Tuesday, August 18, 2015

Darvin e Darrin

Darrin e Darvin.


A rivalidade Brasil Argentina tem razões históricas que só futebol não explica. Não pretendo entrar nessa seara, que envolve hegemonia sudaca, egos de caudilhos dos dois lados da fronteira, birras militares e preconceito. Só desejo argumentar que , quando se trata de cinema , Maradona da de chicote em Pele.


Assisti ontem o maravilhoso Relatos Selvagens , que, se não é melhor do que o maravilhoso Segredo de Tus  Ojos, chega perto. São várias histórias que relatam situações onde personagens do cotidiano rasgam a fantasia da civilidade e  se tornam, como quer o título, selvagens .

Tem de tudo: alusão ao 11 de setembro, a criminosa que tenta um emprego normal mas que a primeira chance acaba seguindo sua vocação  , o rico que se cansa de comprar os outros , o sujeito que (como não lembrar do desenho da Pateta motorizado?) atrás de um volante , encena Darwin  e por último a noiva que vira bicho na festa de casamento. O único reparo  e que esse último fragmento deveria se chamar Bodas de Sangre ao invés do óbvio Até que a Morte nos Separe. Vacilo do Almodóvar, produtor executivo que  poderia ter prestado uma homenagem elegante ao seu contemporâneo Lorca . 

E como não existe filme argentino sem o Darrin , lá está ele no papel do  sujeito que se revolta com a indústria de multas e explode tudo. Aliás , não temos nenhum ator de cinema para lustrar seus sapatos, verdade seja dita.

O cinema argentino mostra que , apesar de viver maus momentos
( olhem quem fala) a Argentina ao menos, um arremedo de civilização. 

Hélio Freire

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