa que tenta um emprego normal mas que a primeira chance acaba seguindo sua vocação , o rico que se cansa de comprar os outros , o sujeito que (como não lembrar do desenho da Pateta motorizado?) atrás de um volante , encena Darwin e por último a noiva que vira bicho na festa de casamento. O único reparo e que esse último fragmento deveria se chamar Bodas de Sangre ao invés do óbvio Até que a Morte nos Separe. Vacilo do Almodóvar, produtor executivo que poderia ter prestado uma homenagem elegante ao seu contemporâneo Lorca .
E como não existe filme argentino sem o Darrin , lá está ele no papel do sujeito que se revolta com a indústria de multas e explode tudo. Aliás , não temos nenhum ator de cinema para lustrar seus sapatos, verdade seja dita.
O cinema argentino mostra que , apesar de viver maus momentos
( olhem quem fala) a Argentina ao menos, um arremedo de civilização.
Hélio Freire
A rivalidade Brasil Argentina tem razões históricas que só futebol não explica. Não pretendo entrar nessa seara, que envolve hegemonia sudaca, egos de caudilhos dos dois lados da fronteira, birras militares e preconceito. Só desejo argumentar que , quando se trata de cinema , Maradona da de chicote em Pele.
Assisti ontem o maravilhoso Relatos Selvagens , que, se não é melhor do que o maravilhoso Segredo de Tus Ojos, chega perto. São várias histórias que relatam situações onde personagens do cotidiano rasgam a fantasia da civilidade e se tornam, como quer o título, selvagens .
Tem de tudo: alusão ao 11 de setembro, a criminosa que tenta um emprego normal mas que a primeira chance acaba seguindo sua vocação , o rico que se cansa de comprar os outros , o sujeito que (como não lembrar do desenho da Pateta motorizado?) atrás de um volante , encena Darwin e por último a noiva que vira bicho na festa de casamento. O único reparo e que esse último fragmento deveria se chamar Bodas de Sangre ao invés do óbvio Até que a Morte nos Separe. Vacilo do Almodóvar, produtor executivo que poderia ter prestado uma homenagem elegante ao seu contemporâneo Lorca .
E como não existe filme argentino sem o Darrin , lá está ele no papel do sujeito que se revolta com a indústria de multas e explode tudo. Aliás , não temos nenhum ator de cinema para lustrar seus sapatos, verdade seja dita.
O cinema argentino mostra que , apesar de viver maus momentos
( olhem quem fala) a Argentina ao menos, um arremedo de civilização.
Hélio Freire
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